Vamos falar de autocuidado com Helena Paixão, psicóloga clínica

A psicóloga Helena Paixão aliou-se numa parceria à Vitacress para lançar o Alfabeto do Autocuidado. Edição da Livros Horizonte, O Alfabeto do Autocuidado é um pequeno guia de práticas de autocuidado, em que cada letra é associada a uma palavra relacionada com o autocuidado, seja a através da alimentação, estado físico ou mental. Estas sugestões pretendem guiar para um bem-estar pessoal e, consequentemente, dos que nos rodeiam.

Para descobrir mais sobre esta parceria e sobre os objetivos deste guia falámos com a psicóloga clínica Helena Paixão.

Para quem ainda não pensou no assunto, o que é o Autocuidado?
O Autocuidado é cuidar de forma intencional do nosso bem-estar através de ações e atividades que nos permitam sentir bem connosco próprios, com os outros e com a nossa vida. Consiste, assim, em qualquer ação que façamos, de forma consciente e deliberada, que reverta a favor da nossa saúde física, psicológica e emocional.

Perante isso, qual é precisamente a sua importância?
O autocuidado oferece-nos a possibilidade de nos escutarmos, de percebermos o que é que precisamos do ponto de vista psicológico, emocional e/ou fisiológico e de darmos resposta às necessidades por preencher. Permite-nos identificar, com mais clareza, se aquilo que fazemos nos enche a alma, como nos sentimos em relação a quem nos rodeia, como movemos o nosso corpo, como é a nossa relação com a alimentação, entre tantas outras coisas.
É fundamental, para isso, expandirmos a autoconsciência e a auto-observação de forma a conseguirmos olhar para dentro numa perspetiva de curiosidade e de não julgamento, para que possamos dar nome ao que estamos a sentir, lembrando que muitas emoções e comportamentos sinalizam-nos, precisamente, necessidades que estão em falta.
Por exemplo: ao acordar cultivarmos a capacidade de nos cumprimentarmos e notarmos como estamos, o que estamos a precisar naquele momento como: será que precisamos de um pequeno-almoço mais leve ou mais reforçado? será que precisamos movimentar o corpo através de exercício ou uma prática de meditação? será que precisamos mais de conversar com alguém ou de nos silenciarmos?

De que forma e quando surgiu o seu interesse particular sobre este tema?
Este é um tema que ressoa em mim há muito tempo, no entanto, senti que era ainda sobretudo um conceito bonito que ficava na gaveta para muitas pessoas. Uma grande fatia das pessoas continua a viver num registo de piloto automático, em modo fazer, sem tempo para ser e sentir. Os dados apontam para um aumento do número de casos de burnout, ansiedade e depressão, o que significa que o autocuidado embora não seja um conceito novo, é ainda um conceito pouco vigente na nossa educação e, que por isso mesmo, precisa ser abordado, clarificado e implementado no dia-a-dia, de forma útil e prática, como fonte regeneradora de bem-estar e saúde global.

Em que vertentes podemos repartir o autocuidado?
O autocuidado agrega várias dimensões, destaco a dimensão física (exemplo: movimentar o corpo, dormir a sesta, descansar, nutrir o corpo com um regime alimentar saudável); psicológica (exemplo: fazer psicoterapia, meditar, recorrer a biblioterapia, fazer retiros/cursos/workshops de desenvolvimento pessoal); emocional (identificar as emoções e o que estas sinalizam, aprender a fazer uma boa autoregulação, partilhar as nossas emoções com um amigo mais próximo, potenciar relações saudáveis).

Como surgiu a ideia de fazer este livro?
Surgiu no sentido de criar uma ferramenta prática, dinâmica e interativa que nos ajude a aumentar a nossa capacidade de auto-observação. E, assim, podermos identificar de forma mais fácil e orgânica que necessidades estão em falta e como podemos dar-lhes resposta, de forma a abastecermos os nossos níveis de autocuidado, tornando a sua prática num hábito diário para uma vida mais consciente, leve e saudável.

Qual o seu objetivo ou objetivos?
O objetivo é precisamente que este Alfabeto do Autocuidado funcione como um guia de práticas que nos permita tirar o conceito da gaveta e trazê-lo para o dia-a-dia, servindo como uma alavanca para ações concretas que nos impulsionam a desenvolver e manter novos hábitos mais saudáveis em prol de mais saúde e bem-estar global.

De que forma devemos recorrer a este guia?
A Alfabeto do Autocuidado é composto por várias cartas, cada uma delas tem uma letra associada a uma palavra relacionada com o tema, nas quais podemos encontrar diversas sugestões e exercícios práticos para aplicar no dia-a-dia. O convite é familiarizarmo-nos com cada carta para que estejamos conscientes das várias dimensões que o autocuidado agrega, bem como das várias práticas que podemos alavancar nas nossas vidas. Deixo-lhe o convite para tirar ao longo da sua semana, aleatoriamente, uma ou duas cartas e que o conteúdo da(s) mesma(s)sirva como bússola para o seu mesmo dia e/ou para a sua semana.

Servirá ele apenas para nós ou para nos ajudar a ajudar os outros, os que nos rodeiam?
Estas 26 sugestões contribuem para um maior bem-estar pessoal, e por consequência também dos que nos rodeiam. É importante desconstruirmos o mito de que o autocuidado é um ato de egoísmo, o autocuidado é amor-próprio. Ao cuidarmos de nós vamos ter, de forma natural, mais disponibilidade para os outros e para estabelecer uma relação com o mundo mais autêntica.

Na sua opinião qual o cuidado mais importante que serve de base ao nosso bem-estar?
Diria que a base para o nosso bem-estar é investirmos no nosso autoconhecimento, o qual nos permite, entre muitos outros aspetos, identificar as nossas forças de carácter e as nossas vulnerabilidades, libertar crenças disfuncionais que podem limitar-nos no dia-a-dia, atualizar os nossos mecanismos de defesa, ampliar a nossa capacidade de auto-observação e cultivar uma relação mais empática e gentil connosco próprios, para uma vida mais leve e consciente.

Pandemia e agora a guerra…estaremos nós preparados para tantos embates e contratempos?
A pandemia veio por a nu muitas lacunas, foi difícil separar espaços, tarefas e funções, fomos expostos, diariamente, durante um longo período a muitos gatilhos de perigo à nossa volta… o ser humano precisa de segurança, e tem necessidade de alguma previsibilidade e controlo, e este desafio à escala global foi um convite a trabalharmos tudo isso em nós. Quando estávamos a vir à tona para respirar fundo instalou-se a guerra. Diria que é fundamental apostarmos no autoconhecimento, aprendermos a potenciar os nossos recursos internos como aceitação, resiliência e flexibilidade. Lembrando que nós não somos o que nos acontece, mas a relação que estabelecemos com isso. Os momentos de crise, com todos os desafios inerentes, podem ser, em simultâneo, um momento de oportunidade para nos reinventarmos.

Qual o papel da alimentação no autocuidado?
Um regime alimentar saudável é crucial para o autocuidado, na medida em que impacta diretamente na nossa saúde física e psicológica. Aquilo que comemos tem impacto na forma como nos sentimos e naquilo que pensamos, e o nosso diálogo interno impacta também, de forma significativa, nas nossas
escolhas alimentares.

Foi importante a parceria com a Vitacress?
Os meus valores enquanto pessoa e profissional estão alinhados com os valores da Vitacress. Valorizo muito a importância que a Vitacress atribui ao bem-estar e à saúde global, como tal esta parceria veio de um lugar de verdade e sentido. Tem sido um enorme prazer abraçar este projeto com conjunto e sentir que, juntos, estamos a criar um impacto útil e construtivo na nossa sociedade.

Que conselhos deixaria aos nossos leitores para uma vida mais saudável?
Destaco algumas sugestões que podem contribuir para uma vida mais leve e saudável: fazer uma lista das atividades que o façam sentir bem e feliz; calibrar a lente de curiosidade e entusiasmo em relação a si próprio e à vida; auto responsabilizar-se pelas suas emoções, comportamentos e escolhas; treinar o músculo da atenção para estar verdadeiramente no presente; cultivar relações interpessoais construtivas; meditar; privilegiar um regime alimentar saudável; equilibrar a vida pessoa e profissional e colocar o corpo em movimento.

Bem-estar físico e bem-estar mental – de que forma ser relacionam estes dois aspetos?
Não há saúde física sem saúde mental e vice-versa. O bem-estar físico e mental são indissociáveis, na medida em que somos um Ser com um corpo (o qual é composto por várias dimensões, como a componente física, mental e emocional). Ao apostarmos no nosso bem-estar mental isso vai impactar na
forma como nos sentimos fisicamente, e ao cuidarmos do nosso bem-estar físico isso determina também na forma como nos sentimos, podendo contribuir, por exemplo, para mais autoconfiança.

Como chegou às 26 sugestões que podemos encontrar no guia?
A inspiração para as 26 sugestões surgiu da observação que faço do mundo que me rodeia e, em simultâneo, da minha prática como Psicóloga Clínica, pois diariamente sentam-se muitas pessoas à minha frente na consulta. As ferramentas que aplico, através das terapias de terceira geração, as quais
estão aliçercadas no Mindfulness, na Aceitação e na Autocompaixão foram, igualmente, um valioso contributo para os vários temas e exercícios sugeridos.

Helena Paixão – Psicóloga Clínica
www.helenapaixao.com / geral@helenapaixao.com
Helenapaixao.psicologa (Instagram) / Helena Paixão – Psicóloga (Facebook)

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