Hallo, de Martin Zimmermann chega em março à Culturgest

Hallo, de Martin Zimmermann chega em março à Culturgest

Ao cabo de 20 anos de carreira, grande parte dela trabalhando em conjunto com Dmitri de Perrot, o suíço Martin Zimmermann, formado pelo Centre National des Arts du Cirque, cria, em 2014, o seu primeiro (até agora único) espetáculo a solo: Hallo.

Martin forma um personagem com um corpo de boneco articulado e a agilidade de um contorcionista, um tipo ingénuo e desastrado que faz rir sem querer, que mora numa pequena caixa de madeira e sai dela para entrar num cenário que lembra uma montra de loja.

O cenário, e os objetos vários que nele vão surgindo, têm vida própria e passam o tempo a pregar-lhe partidas, colocando-o em situações embaraçantes, desconfortáveis e divertidas, de onde dificilmente sai. Mas sai, porque a sua destreza ingénua é bastante para triunfar. Há um bocadinho de cenário que frequentemente se ri do personagem, amesquinhando-o. Ele faz de conta que não percebe.

O espetáculo resulta dos choques múltiplos entre o homem e as suas diversas personalidades, ou aparências, e o cenário e adereços. A esses personagens por que o artista se multiplica, acrescem outros que são extensão do seu corpo, representados por um manequim, jogos de espelhos, ou mesmo pela breve aparição de um duplo. Martin procurou dar vida às múltiplas maneiras de sermos nós próprios. Com a sua dramaturgista, que com ele concebeu o espetáculo, tentou “desenhar com delicadeza o esboço de uma vida”.

Hallo (Olá) é a única palavra que se houve durante todo o espetáculo e ainda assim, só por três vezes. Para chamar a atenção de alguém que não se sabe quem é. Gostávamos que fossem atraídos por esse chamamento, porque verão coisa que nunca viram, que está entre o céu e a terra, entre o sono e a realidade, entre a fantasia e a vida.

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