Vodafone Paredes de Coura 2017 Dia III

Ao terceiro dia do Vodafone Paredes de Coura vivemos dois extremos: a surpresa boa e desilusão amarga. A primeira com os BadBadNotGood a segunda com Beach House.

Bruno Pernadas > Andy Shauf

Não chegámos a tempo do concerto dos Cave Story, pois fomos assistir à Vodafone Music Sessions com Moon Duo no centro da vila de Paredes de Coura. Mas chegámos a tempo de assistir a outro nome nacional, Bruno Pernadas, que abriu o programa das festas no Palco Vodafone. Quando lançou os mais recentes registos discográficos, “Worst Summer Ever” e “Those who throw objects at crocodiles will be asked to retrieve them”, trocámos algumas palavras com o músico que vos desafiamos a relembrar aqui . À semelhança da última vez que o vimos, o músico fez-se acompanhar de outros destacados elementos da música nacional, como Francisca Cortesão, dos Minta & The Book Trout, e Afonso Cabral, dos You Can’t Win, Charlie Brown. Cá em baixo, em frente ao palco, já era um número considerável de pessoas que se iam juntando para “ouver” o pop jazz deste “menino-prodígio” da música nacional. Entre eles o nosso jovem David, fã declarado de Pernadas e que não perdendo, sempre que pode, um concerto dele também não perdeu a ocasião de, no final da noite, tirar junto com o músico uma tão actual selfie.

Por entre o público, distintas reacções: alguns já sabiam ao que vinham e até trautearam algumas músicas, outros foram totalmente apanhados de surpresa o que no final até se revelou positivo, pois foram ficando na expectativa de descobrir um pouco mais sobre aquilo que estavam a viver. Pois é disso mesmo que se trata, de viver uma música que até podemos não estar habituados a ouvir, mas que, sobretudo ali, naquele espaço idílico, ganha ainda mais força e intensidade. São momentos assim que nos enriquecem e isso, além de ser bonito, vale ouro.

Quando subimos a ladeira era já o som melódico e cativante da música de Andy Shauf que enchia o ar. No Palco Vodafone FM o músico canadiano deu ao público que ali se ia chegando o merecido aconchego e frescura que uma quente tarde de verão minhoto pedia. As reacções ao alinhamento foram aparecendo num crescendo, sobretudo quando eram ouvidos os temas que integram o álbum lançado em 2016, “The Party”.

Young Fathers > Moon Duo (VMS) >Moon Duo

Depois da candura de Andy Shauf estaria o público pronto para a voracidade dos Young Fathers? Espante-se ou não (estamos em Coura lembremo-nos sempre disso) estava e de que maneira! Oriundo da Escócia, o trio trouxe ao recinto, a essa hora já cheio de pessoas, humanos que ali vinham com expectativas de assistir a bons concertos, uma “estalada” composta em cada dedo por diferentes estilos musicais. Sabem a palavra falada? Pois com os Young Fathers a palavra é gritada, entra nos nossos ouvidos de forma quase violenta. Alloysious Massaquoi, Kayus Bankole e ‘G’ Hastings deram tudo num concerto intenso. De tal forma assim foi que o primeiro depois de uma dança absolutamente furiosa teve de sair do palco para usar uma máscara de oxigénio! Regressa ainda com mais garra, como que a gritar «nada me vai parar» e o concerto prossegue sobre um alinhamento alucinante em que se passeia pelos registos discográficos “Dead”, de 2014, e “White Men Are Black Men Too”, de 2015.

A magia da banda californiana Moon Duo deixou todos de boca literalmente aberta. Erik Johnson e Sanae Yamada apresentaram no Palco Vodafone FM uma música cuja própria analogia assenta num interminável acumular de conexões analíticas, com samples e percussões milimétricas que chamam cada um de nós para a vivência de uma loucura ímpar, que ninguém pára. Pelo meio surgem na nossa mente imagens de Suicide e Spacemen 3. Desculpem, mas a emissão foi interrompida para recuperarmos o fôlego!

BadBadNotGood > Octa Push

Com o anfiteatro natural de Coura cheio e com o céu pintado de negro, era chegada a hora dos “miúdos” entrarem em palco. Acendem as luzes e o enorme Palco Vodafone enche-se de talento com a música inacreditável dos BadBadNotGood. Do lado de cá das grades, a primeira onda de aplausos o que não é de estranhar dado que esta era a estreia da banda canadiada em solo nacional. Mas quem são os BadBadNotGood? Jovens músicos de Toronto que formados numa escola de jazz dão um twist de tal forma único que mesmo apresentado um jazz de fusão a música que praticam vai muito além disso mesmo. Em cima do palco Chester Hansen, no baixo, Leland Whitty, no saxofone, Alexander Sowinsky, na bateria, e James Hill, em substituição do luso-descendente Matthew Tavares, no piano, deram um verdadeiro espectáculo de boa música, alegria e boa disposição.

Na verdade, esta não é uma normal banda de jazz, basta, por exemplo, lembrar que na capa do seu último registo discográfico os músicos aparecem quase nús cobertos apenas por toalhas! Ao nivel da inspiração, vão mais rapidamente buscá-la ao hip-hop do que aos clássicos o que se percebe quando, através do alinhamento da noite, vão percorrendo grande parte dos seus álbuns, com particular e natural enfoque no mais recente “IV” lançado em 2016. Atrás da bateria Alexander Sowinsky é quase o mestre de cerimónia, sorrindo, falando e apelando à atenção do público. Sem falsas pretensões ou manias, esta é uma banda absolutamente feliz (lembre-se a dança de Alexander Sowinsky e Leland Whitty ao som do piano e a corrida de Alexander rumo ao público com o intuito de distribuir abraços). Excelentes músicos, todos na casa dos vinte anos, os BadBadNotGood são de facto um tremendo exemplo de humildade, alegria e muita qualidade. Uma delícia!

No Palco Vodafone FM era a vez dos Octa Push fecharem o alinhamento da noite. Com eles trouxeram a festa africana ao alto Minho num concerto com muito semba, kuduro ou funaná onde a alegria e a animação foram vividas em pleno por um público dado à dança. No final a bonita homenagem ao nome maior da música nacional, Zeca Afonso.

Japandroids > Beach House

Cá por casa temos vindo a conhecer inúmeras bandas oriundas do Canadá, muito por culpa do elemento mais novo da equipa que na sua aprendizagem para melómano descobre fabulosos músicos por aquelas paragens. Tudo para apresentar os Japandroids, pois à semelhança dos BadBadNotGood também eles chegam do Canadá. Brian King, na guitarra e voz, e David Prowse, na bateria e voz, dão vida ao projecto de garage rock. Seguindo um alinhamento morno pelos trabalhos lançados em 2009, “Post Nothing”, e 2012, “Celebration Rock”, o duo deu um concerto que a nós não nos aqueceu nem arrefeceu, como diz o ditado.

Desilusão é a palavra que nos dói aplicar ao último concerto da noite, o dos nossos amados Beach House. Tendo começado 35 minutos depois da hora marcada, a prestação do duo oriundo de Batimore, nos EUA, composto por Victoria Legrand e Alex Scally foi verdadeiramente pobre. Deles já vimos uma mão cheia de maravilhosos concertos pelo que a nossa expectativa e exigência era enorme. Defraudados em ambos, resta-nos esperar que este tenha sido apenas um “acidente” no percurso da banda que faz das melhores canções de dream pop que temos ouvidos, como “Sparks”, “PPP” ou “Take Care”.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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