À conversa com as Anarchicks

São quatro miúdas cheias de garra e muita pinta. Fazem um rock “apunkalhado” que nos enche as medidas. É bom ouvi-las, tal como é bom vê-las atuar. Sangue que se quer novo numa música portuguesa a precisar de muito “moche”! Estivemos à conversa com as Anarchicks e ficámos rendidos.

Quem são as Anarchicks?
As Anarchicks são Priscila Devesa na voz, Ana Moreira na guitarra, Synthetique no baixo e Katari na bateria.

Mudaram de nome…em que se inspiraram para o fazer e o que pretendem transmitir com cada um dos vossos alter-egos?
Os alter egos são mais uma libertação de tudo o que não é essencial para nós enquanto músicas. A Pris usa “Playgirl” que vem de uma música de Ladytron de que gosta; a Lena usa “Synthetique” porque começou sobretudo a tocar sintetizadores e só depois passou para o baixo. JD vem de Jane Doe (novamente pegar na questão de tudo o que não é essencial) e Katari vem da contração entre duas palavras, logo é um neologismo: Kat de catarina e Atari da máquina.

Quando é que começou esta aventura musical?
Começou em novembro de 2011.

Antes de se juntarem já todas tinham mostrado “queda” para a música?
Sim, sempre demonstrámos ter muitas quedas, (e sérias, com direito a fraturas, luxações, entorses, etc…), mas principalmente para a música. Mas sim, já todas tocávamos e tivemos projetos prévios.

Não são muito vulgares em Portugal as bandas rock femininas. Foram bem aceites desde o princípio ou notaram alguns olhares menos simpáticos ao longo do vosso percurso?
Tem havido de tudo, na generalidade temos sido bem aceites mas há sempre aquelas opiniões que nos parecem ser já pré-concebidas e características de uma sociedade patriarcal. Geralmente as pessoas quando vão aos concertos gostam bastante.

Quais as vossas maiores influências musicais?
São muito variadas. A nossa música é o culminar de todas as nossas vivências musicais ao longo dos anos, e é por isso que achamos que a nossa sonoridade tem algo de fresco.

Dito isso, como descrevem a vossa música?
Como uma estalada de rock!

Lançaram o primeiro EP sozinhas, como é que tudo se processou?
Na altura (em Janeiro de 2012) surgiu a necessidade de ter algum registo do nosso som, para que pudesse servir como o nosso cartão-de-visita quando tentássemos agendar concertos. Como já conhecíamos o Makoto, assim como o seu excelente trabalho, fizemos-lhe a proposta de gravar um EP em tempo “flash”. Correu muito bem, ficámos muito satisfeitas com o resultado. Depois, através da Sound101, uma editora digital, lançámos as quatro músicas pelo mundo cibernético.

Depois veio a Chifre…foram eles que vos descobriram ou vocês deram-se a conhecer?
O ano de 2012 foi para nós um ano de crescimento, durante o qual tocámos bastante, especialmente em Lisboa. Talvez por esse facto, a Chifre encontrou-nos, e nós ficamos bastante impressionadas por eles saberem que nós existíamos, e ainda mais com o seu “modus operandi”. É mais do que uma editora, é uma família de pessoas que dão o litro pela música e que gostam mesmo de música. E nós partilhamos desse gosto!

Com eles lançaram “Really?!”, o vosso primeiro longa duração. Contem-nos a história por detrás deste disco.
Todas as músicas surgiram de modo muito orgânico e espontâneo, sendo que achámos que estava na altura de ter um registo físico do nosso trabalho. Como tal, voltámos ao estúdio Blacksheep, onde já tínhamos estado, e juntamente com o Makoto pegámos nessas músicas e construímos o “Really?!”. Na parte de mistura e masterização, tivemos a grande ajuda do Pedro Chamorra.

Em que se inspiram para compor e escrever?
Inspiramo-nos nas nossas vivências ao longo das nossas vidas. Em tudo e em nada e na cena do momento, e pronto!

Tiveram casa cheia no lançamento de “Really?!”. Estavam à espera deste sucesso tremendo?

Não, mas foi uma ótima surpresa. Na verdade, esgotar a sala no primeiro concerto de apresentação foi uma bela prenda.

São “viciadas” na adrenalina do atuar ao vivo?
Completamente! Se pudéssemos era uma droga de uso diário.

O que sentem quando estão em cima do palco?
É uma emoção e energia muito forte, é uma experiência mesmo brutal. Quando tocamos a nossa música e as pessoas participam, consegue-se uma ligação forte entre a banda e o público! É uma explosão de energia!

Ao ouvir o vosso disco a vontade de dançar surge naturalmente, são apreciadoras de discotecas ou mais recatadas?
Há espaço para tudo! E também somos quatro pessoas diferentes no que toca a essas andanças. Se perguntarem à Katari ela nunca está cansada demais para sair à noite!

Se pudessem viviam apenas da música?
Sim, o mais possível!

Qual a vossa opinião sobre o universo musical nacional atual? Agrada-vos?
Sim. Houve uma altura em que havia um grande vazio de bandas portuguesas, agora tem havido um grande “boom” de novas bandas, tendo começado a surgir um pequeno movimento mais alternativo em termos de música.
Achamos que deviam existir mais espaços de tamanho médio onde essas bandas todas pudessem mostrar o seu trabalho…

Onde e quando podem os nossos leitores ver as Anarchicks?
Neste momento estamos a apresentar o “Really?!” numa pequena tour pelas FNAC, e tivemos recentemente uma confirmação que nos deixou doidas de emoção, que é o facto de irmos tocar no Super Bock Super Rock 2013!

Mais sobre as Anarchicks em https://lookmag.pt/blog/anarchicks-lancam-really/.

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