À Conversa com Rita Carvalho autora de “Imagem Profissional – Guia de Estilo”

Consultora de Comunicação e Imagem, Rita Carvalho lança agora o livro “Imagem Profissional – Guia de Estilo”, um guia prático que aborda a importância da imagem nos vários contextos empresariais. Conjunto de orientações e de recomendações úteis e simples de aplicar no quotidiano, como explicou em entrevista a autora.

Como surgiu a ideia de fazer este livro?
A maior parte das pessoas tem necessidade de ter um guarda-roupa adaptado à sua vida profissional, pois passa mais tempo no local de trabalho, do que com a família e os amigos. Por isso, esta é uma das dúvidas mais frequentes nas consultas de imagem, o que usar (ou não) no ambiente de trabalho, bem como valorizar a imagem, tendo em conta o estilo de vida, caraterísticas físicas e cargo ocupado na empresa.
Além disso, quando comecei a escrever artigos sobre imagem profissional para alguns meios online, constatei que não existia muita informação sobre este assunto. Muitas pessoas acabavam por entrar em contacto comigo, através do meu blog In Styleland para esclarecer as suas dúvidas, desde como se vestir para uma entrevista de emprego ou o que deveriam usar numa ocasião especial. Este Guia de Estilo de Imagem Profissional procura responder às dúvidas e perguntas mais frequentes e apresenta dicas práticas para o dia-a-dia, independentemente da área profissional.

Quais as regras principais para se ter uma boa imagem profissional?
Muitas vezes associamos a imagem apenas à aparência, mas existem outros fatores que contribuem para a forma como somos percecionados pelos outros. Se pensar em si como uma marca pessoal, então deve ter em conta aspetos como a higiene pessoal, que inclui o hálito, o odor e o aspeto limpo; a aparência, que deve ter em conta o contexto e a ocasião, o estilo de vida e as caraterísticas físicas; os seus valores, que se refletem no comportamento; a postura física, relacionada com a linguagem não-verbal (como se comporta); e finalmente, a comunicação, o tom e a forma como se expressa, bem como a capacidade de argumentar e de influenciar os outros que é fundamental em cargos de liderança. Estes atributos aliados às competências e à experiência profissional são determinantes para transmitir confiança e uma impressão positiva.

Até que ponto ter uma boa imagem é importante para se valorizar profissionalmente?
Julgo que muitos consideram a imagem como algo fútil e não entendem a sua relevância. Ou então, confundem imagem com beleza, associando-a a padrões estéticos. É importante compreender que os outros formam até 90% da sua opinião, ao fim dos primeiros quatro minutos, e que 60 a 80% do impacto que causa é de natureza não-verbal. Ou seja, se formamos uma opinião a respeito de alguém baseados em 55% no aspeto visual (roupa, acessórios, rosto, cabelos e mãos), 38% na maneira como a pessoa fala (tom de voz, gestos, postura e expressões faciais) e apenas 7% no conteúdo do que é dito, é fundamental causar uma boa impressão.
Por isso, a maior parte das figuras públicas, apresentadores de televisão e políticos têm assessores de imagem, pois reconhecem que a imagem é importante para a sua carreira. E, tal como menciono no livro, não se esqueça de que as pessoas não deviam julgá-lo pela sua aparência, mas é o que fazem. Sempre.

E a imagem varia de acordo com a profissão e a categoria profissional de cada um?
Sim, claro. Mas também está relacionada com o seu estilo de vida, caraterísticas físicas e contexto profissional. Quem trabalha em ambientes mais formais, como é o caso de escritórios de advocacia, consultoras financeiras ou instituições bancárias, está mais limitado nas suas escolhas, pois é valorizado um estilo mais discreto e sóbrio. Aliás, os colaboradores que estão em contacto com os clientes representam a empresa, pelo que devem estar alinhados com os valores e a cultura da organização. Por outro lado, se trabalhar numa área mais criativa e artística, como é o caso da moda, design, música ou artes, tem uma maior liberdade pessoal, sendo apreciado um estilo mais ousado, inovador e original.

Qual o erro mais comum quando se fala em imagem profissional?
Acima de tudo é não ter em conta o contexto, o ambiente profissional e as suas caraterísticas físicas, de modo a não destacar-se de forma negativa. É importante respeitar o dress code da empresa e conhecer quais são as suas restrições e recomendações. No caso das mulheres é preciso, ainda, ter atenção para não colocar demasiado em evidência determinadas partes do corpo, como é o caso de grandes decotes, transparências, minissaias ou calças de cintura baixa, em que quando se senta deixam a roupa interior à vista. Em relação aos homens, é importante que as peças tenham um tamanho adequado ao seu corpo, estejam limpas e devidamente engomadas, para não passar uma imagem desleixada.

Até que ponto as redes sociais vieram dar um enfoque maior a este tema?
No caso das redes sociais é interessante observar de que forma a imagem que transmite tem implicações na sua vida profissional. Hoje em dia, a maior parte dos recrutadores pesquisa as redes sociais dos candidatos, antes de uma entrevista de emprego ou contratação, de modo a avaliar o seu comportamento, valores e interesses.
Além disso, na maioria das vezes, os colaboradores partilham conteúdos nas redes sociais com as chefias e os colegas, pelo que é fundamental ter cuidado com o tipo de comentários e fotos publicadas. Desabafos sobre clientes ou processos internos, fugas de informação e fotos comprometedoras podem custar-lhe o emprego. O que é da esfera privada deve manter-se como tal. Referências a drogas ou álcool, erros ortográficos e linguagem ofensiva são os pontos negativos, que maior impacto têm a nível profissional.

No nosso caso, jornalista, qual a principal dica que devemos ter em conta quanto à nossa imagem profissional?
Os jornalistas são convidados diariamente para apresentações, eventos de empresas e viagens, bem como entrevistas com os principais responsáveis corporativos, pelo que passam grande parte do seu tempo em deslocações e eventos, dos mais informais até aos mais protocolares. O importante é a adequação ao meio e ao contexto. Ou seja, os jornalistas que trabalham em televisão têm necessidades de imagem diferentes, do que os que colaboram na imprensa ou na rádio, que não têm de dar a cara ao público. Os padrões, os brilhos e as cores assumem um maior impacto visual em televisão, pelo que existem regras de imagem a considerar. Além disso, o tipo de contactos difere muito em função da área editorial, pois os jornalistas de economia têm solicitações distintas dos que trabalham na área de lifestyle ou de moda.
Apesar da informalidade ser o estilo dominante no jornalismo, o ideal será adotar um estilo semi-formal, que alie o conforto a uma imagem cuidada e recorrer a peças e a acessórios que possa mudar de forma rápida, sempre que necessário. Por exemplo, vestir um blazer, trocar de sapatos ou usar uma camisa e gravata quando vai a uma entrevista ou evento formal. Opte também por materiais com alguma elasticidade, que são mais confortáveis, adaptam-se ao corpo e não vincam tanto. Os sapatos rasos também podem ser mais práticos, se tiver de percorrer grandes distâncias ou passar muitas horas de pé, pelo que pode optar por modelos elegantes de pele (natural ou sintética). E vestir-se por camadas pode ser uma boa solução para quando tem vários compromissos ao longo do dia. Antes de realizar uma entrevista, ir a um evento ou participar numa atividade, certifique-se do dress code mais apropriado para cada ocasião.

Por: Sandra Pinto

imagem-profissional_guia-de-estilo_lookmag

“Imagem Profissional – Guia de Estilo”
Rita Carvalho
Casa das Letras

You May Also Like

À conversa com Leonor Dias, directora de Marca e Comunicação da Vodafone

Afinal o que é a meditação? Por Maria João Viana

Luís Severo lança “O Sol Voltou”. O pretexto certo para dois dedos de conversa

Imprensa Nacional apresenta monografia inédita de artista Fernando Lemos

error: Conteúdo protegido. Partilhe e divulgue o link com o crédito @lookmag.pt