À Conversa com GrandFather’s House

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Os GrandFather’s House surgem em 2012 como projecto a solo pelas mãos de Tiago Sampaio. É no início do ano de 2013 que, Rita Sampaio, irmã de Tiago, passa a dar voz ao projeto. Influenciados pelo rock, soul, blues e também pelo folk chegam agora ao Sabotage para apresentar o EP “Skeleton”.

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Como nasceram os GrandFather’s House?
Tiago Sampaio – Os GrandFather’s House nasceram pelas minhas mãos, pois, apesar de na época ter alguns projetos, nenhum deles era ativo o suficiente. Senti assim a necessidade de criar um projeto a solo e foi aí que os GrandFather’s House surgiram. Começou como “one man band” e assim foi durante um período de tempo, até que um dia, estava eu a fazer umas gravações dos temas que tinha até à data e lembrei-me de pedir à Rita para gravar segundas vozes em algumas faixas. Entretanto, percebemos que podia ser vantajoso para o projeto se a minha irmã se tornasse elemento integrante, e assim foi.

Qual foi o vosso percurso antes de entrarem na banda?
Rita Sampaio – Antes de GFH trabalhámos juntos, foi nesse projeto que passámos da sala de ensaios para um palco uma única vez, mas talvez tenha sido esse trabalho que nos ajudou a compreender melhor um ao outro e nos uniu a nível criativo. Acho que não nos apercebemos que isso acontecia na altura, mas creio que influenciou.
Tiago Sampaio – Para além desse, integrei mais dois projetos, mas nunca foram muito ativos. Portanto, este projeto é, sem dúvida, uma lufada de ar fresco. Trabalhamos bastante e creio que isso é muito importante.

O que é a música para vocês?
Rita Sampaio – A música foi uma descoberta inesperada. Comecei a interessar-me por música por iniciativa própria, mas foi a ajuda do meu irmão que me despertou o interesse de querer compreendê-la melhor e me ajudou a olhá-la da maneira que olho hoje. Foram a sua persistência e determinação que me trouxeram o extra de motivação que precisava e me tornaram mais trabalhadora. Considero que a música é isso mesmo, determinação, persistência, trabalho e, claro, paixão, algo que creio não nos falta.

Tiago Sampaio – É algo inacreditável, sem dúvida! Conseguir, através de alguns instrumentos, provocar sentimentos nas pessoas, sejam eles bons ou maus. Mas, acredito que o mais importante é nós próprios gostarmos daquilo que criamos. Em primeiro lugar temos de ser nós a gostar das músicas, caso contrário, não conseguiríamos passar mensagem alguma.

Quais são as vossas mais fortes influências?
Tiago Sampaio – Apesar de influenciados por música contemporânea, temos também influências dos primórdios do blues, da soul e também um pouco do folk. Defendemos a ideia de que para fazer nascer algo novo temos de ter conhecimento das raízes, passar por lá, perceber o começo para dar continuidade.

É a música uma parte da vossa vida que já não dispensam?
Rita Sampaio – Completamente! É a parte da minha vida que me mantém motivada e concentrada em tudo o resto. É bom ter encontrado algo que me faz sentir assim tão bem.
Tiago Sampaio – Sim claro! Apesar de em Portugal ser muito complicado para os artistas em geral conseguirem viver da cultura, acho que é mesmo por já não a dispensarmos que continuamos a fazer música. É muito gratificante.

Como surgiu o EP que vão apresentar no Sabotage?
Rita Sampaio – Na verdade, quando pensámos em ir para estúdio, tínhamos em mente gravar um álbum e não um EP. Entretanto, o processo atrasou um pouco e percebemos que esta seria uma boa opção. Sentíamos uma necessidade enorme de ter o nosso trabalho gravado e um EP tornou isso mais rápido de conseguir, pois não é tão extenso. Para além disso, fez sentido para nós juntar estas músicas numa pequena amostra do nosso início, queremos a partir delas evidenciar o minimalismo que se pode verificar na nossa formação, imagem e sonoridade. Talvez esta intenção não tivesse resultado e transparecido no sentido que nós pretendíamos se de um álbum de tratasse.

Contem-nos um pouco do vosso processo criativo…
Tiago Sampaio – Não temos até agora um processo criativo definido, as coisas têm surgido bastante naturalmente. Pode nascer algo de alguma melodia de voz que a Rita cria, pode nascer de um riff de guitarra, trabalhamos sempre em volta de uma ideia que, aparentemente, pode ter potencial, por mais pequena que ela seja.

Se vos pedisse como caracterizariam este trabalho?
Tiago Sampaio – “Skeleton”, como o próprio nome indica, representa algo muito cru e despido. É a partir destes alicerces, deste esqueleto que surgirá algo mais complexo. Comecei a trabalhar neste sentido e a desenvolver uma imagem a partir daí. Criámos um conceito e tivemos sempre o cuidado de que a parte criativa tivesse sempre esse ponto de partida. Desde a música, ao vídeo até à fotografia.

Quais as vossas maiores influências (livros, musica, filmes…)?
Rita Sampaio – O primeiro álbum que mais me marcou foi “Frank” de Amy Winehouse e depois, “Grace” de Jeff Bukley, sem dúvida. Um pouco mais tarde descobri PJ Harvey e Mallu Magalhães, mais duas artistas que tem sido um prazer enorme descobrir. São apenas quatro artistas que admiro muito, entre muitos outros, e que me marcaram nos últimos tempos. Inconscientemente deixo-me influenciar por todos eles.
Filmes posso destacar dois: “La vie en rose” e “Frida”. São dois filmes que contam duas histórias de vida incríveis, de duas senhoras igualmente incríveis, que marcaram a história nas artes plásticas e na música. Como amante das artes e como mulher, sinto-me motivada com este tipo de histórias de sucesso que contribuíram também para o maior reconhecimento da mulher na sociedade.
Tiago Sampaio – Sou bastante influenciado pelo espírito e pelo som do rock&roll dos anos 60, mas, principalmente, pelos blues. Ouço muitos nomes como Robert Johnson, John Lee Hooker, Blind Willie Johnson, The White Stripes, que no fundo também encontram inspiração nestes artistas que referi, e muito da onda blues rock americana.
Outra coisa que me influencia bastante, apesar de distanciada da música, é a cultura, com predominância para a grega e a romana.

O que pode o público esperar do vosso concerto?
Rita Sampaio – No Sabotage a maior surpresa para público será mesmo o novo set em palco, que nos acompanhará na tour de apresentação de “Skeleton”. Portanto, até para nós será uma novidade. Para além disso, e para além dos temas gravados, existem novos temas nos vão acompanhar. Tentamos sempre que um concerto nunca seja igual ao anterior, mas este será mesmo a estreia de um novo conceito.

Depois do Sabotage onde vamos poder voltar a ver-vos ao vivo?
Rita Sampaio – Iremos apresentar o nosso EP no Porto e em Braga também. Posteriormente, serão divulgadas datas de uma tour de apresentação. Esta durará até ao início do próximo ano, para já não podemos precisar datas mas tudo indica que em Dezembro faremos as malas.

https://www.facebook.com/grandfathershouseoficial?ref=hl

Sabotage Rock Club
Dia 07 de Novembro
O concerto conta com a presença de Fast Eddie Nelson.
Primeira parte a cargo dos The Black Wizards

Por: Sandra Pinto

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