Pabe onde a tradição da boa gastronomia ainda é o que era

Vamos descobri-lo bem perto da Praça Marquês de Pombal, centro nevrálgico da cidade de Lisboa. É no número 27 da Rua Duque de Palmela que o Pabe está instalado há quase cinco décadas. Este restaurante único foi recentemente alvo de uma enorme renovação, apresentando-se hoje em grande forma.

Hoje, como sempre, somos recebidos à porta pelo Sr. Gomes, «estou cá desde o início da casa», conta-nos, para depois nos confessar que «sou sempre eu que estaciono os carros dos clientes, e olha que pelas minhas mãos já passaram muitos Porsche e Ferrari», numa clara alusão à classe social de grande parte dos clientes habituais do restaurante.

Sr. Gomes

Entramos e percebemos que acedemos a um espaço diferente. Calma, que ali não é só a gastronomia que marca pontos. A história também, uma vez que o Pabe foi cenário para muitos acontecimentos que marcaram a vida contemporânea deste nosso Portugal, como a fundação do à época PPD, e actual PSD. Pois é verdade, foi ali numa mesa instalada num nicho da sala principal, que o partido dos dois Franciscos, Sá Carneiro e Pinto Balsemão, nasceu. Aliás, essa mesma mesa é ainda hoje apelidada de “a mesa do Dr. Balsemão”, uma vez que o fundador do Expresso, jornal que durante muitas décadas foi vizinho do restaurante, ali almoçava praticamente todos os dias. Ainda hoje, já com o jornal instalado noutras paragens, a mesa está sempre reservada até às 13h30 para o seu cliente habitual, que duas ou três vezes por semana faz dela uso.

Perca algum tempo e admire a decoração do restaurante composto por dois espaços de restauração, um para fumadores e outro para quem não sofre desse vicio. Madeiras escuras, alcatifa e tecidos imponentes marcam presença e ditam o fio condutor de um espaço que nos transporta para os pubs ingleses ou mesmo para uma sala de caça de uma casa senhorial. Ao fundo, ao correr da sala principal, o bonito bar. Dois pontos desta decoração chamaram a nossa tenção, o lindíssimo relógio de parede e a prateleira colocada por cima da “mesa do Dr. Balsemão” repleta de bonecos que retratam figuras importantes do universo da politica nacional. é de sorriso no rosto que admiramos a colecção de um dos fundadores do restaurante e nela descobrimos em poses engraçadas figuras incontornáveis como Álvaro Cunhal, Mário Soares ou Pedro Santana Lopes.

O nosso cicerone durante o almoço foi Almiro Vilar, que, oriundo de Viseu, leva já um bom par de décadas como chefe de sala do Pabe. «São muitos anos dedicados a esta casa que agora surge ainda mais apelativa», refere a propósito da renovação. Na verdade, o Pabe de hoje é o renascer de um clássico que mantém na boa gastronomia o seu principal alicerce.

Almiro Vilar

O menu é farto e rico, pelo que a escolha nem sempre se revela fácil. É o Sr. Almiro que nos dá umas luzes, «porque não começar com a nossa sapateira, depois uns filetes de peixe e, se forem apreciadores, um bife tártaro?». Como não aceitar estas sugestões? Minutos depois começava o repasto, sim empregámos bem a palavra pois uma refeição no Pabe, não sendo barata, não deixa ninguém com fome ou mal impressionado com as doses.

As boas-vindas chegam da cozinha em forma de uma salada de ovas com bergamota e telha de arroz com tinta de choco. Uma excelente harmonização de sabores que serviu de prenuncio para o que se seguiria.

Ovas com bergamota e telha de arroz com tinta de choco

Sapateira à Pabe

Como referido em cima, o prato de peixe surgiu em forma de uns deliciosos filetes, servidos na companhia de um arroz de tomate e uma açorda de berbigão. O casamento gastronómico perfeito!

Filetes de peixe

Arroz de tomate

Açorda de berbigão

Nem todos gostam de bife tártaro, pois bem nem sabem o que perdem, sobretudo se for o tártaro de Pabe confeccionado pelo Sr. Almiro, o qual podem observar aqui. Este é um prato que vive e muito da qualidade dos ingredientes, ou seja, da carne. E esta que aqui degustámos era de elevadíssima qualidade. Elaborado com mestria pelo Sr. Alamiro, o bife tártaro do Pabe surpreende ainda pala harmoniosa e equilibrada junção de sabores com que a carne é enriquecida.

Bife tártaro

Mas não é só nos pratos principais que o Pabe se destaca, pois ao nível das sobremesas a distinção é também uma presença marcante. Fosse na história de chocolate ou na caravela, homenagem aos nossos descobrimentos, claramente se percebe os cuidado com que cada uma foi concebida. De facto, o toque final numa refeição impecável, quase arriscamos a dizer, perfeita.

Caravela

História de chocolate

Requinte e conforto, bom ambiente e excelente gastronomia fazem deste um dos melhores restaurantes de Lisboa. A isto junta-se ainda a não menos importante qualidade do staff, elementos essenciais no sucesso desta casa, que com profissionalismo e dedicação, recebem os visitantes com muita simpatia.

Se tivéssemos de pontuar o Pabe daríamos nota máxima, fosse qual fosse a escala de qualificação. De facto, este é para nós um dos melhores restaurantes por onde já passámos. Bem haja por este regresso!

Pabe
Rua Duque de Palmela, 27
Lisboa
Tel. 213535675
Horário: de segunda-feira a domingo das 12h00 às 00h00

Texto e fotos: Sandra Pinto

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