Harlem soul&jazz

Lisboa mexe, e mexe bem. São vários os novos espaços que na capital vão abrindo portas lembrando que há vida para além da crise e das limitações que nos são impostas. A lembrar que estamos cá para ser felizes e que de tudo devemos fazer para que ninguém nos roube essa legitima pretensão à felicidade.

Um dos mais recentes, aberto desde 31 de janeiro último, alia duas das coisas boas da vida que servem de inspiração à Look Mag: música e gastronomia. Na verdade, poucas alianças surgem tão harmoniosas como esta, pois uma vez alcançado o equilíbrio entre ambas o céu é o limite…

No limite entre o Cais do Sodré e o Bairro Alto, o restaurante está instalado num espaço lindíssimo no Largo dos Stephens, morada perfeita para o que se pretende, pois, e tal como afirma Carlos Lopes, um dos sócios, ” é uma zona central, inserida numa área de comércio e serviços e com muito fluxo pedonal. Próxima do Bairro Alto, na rota dos apreciadores da noite e da cosmopolita zona do Chiado, permite atingir um vasto público, desde trabalhadores, turistas a simples transeuntes”. Por outro lado, fica igualmente perto do renovado Cais do Sodré, “uma zona revitalizada com novos espaços de lazer, bares e restaurantes direcionados a um target cool e urbano”, conclui Carlos Lopes.

Fomos visitar o Harlem num dia se semana, numa quarta-feira para ser mais exato e foi com surpresa que verificámos estar o restaurante cheio. O facto é que, e depois de termos referido isso mesmo a quem simpaticamente nos servia, percebemos que esta é uma situação normal, pois estando aberto apenas para snacks e jantares desde as 18h00 o restaurante está quase sempre “bastante composto de clientes”.

Ao entrar o primeiro (bom) impacto chega pela decoração (ou falta dela). Passamos a explicar, este é um espaço decorativamente despojado opção que lhe dá ainda uma maior elegância e leveza. As fabulosas abóbodas características da arquitetura das construções mais antigas daquela zona da cidade, estão lá, bem preservadas e pintadas de negro…opção que, ao contrário do que se poderia esperar, brinda o espaço com uma singular contemporaneidade, leve e descontraída.

Paulo Lobo foi o designer responsável, que, depois de ter criado espaços tão emblemáticos como o Buhle, o Shis, o Cafeína e o Porto Palácio Hotel, no Porto, imaginou para o Harlem um ambiente revivalista, dando preferência à utilização do contraplacado de choupo, revestindo as paredes com caixas de madeira sobrepostas, num cenário puramente informal e de improvisação.

Antes de passarmos a uma das duas facetas importantes do Harlem, neste caso a gastronomia, uma referência ao conforto proporcionado pelas cadeiras, acreditem que uma vez lá comodamente sentados pouca ou nenhuma vontade terão de se levantar!

Como já referimos, no Harlem pode estar desde as 18h00, pelo é claramente um spot a ter em conta, não só para jantar, mas também para tomar um cocktail ou um snack leve ao fim da tarde. Tudo o que nos foi chegando à mesa, foi imaginado por um dupla de simpáticos “chefs” que não só nos receberam, como se preocuparam em saber das nossas preferências e desagrados gastronómicos (soube bem, sim senhor). Hugo Brito e Pedro Duarte são os responsáveis pelas criações que tanto sucesso tem tido junto da clientela cada vez mais assídua. De acordo com os “chefs” a inspiração veio da Soul Food, “pretendemos destacar a genuinidade dos sabores, mantendo as formas e paladares originais dos ingredientes. Os pratos são inovadores e estão em constante criação, adaptando-se à altura do ano e, principalmente, ao gosto dos clientes”, afirmam.

Começámos com as chips de mandioca, picantes qb pediram a companhia de dois cocktails, para ela um cosmopolitan, para ele uma tequila sunrise, e estava lançado o mote para a refeição. Depois chegaram os croquetes de batata, as asas de frango assadas, os camarões picantes e os famosos sliders (hambúrgueres). Claro que algures a meio da refeição já os cocktails eram outros, desta feita para ele um west indies yellow bird, e para ela um berries cream.

Se bem se lembra, no início deste texto referimos que o Harlem vive da comunhão entre dois fatores. Falemos então da música, pilar importante da identidade deste espaço de restauração. É em géneros como o jazz, o blues, o funk, o R&B e o hip hop que a banda sonora do Harlem se baseia. Com a intenção de ir mais longe do que a tradicional música ambiente, o Harlem vai contar com atuações de DJ’s e com uma programação musical a cargo de Rodrigo Gomes.

Na noite que o visitámos, confesso que senti falta de um pouco mais de “soul”, pois à voz de Nina Simone e Amy Winehouse outras se podiam ter juntado para que a alma do Harlem tivesse surgido em todo o seu esplendor. Fica então a vontade de voltar para degustar mais umas quantas iguarias, mas desta vez ao som de Miles, Coltrade ou Ella, ok mister DJ?

Harlem soul, jazz & lifestyle
Largo dos Stephens, n.º 6-9
1200-457 Lisboa
Tel. 213 467 097
[email protected]
Horário: de segunda a sábado, entre as 18h00 e as 02h00 (encerra ao domingo)
Lotação: 38 lugares sentados

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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