Recinto melhorado foi aquilo em que primeiro notámos quando entrámos no Vodafone Paredes de Coura. Depois a boa música. Já tínhamos saudades.

Vodafone Paredes de Coura 2018. Dia I. De regresso ao Couraíso

Somos muitos os que todos os anos reservam uma semana do mês de Agosto para rumar até ao Minho. Ao contrário dos muitos portugueses que partem para Sul em busca do sol, a nós o que nos move é a busca pela música, a boa música que anualmente nos enche a alma em quatro dias de alegria, descoberta, partilha e amizade. Isto sempre em familia.

Recinto melhorado, com novas zonas de restauração, foi aquilo em que primeiro notámos quando entrámos no Vodafone Paredes de Coura. Sem grandes constrangimentos no que à quantidade de pessoas diz respeito, rapidamente percebemos que esta edição tinha tudo para voltar a ser memorável. E o pontapé de saída foi dado logo no primeiro dia, antigamente apelidado como recepção ao campista, mas que hoje se apresenta de legítimo direito como o primeiro dia do festival.

Grandfather’s House > Marlon Williams

A abrir uma banda nacional que muito tem evoluído no som e que, sem dúvida, demonstrou merecer tão grande responsabilidade. Nascidos em Braga, em 2012, os Grandfather’s House começaram por ser uma one-man band, como explicou em entrevista à LOOK mag há uns anos o músico Tiago Sampaio e que pode ser lida aqui. Não permanecendo sozinho durante muito tempo, Tiago rapidamente percebeu o potencial que tinha entre mãos assim que pensou no formato banda para o qual convidou Rita Sampaio, na voz, e Ana João Oliveira, na bateria. A Paredes de Coura trouxeram como base do seu concerto a apresentação do mais recente registo de originais, “Diving”, que, apresentando-se dono de uma sonoridade mais densa, conseguiu cativar o público, apesar de terem tocado de dia.

“Make Way for Love” surgiu em Fevereiro passado como apresentação de um músico que, oriundo da Nova Zelândia, tinha e tem a intenção de conquistar o mundo. A nós conseguiu-o à primeira audição de temas como “What’s Chasing You” e Come to Me, amor confirmado no Minho.
Nascido em 1990, Marlon Williams transporta em si a alma de gente antiga. Ouvi-lo em disco, mas mais ainda vê-lo em cima do palco traz-nos à memória nomes como Elvis Presley ou Roy Orbisson. Seja nos trejeitos com que se movimenta de guitarra em punho ou no tom sofrido da sua voz que, canção a canção, nos vai relatando a dor de quem termina uma relação, no caso de Marlon a que o unia à cantora Aldous Harding. De referir que a compositora teve participação no disco ao cantar com Marlon em “Nobody Gets What They Want Anymore”. Foi por volta de 2007 que Marlon começou nas andanças musicais, primeiro com os Unfaithful Ways e depois com a edição do primeiro álbum em nome próprio oito anos depois. Tendo confessado em diversas ocasiões que não gosta de dar concertos, tínhamos alguma expectativa para ver como se sairia no enorme e lindíssimo anfiteatro de Coura, e a verdade é que se saiu muito bem. Com a sua elegante voz de croonner, Marlon foi conseguindo cativar quem não o conhecia, encantando quem o conhecendo em voz, ali estava para admirá-lo em carne e osso. Cumpriu perfeitamente os ditames essenciais de um primeiro encontro, deixando no ar a promessa de um regresso já agendado para breve.

Linda Martini

A cada confirmação dos Linda Martini num cartaz de um festival o nosso entusiasmo cresce. E por que, podem perguntar desse lado? É simples, pois para nós são hoje uma das mais entusiasmantes bandas nacionais em cima do palco. O nosso “caso” com os Linda remonta a um concerto que deram há uns anos valentes no Santiago Alquimista, sala de espectáculos de boa memória ali para os lados de Alfama. Sem saber muito bem ao que íamos, fomos irremediavelmente picados pelo Cupido do rock que através da poderosa bateria do Hélio ou do impressionante charme em palco da Cláudia nos sussurrou ao ouvido, «bem-vindos». E assim foi, até hoje. Com 15 anos de vida, relembramos aqui a entrevista com os Linda Martini a propósito da celebração da primeira década de existência da banda, onde referem o seu primeiro concerto em Paredes de Coura. Na verdade, não sendo a primeira vez que tocam nas margens do Tabuão, os Linda Martini conseguem sempre dar ainda mais felicidade a quem os conhece e cativar de forma certeira quem os vê pela primeira vez. E isso só se consegue através da tremenda dedicação com que encaram cada concerto e pela forma como se entregam ao público. Do lado de cá a resposta não podia ter sido melhor. Uma maravilha!

King Gizzard & The Lizard Wizard

Cruzámo-nos com eles a primeira vez numa garagem nas traseiras da Avenida da Liberdade, em 2014. Dessa noite ficou-nos a memória de muito calor e de um concerto arrebatador que nos levou a considerá-lo o melhor de todo o evento onde estava inserido. A verdade é que já nos voltámos a cruzar com os King Gizzard & The Lizard Wizard mais vezes, no ano seguinte encontrámos a banda de Melbourne num festival à beira Tejo e em 2016 fomos por eles esmagados em Paredes de Coura por ocasião de um concerto incrível. Não nos será, portanto, muito difícil afirmar que seria preciso muito mais do que aquilo que fizeram este ano para nos surpreenderem. Atenção, que com isto não significa que tenham perdido qualidades, nada disso, elas mantêm-se e estão lá, mas a nós é que já não nos enchem as medidas. Cumpriram perfeitamente o objectivo e deram um bom concerto. Se nos emocionaram como da última vez? Não.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

You May Also Like

Dead Can Dance regressam a Lisboa

Festival VOA regressa em 2019

Tool com concerto na Altice Arena

Dave Matthews Band de regresso a Lisboa

error: Conteúdo protegido. Partilhe e divulgue o link com o crédito @lookmag.pt