À conversa com Bruno Pernadas

Cerca de ano e meio depois de “How can we be joyful in a world full of knowledge”, Bruno Pernadas lança não um mas dois novos álbuns. Explica em entrevista como tudo aconteceu.

Não é todos os dias que um artista lança dois discos em simultâneo. Encaraste isso como um desafio?
Não, foi apenas um objectivo mas acabou por se tornar um desafio inesperado.

Cerca de um ano e meio para produzir dois trabalhos não deve ter sido fácil, ou pelo menos, simples… Como é que tudo se processou?
Se tivesse sido esse o caso se calhar até seria mais simples, mas na verdade durante esse período fiz três criações; estes dois discos, mais a música original para o bailado “Romeu e Julieta” pela CNB. O processo da produção dos discos atrasou bastante e acabou por se tornar um verdadeiro desafio, uma vez que tanto eu como o Tiago de Sousa (eng. de som) estivemos a trabalhar dia e noite durante o verão de 2016 para conseguir ter os discos prontos em formato físico a tempo do seu lançamento.

O que procuras transmitir em cada um deles?
O Disco “those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them” a nível sonoro é uma continuação do primeiro álbum “How can we be joyful in a world full of knowledge” enquanto que o disco “worst summer ever” é um disco mais acústico, orgânico, denso, de carácter instrumental ligado à música jazz / improvisada.

Vindo do seguimento do trabalho de 2014, “Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them” apresenta-se aos nossos ouvidos como um trabalho mais exploratório, seja nos sons que apresenta como nas combinações que entre eles consegues obter, e isso agradou-nos bastante. De que forma foste concebendo cada composição?
O processo criativo é sempre o mesmo, as composições surgem naturalmente e à medida que o tempo passa vou registando esse trabalho, seja em notação ou em formato físico. Alguns temas deste disco são do ano de 2014 os restantes temas são de 2015/16.

“Worst Summer Ever” de onde vem o título do, chamemos-lhe, segundo disco?
O título do álbum surge do nome do tema “worst summer ever” pertencente a este disco respectivamente. Este tema foi composto em 2011 e diz respeito ao verão que eu julgava ter sido o pior de sempre.

Há uma aura muito clássica neste trabalho que cativa logo na primeira audição. A singularidade das composições transporta para tempos antigos. És fã do jazz digamos mais clássico?
Sim, seguramente, mas não acho que existam muitas características sonoras neste disco que remetam o ouvinte para uma sonoridade do jazz mais clássico.

Para este trabalho onde foste buscar inspiração?
Sinceramente, não sei…

Há uma certa magia nos oito temas que o integram. De alguma forma mudaste o teu processo criativo e de composição para criá-los? Ou foi tudo muito natural e fluído?
O que acontece durante o processo de composição é que no momento de estruturação dos temas estou consciente que a música está a ser escrita para determinados músicos, músicos que conheço há muitos anos, ou seja estou a trabalhar a música a pensar no grupo como um todo e não apenas a nível melódico e harmónico.

Neste disco recorreste a formações variáveis, do trio ao sexteto de jazz. Ficou o disco tal e qual como o imaginaste?
Não.

Apresentaste recentemente os dois trabalhos em dois concertos. Qual foi adesão do público? Sentiste alguma diferença entre as duas apresentações ao nível da adesão do público?
Sim, acho que o público de forma geral foi mais efusivo na sua reação em relação ao disco “crocodiles” assim abreviando, do que em relação ao disco “worst summer ever”.

Como vão ser os próximos concertos? Vais continuar a fazer a separação dos dois trabalhos?
Sim, a separação vai sempre existir, são formações diferentes, projetos diferentes. Sendo que o projeto de jazz facilmente se molda para outras formações/músicos do que no caso da banda pop.

Por: Sandra Pinto

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