Super Bock Super Rock 2013 Dia I

Kalú > Anarchicks

Meco, sol e rock and roll é o slogan do Super Bock Super Rock desde que há quatro anos se mudou de malas e bagagens para o lado de lá do rio, slogan que este ano fez muito mas mesmo muito sentido já que rock foi coisa que por ali não faltou no decurso dos três dias do evento.

Tal como aconteceu no ano passado, as honras de abertura do festival foram entregues a uma banda portuguesa, neste caso às Anarchicks. Para quem não conhece esta poderosa banda feminina nacional deixamos o link para a conversa que mantivemos com elas em https://lookmag.pt/blog/a-conversa-com-as-anarchicks/. Quem pensasse que não era banda para aquele palco ou para abrir ume evento desta grandeza, as miúdas deram uma belíssima palmada de luva branca. pois foram verdadeiramente fabulosas lançando as suas garras musicais sobre um público que à aquela hora já por ali se amontoava com a clara intenção de marcar lugar para ver os Arctic Monkeys. «Really?!» editado este ano serviu de base ao alinhamento onde pontuaram também canções mais antigas que arrancaram para o ar do Meco as primeiras poeiras deste palco.

Antes das Anarchicks no Palco EDP já a poeira tinha sido levantada por Kalú. Sim, esse mesmo, o baterista dos Xutos e Pontapés que deu um concertão! Com um à vontade tremendo liderou a banda que o acompanha com a mesma garra com que pega nas baquetas! O público, em quantidade bastante simpática, aplaudiu e sorriu numa evidente declaração de agrado.

Owen Pallett > Mazgani

Owen Pallet chegou com o seu violino para dar música no Palco EDP. A uns encantou a outros nem por isso. A verdade é que as melodias que nos deu a ouvir são donas de uma beleza por vezes apenas comparável às criações do nosso tão querido Andrew Bird.

Não nos surpreendeu, antes nos deu a certeza de ter sido um dos grandes concertos do primeiro dia do Super Bock Super Rock. falamos de Mazgani que à semelhança do que aconteceu faz uns anos no Teatro Aberto deu um espectáculo arrebatador que deixou muitos de boca aberta! «Distant Gardens» introduziu o público do Meco no mais recente trabalho de Mazgani «Common Ground» (https://lookmag.pt/blog/mazgani-estreia-distant-gardens/), que apresentado ao vivo adquire renovada força. Mazgani gosta de estar em palco e isso transparece para cada uma das pessoas que no púbico não consegue dele despregar os olhos. Por vezes magnético, outras provocador, o músico luso-iraniano sabe como poucos levar a sua voz até ao mais profundo de cada um de nós! Cinco estrelas!

Azealia Banks > Efterklang

Foi uma sereia negra que por volta das 21h50 entrou no Palco Super Rock! longos cabelos negros e vestida (?) de cabedal Azealia Banks chegou para nos levar a todos até ao seu universo musical. Alguns esperavam mais de um concerto que para nós se revelou morno, apesar da sensualidade evidente da cantora que em palco não se fez rogada e não parou um segundo!

Num registo diametralmente oposto à batida de Azealia Banks, no palco EDP era a vez dos Efterklang levarem a sua música até ao público do Meco. Formados no ano 2002, os dinamarqueses cujo nome significa em português reverberação e com os quais já nos tínhamos cruzado num outro festival (https://lookmag.pt/blog/vodafone-mexefest-2012-dia-ii/) tomaram o palco de assalto para o encherem com o seu chamemos-lhe rock alternativo e qb de experimental. Pelas reacções do público pareceu-nos que foi uma aposta ganha.

Nos anos 80 eramos adolescentes (hoje somos jovens adultos, obviamente!) pelo que se há banda que nos acompanhou nesses anos duros e difíceis foram The Smiths. O ano passado Morrissey, o vocalista, cancelou a sua vinda a Portugal o que nos deu um valente desgosto. Este ano foi Johnny Marr, guitarrista e, junto com Morrissey, um dos fundadores da banda, que agendou concerto para o Meco. Graças aos deuses não falhou e deu um show daqueles! Entre músicas do seu último registo de originais a solo, «Messenger», muitas das canções que naqueles anos e nos seguintes nos embalaram as noites, fossem elas passadas em casa em profunda tristeza por adolescentes amores perdidos ou pelas ruas de um Bairro Alto de boa memória e muitas partilhas!

Johnny Marr

«Stop Me If You Think You’ve Heard This One Before» seguida de um agradecimento em bom português «Obrigado!», e de um «olá Portugal, é muito bom ver-vos a todos!» deixou-nos rendidos. Oh Johnny quem tem de agradecer somos nós, apeteceu-nos gritar assim que pela Herdade do Cabeço de Flauta ecoam os primeiros acordes de «Bigmouth Strikes Again»! Ouviu-se e dançou-se uma versão para «I Fought The Law» dos Clash e «Getting Away With It» música do projecto Electronic, formado por Marr e Bernard Sumner, vocalista dos New Order. Muito simpático, Johnny Marr dedicou «There’s a Light That Never Goes Out», dos Smiths «a todos os que estão no relvado e aos que estão no backstage e a mais ninguém», e nós ficámos tão felizes!

Toy > Artic Monkeys

Eram uma das bandas que mais curiosidade tínhamos para ver ao vivo e confirmaram tudo o que deles esperávamos. Dão pelo nome de Toy, facto que pelas redes sociais deu origem a imensos trocadilhos, mas para este grupo vindo de Londres a música não é nenhum brinquedo. No seu cartão de identificação têm o ano de 2010 como a data do seu nascimento, facto que sendo tão recente atribui ainda maior respeito ao trabalho desenvolvido pela banda. O concerto começou com 20 minutos de atraso o que aconteceu, explicou Nuno Calado antes da banda subir ao palco, devido a problemas com a bagagem na chegada ao aeroporto. Apesar de terem perdido público para os cabeças de cartaz da noite, a verdade é que deram um excelente concerto como que a provar que são, efectivamente, uma das grandes revelações do ano.

Recinto cheio, corações quase a pular do peito. Era a hora deles subirem ao Palco Super Rock. Com esta seria a nossa terceira noite na sua companhia, mas a verdade é que nunca é demais o tempo que se passa com Alex Turner e companheiros, vulgo Arctic Monkeys. O concerto arranca com «Do I Wanna Know”, single do álbum que deve chegar aos escaparates lá para o mês de Setembro, mas que serve perfeitamente como um (bom) aperitivo para o que aí vem!

Depois, bom depois foi um desfiar de grandes músicas transformadas em êxitos com o passar dos anos. «Brianstorm», «Dancing Shoes», «Crying Lightning» ou «I Bet You Look Good On The Dance Floor” colocaram o público em delírio, estado permanente que só teve o seu terminus com o respectivo final do concerto. Charmoso e muito rock star, Alex Turner atira lá de cima um «vocês são um público magnífico», o que provocou ainda maior frenesim por entre as hordas de fãs da banda britânica. À pergunta feita canção nova «Are U mine?» não foram precisas palavras para perceber que sim! O público que esteve no Meco confirma, somos todos dos Arctic Monkeys!

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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