À volta das letras com Cláudia Ganhão sobre “O Teu Minimalismo”

Estamos cada vez mais cansados do consumismo desenfreado e prestamos mais atenção a coisas que o dinheiro não compra. E por isso, o minimalismo é cada vez mais procurado. Esta tendência é muito mais do que um estilo de vida ou uma preferência estética. É uma ferramenta que pode ajudar aqueles que estiverem dispostos a livrar-se dos excessos a favor de se concentrarem no que é importante para encontrar a felicidade, a realização pessoal e, principalmente, a liberdade. E mesmo não existindo regras para ser minimalista, existem alguns caminhos que podem ser um excelente ponto de partida, e em “O Teu Minimalismo”, Cláudia Ganhão explica como cada um pode adaptar esta filosofia aos seus interesses e circunstâncias e mudar de vida.

O que é o minimalismo?
O minimalismo é uma filosofia de vida que nos diz que devemos focar-nos no que é importante e deixar ir o resto.
Podemos afirmar que é tendência, um estilo de vida ou uma preferência estética? Porquê? No meu ponto de vista é um estilo de vida, pois pode ser aplicado a qualquer área da nossa vida, inclusive à estética.

É a liberdade o objetivo final do minimalismo?
A liberdade também, mas acima de tudo uma vida com propósito, uma vida que é saboreada e vivida na sua plenitude.

O minimalismo versa apenas sobre o consumo?
Não, o minimalismo versa sobre todas as áreas da nossa vida: emoções, mente, objetos, casa, relações, alimentação, saúde, bem-estar, parentalidade, trabalho, vida digital, produtividade, etc.

Com a pandemia há uma maior vontade de deixar os excessos de lado ou vamos assistir precisamente ao contrário?
Espero, sinceramente, que um dos efeitos colaterais da pandemia seja o foco no que é realmente importante: a saúde, as pessoas, a segurança, etc. Deixar uma vida de ter e preferir o ser.

Quais são as regras que um minimalista deve seguir?
Não há quais regras para se ser minimalista, esta é uma das vantagens deste estilo de vida! Até costumo dizer que há 7 biliões de minimalismos espalhados pelo mundo, cada um pode criar o seu, com base nas suas preferências e enquadramento social, familiar, económico, etc.

Toda a gente pode mudar de vida ou há pessoas mais propensas à mudança?
Toda a gente pode mudar, mas claro que há pessoas mais propensas à mudança, com mais facilidade em desapegar, em deixar ir, em recomeçar e empreender numa nova forma de viver.

Quando descobriu a Cláudia o minimalismo?
Descobri há mais de 10 anos, mas só em 2018 o trouxe para a minha vida. Até então eu própria devido à vida em modo piloto automático, não tinha criado o espaço e mindset necessário para a mudança acontecer.

Como surgiu a ideia de escrever este livro?
Escrever faz parte do meu dia-a-dia há muitos anos anos e sempre sonhei em escrever um livro, não sabia exatamente sobre o quê, em finais 2019 surgiu o convite da editora Influencia (2020) e claro que aceitei de imediato!

É importante para si partilhar?
Claro que sim, partilhar é essencial para mim e faz parte do meu trabalho diário. Partilhar que viver de uma forma simples e focada no que é importante pode trazer-nos mais realização e felicidade

Afirma que este é um “movimento para um mundo mais presente”. De que forma?
Na medida em que o minimalismo nos ajuda a tomar decisões conscientes e alinhadas e a eliminar o modo de vida em piloto automático.

Que objetivos espera alcançar com este livro?
Que mais pessoas possam viver uma vida mais feliz, com mais propósito, com mais sabor e alinhadas com os seus valores, não com o que a sociedade nos impõe.

A Cláudia é hoje uma pessoa mais feliz devido ao minimalismo?
Sim, duplamente mais feliz, porque vivo uma vida mais alinhada e de acordo com o que acredito além de me ter permitido encontrar o meu trabalho de sonho: estudar e transmitir conhecimento a outras mulheres.

Que conselhos pode deixar a quem nos lê, mas que ainda está relutante em aderir?
Para além da leitura do meu livro (riso), que em caso de conflito experimentem ser felizes me vez de ter razão. Deixar ir o que não nos faz feliz o que não nos acrescenta valor é libertador!

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