True Detective by Jon Marx

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A participação de actores da área do cinema em produções televisivas não é uma novidade. Aliás, é uma tendência que se tem acentuado nos últimos anos, deve-se à nova era dourada das séries televisivas que se iniciou com a grande aposta da HBO na ficção e que parece não ter fim à vista.
Ao contrário do cinema norte-americano que, nas últimas décadas, tem produzido quantidades apocalíticas de estrume em formato digital, na televisão sucedem-se as produções de enorme qualidade, suportadas por argumentos sólidos e por um grupo de actores de primeira linha. A televisão há muito que não é vista pelo povo dos decotes e fatiotas janotas da noite dos óscares como um palco menor, destinado a subprodutos de consumo caseiro.

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Se, em alguns casos, como os de Alec Baldwin em ’30 Rock’, Kiefer Sutherland em ‘24’ ou Martin Sheen em ‘The West Wing’, assistimos à tentativa, bem-sucedida, de salvar uma carreira que não passava da cepa torta no formato largo, nos últimos anos temos assistido à passagem de nomes seguros, não necessariamente de primeira linha, para os produtos destinados ao pequeno ecrã. Foram os casos de Steve Buscemi em ‘Boardwalk Empire’, Kevin Bacon em ‘The Following’ e David Duchovny em ‘Californication’. Apesar de, no caso de Duchovny, se tratar de um regresso à base depois de vários anos no papel do agente Fox Mulder em ‘X-Files’.
No caso de ‘True Detective’, a principal novidade está em que um dos actores principais, Matthew McConaughey, acabou de ganhar o óscar para melhor actor pela sua participação no filme ‘Dallas Buyers Club’, de Jean-Marc Vallée. Já estávamos habituados a ouvir declarações de actores, após a recepção de um prémio relevante, afirmream que agora vão-se dedicar ao teatro, à Broadway ou a Shakespeare. Mas passar de actor oscarizado para a televisão, sem passar pela casa partida e sem receber 2 contos de réis, é que não é habitual.

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‘True Detective’ conta ainda nas suas fileiras com Woody Harrelson, outro mocinho a quem a vida corre bem, ocupado que está a encher a conta bancária à conta da sua participação no blockbuster ‘The Hunger Games’.
Com gente deste calibre, era de esperar uma produção televisiva de grande pompa e circunstância, com muito foguetório, chicha à mostra e latas amolgadas. Nada mais errado. ‘True Detective’ decorre num cenário discreto e pacato do interior da Louisiana, onde vive uma gente temente a Deus, onde o tempo parece correr mais devagar e a consanguinidade é um valor a preservar. A narrativa descreve um processo interno de investigação à actuação de um par de detectives num caso de assassinato ocorrido cerca de vinte anos atrás. Enquanto os interrogatórios aos dois detectives se sucedem, vamos assistindo em modo flashback ao que de facto ocorreu no passado. A primeira temporada de ‘True Detective’, da autoria de Nic Pizzolatto, é constituída por 8 episódios que compõem um arco de história fechado. As próximas temporadas terão um elenco completamente diferente e os enredos não terão pontos de contacto entre si.

A banda sonora de ‘True Detective’ é de excelente qualidade. O genérico da série é introduzido ao som da canção ‘Far From Any Road’, um velho tema do LP ‘Singing Bones’, editado em 2003 pelos excelentes The Hansome Family, um casalinho que tem feito uma discreta carreira a compor e cantar baladas de faca e alguidar, capazes de fazer corar Nick Cave e as suas ‘Murder Ballads’. Também Cave passa por ‘True Detective’, com o tema ‘Honey Bee’ de Grinderman, bem como John Lee Hooker, Steve Earle, Primus, Melvins, Lucinda Williams e muitos outros.
Infelizmente, ‘True Detective’ passa em Portugal no canal TV Séries, o que significa que é necessário desembolsar alguns euros para ter acesso a esta magnífica série da HBO.

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Texto: Jon Marx

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