Artigo de opinião: Olhar o passado para desenhar o futuro, Alberto Ferre-Gonzalez

O design histórico e a própria história sempre tiveram uma influência significativa no design de interiores. Desde o Art Deco à era moderna passando pelo Disco, padrões, esquemas de cores e designs de interiores completos são muitas vezes inspirados em épocas passadas.

No entanto, para os designers de interiores, as restrições impostas pelo orçamento, as funções e outras considerações práticas são tão importantes quanto a criatividade em si. Papéis de parede Vitorianos com cores brilhantes, mas que contêm arsénio, obviamente não são seguros para preservação e antiguidades preciosas não podem ser quebradas e reaproveitadas para utilizar em espaços modernos.

Reproduzir a história
Tal como noutras indústrias criativas, mesmo havendo fatores funcionais e fatores práticos a considerar, a mesma forma de pensar é aplicada a interiores modernos, impressos digitalmente, transformando ‘o velho em novo’ e recriando designs históricos.
Por exemplo, no final de 2018, a House of Hackney, uma marca de interiores, moda e lifestyle influenciada pelo património, lançou uma coleção de papéis de parede, tecidos e acessórios para casa em colaboração com a Zuber, uma histórica marca francesa de papéis de parede, que remonta a 1797. Uma vez com acesso ao extenso arquivo da Zuber, a House of Hackney utilizou tecnologia de impressão digital para repensar cinco dos designs intemporais para interiores contemporâneos.

Nos últimos anos, também muitas marcas de design analisaram os seus arquivos para produzir coleções vintage. Em 2018, por exemplo, a Morris & Co lançou uma coleção de tecidos, papéis de parede e padrões inspirados pelos diários da expedição à Islândia de William Morris , designer do movimento vitoriano das Artes & Ofícios.

Recuperar designs ‘perdidos’ com a impressão digital
No entanto, nem todos os belos designs históricos foram preservados cuidadosamente num arquivo; muitos só existem, agora, nos espaços interiores onde foram instalados. Felizmente, as soluções de imagens digitais e reproduções existem, hoje em dia, para trazer estes designs à vida.
Quando Jorunn Tharaldsen, fotógrafa de interiores e especialista em tendências, e Maria Horgen, arquiteta de interiores, se apaixonaram por um papel de parede datado de inícios do século XX no Vest-Agder-Museum Gimle Gård, uma casa senhorial do início do século XIX, na Noruega, Tharaldsen queria utilizar o mesmo papel de parede na sua casa. Uma ampla investigação provou que o papel de parede não estava, sequer, disponível em arquivo nos dias de hoje, por isso a fotógrafa contactou a Canon para a ajudar a reproduzi-lo.

Utilizando a sua experiência em fotografia, Tharaldsen conseguiu iluminar e captar imagens do papel de parede com distorção mínima e utilizou o Adobe Photoshop para o restaurar, uma vez que estava danificado pelo sol e pela água. Com o suporte das competências técnicas da Canon, desde a captação da imagem até ao resultado final impresso, ela conseguiu mudar as cores no papel de parede original para o recriar numa maior variedade de cores.

Em última análise, depois de ver como o design podia ser reproduzido utilizando impressão digital de grande formato, Tharaldsen e Horgen decidiram tornar o projeto num negócio, reproduzindo designs históricos em papéis de parede, azulejos, tampos de mesa e até armários, e lançaram a coleção em janeiro de 2018, na sua marca de design de interiores, ‘Dusty’.

Criatividade revigorante
Há infinitas possibilidades para criar novas aplicações de decoração com designs históricos, ou utilizar tecnologia para completar ou até recriar esquemas de design histórico com novos elementos.

Nas mãos certas, a impressão digital tem o potencial de eliminar algumas das restrições à criatividade que os designers de interiores já enfrentaram. Também oferece uma alternativa económica para a produção de interiores modernos inspirados em designs históricos.

Mas infelizmente há um conhecimento limitado sobre as oportunidades que a impressão digital pode criar para as áreas da decoração e do design. Os olhos de Horgen só se abriram para o potencial da impressão digital através do projeto Dusty, e as suas conversas com colegas designers mostraram-lhe que a comunidade do design ainda está muito longe de compreender todas as possibilidades desta tecnologia para interiores.

Ela pensa que uma das principais razões para isto acontecer é que os mundos do design e da produção gráfica falam linguagens muito diferentes. Os fornecedores de serviços de impressão falam muitas vezes sobre caraterísticas tecnológicas, enquanto os designers de interiores estão naturalmente focados no resultado criativo. Horgen diz que os dois mundos precisam de encontrar forma de comunicar mais um com o outro, por exemplo em eventos do setor, de forma a desbloquear o verdadeiro potencial da impressão digital para interiores.

A maioria dos designers sabe da possibilidade de produzir revestimentos de parede ou têxteis personalizados utilizando tecnologia digital. No entanto, poucos sabem que a impressão digital possibilita a impressão em superfícies variadas, desde chãos de madeira e azulejos de cerâmica até cortinas de chuveiro e mobília.

Viabilizar uma mudança na decoração
Pondo de parte o apelo criativo do “se consegues imaginá-lo, consegues imprimi-lo”, a tecnologia de impressão digital também tem o potencial de viabilizar mudanças fundamentais no setor do design de interiores.

A impressão digital possibilita a produção de volumes tão baixos quanto um único, através da impressão on demand, permitindo a personalização em massa e também em pequena escala. Este modelo on demand elimina o volume mínimo dos pedidos e a necessidade de armazenar inventário e possibilita a prototipagem.

Também diminui consideravelmente as barreiras à entrada, permitindo que os designers trabalhem diretamente com um fornecedor de serviços de impressão e levem, de imediato, a sua coleção para o mercado. Para os jovens designers, esta é a a diferença significativa, em termos comerciais, entre receber pedidos reais numa exposição de design ou ter que captar interesse e só depois procurar um fabricante.

E os benefícios não são apenas comerciais. De um ponto de vista estético, a impressão digital oferece uma maior liberdade de design criativo em relação aos processos de produção analógicos. No que respeita a papéis de parede, torna possível a criação de designs sem repetição, a reprodução precisa de padrões, sem perder detalhes intrincados, e a transição harmoniosa entre cores com gradações suaves.

A influente decoradora de interiores Sister Parish escreveu, uma vez, que “a inovação é muitas vezes a capacidade de chegar ao passado e trazer de volta o que é bom, o que é bonito, o que é duradouro ”. Trabalhando com um fornecedor de serviços de impressão experiente, para explorar as possibilidades da impressão digital, os designers podem não apenas alcançar esse objetivo, como também desvendar novos níveis de criatividade.

Artigo de opinião de Alberto Ferre-Gonzalez, Product Manager IPS Product Management & Specialists, Canon Espanha & Portugal

Notas:
1 -Lucinda Hawksley. 7 outubro 2016. Could this wallpaper kill you? Victorian Britain’s lethal obsession with the perfect shade of green.
https://www.telegraph.co.uk/books/what-to-read/could-this-wallpaper-kill-you-victorian-britains-lethal-obsessio/
2 -Lotte Brouwer. 28 setembro 2018. Livingetc. Collab alert: House of Hackney x Zuber.

Collab Alert: House of Hackney X Zuber


3 -Sleeper. 18 junho 2018. Style Library Contract presents North & Kindred.

Style Library Contract presents North & Kindred


4 -Elle Decor. 1 novembro 2010. Elle Decor’s quote of the week. https://www.elledecor.com/design-decorate/a2227/elle-decors-quote-of-the-week-a-60786/

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