Dando início às celebrações do centenário de nascimento de Carlos de Oliveira, é editada Alcateia, uma obra de uma força notável.

“Alcateia”, de Carlos de Oliveira

Dando início às celebrações do centenário de nascimento de Carlos de Oliveira, é editada Alcateia, uma obra de uma força notável que ficou prescrita do cânone do autor, por sua vontade. Depois de apreendida a primeira edição, em 1944, o texto que aqui se publica é o da segunda edição, dada à estampa logo no ano seguinte, em 1945.

Alcateia tem o seu próprio «fado», como frisa Osvaldo Manuel Silvestre no prefácio da nova edição. Nessas linhas se conta como a tentativa da reescrita desta história foi o último projeto literário de Carlos de Oliveira e que o autor, a pouquíssimos dias da sua morte, terá pedido à companheira de sempre que deitasse todos esses papéis ao lixo. Estamos, portanto, perante um livro que sobreviveu à máquina do tempo, «um romance poderoso, dotado de personagens fortes e peripécias arrebatadoras».

A aldeia de Corgos é palco de um equilíbrio de forças que permite um modo de vida tranquilo. Até ao dia em que a notícia da morte violenta de Lourenção, um alto proprietário rural, vem arrancar a paz às gentes da terra. Cedo se formam duas alcateias, onde a lógica «homem lobo do homem» leva uns e outros a disputar o controlo do povoado. De um lado, João Santeiro e a sua quadrilha pretendem tomá-la pela violência, do outro, o doutor Carmo e o seu círculo de influências, pela corrupção do poder.

Sobre o autor
Carlos de Oliveira nasceu em 1921, em Belém do Pará, filho de pais portugueses emigrados no Brasil. Tinha apenas dois anos quando a família regressou a Portugal. Na cidade que o acolheu, Coimbra, participou no grupo do Novo Cancioneiro, na génese do movimento Neorrealista, de que viria a ser uma das maiores vozes. Colaborou nas revistas Altitude e Seara Nova, e dirigiu durante algum tempo a revista Vértice. Começou a destacar-se com os seus livros de poesia – Mãe Pobre (1945), Micropaisagem (1968), Pastoral (1977), entre outros. O seu trabalho distingue-se pela constante depuração da escrita e pelo questionamento do gesto autoral, levando-o a corrigir e reescrever quase todos os seus trabalhos até ao final da vida: são disso exemplo os seus romances Casa na Duna (1943), Pequenos Burgueses (1948), Uma Abelha na Chuva (1953) ou Finisterra (1978). Faleceu em Lisboa a 1 de julho de 1981.

“Alcateia”
Carlos de Oliveira
Assírio & Alvim

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