Super Bock Super Rock 2013 Dia II

Black Rebel Motorcycle Club

Do cartaz da segunda noite do Super Bock Super Rock já tínhamos feito as nossas escolhas, pois a verdade é que por mais que tentemos é praticamente impossível ver tudo o que vai acontecendo nos três palcos. O melhor mesmo é optar por escolher o que não queremos de forma nenhuma perder e nem pensar no que fica de parte… pois festival de verão não é de todo compatível com depressões musicais.

O cardápio por nós seleccionado teve início com os Black Rebel Motorcycle Club e não podia ter sido melhor. Oriundos de São Francisco, a banda que foi buscar o nome ao filme de 1953, «The Wild One», protagonizado por Marlon Brando, conseguiu agarrar e de que maneira o público que se ia juntando em frente ao palco principal do festival. Quando foram divulgados os horários do festival foi com alguma apreensão que demos conta que a banda iria actuar às 20h00 com o céu ainda inundado de sol. Na verdade, os BRMC pediam como cenário uma noite escura e fresca, mas foi o facto de actuar de dia e com calor que os demoveu de dar um excelente concerto ou que os fez retirar casacos ou capuz da camisola da cabeça. As guitarras à Jesus and Mary Chain já não são tão evidentes mas as boas malhas de bom rock and roll, essas estão lá todas como «Love Burns» e «Whatever Happend to My Rock’n’roll». O público não se fez rogado e ao apelo de Robert Turner, «a mim apetece-me continuar e continuar e continuar…», retribuiu com muita poeira, o que é sempre um sinal de evidente satisfação!

Manuel Fúria e os Náufragos > Octa Push

Passagem rápida pelo Palco EDP onde Manuel Fúria e os seus Náufragos davam música a uma fraca assistência (lembre-se que no palco principal estavam os BRMC). Mas se faltou público não faltou animação, algo que marcou a actuação do antigo membro d’Os Golpes. Como seria de esperar o concerto girou em torno do registo «Manuel Fúria Contempla os Lírios do Campo», sobre o qual conversámos com o músico em https://lookmag.pt/blog/a-conversa-com-manuel-furia/.
À mesma hora o Palco Antena 3 recebi os Octa Push, banda oriunda de Lisboa formada pelos irmãos Bruno e Leonardo que veio ao Meco apresentar o seu primeiro álbum, «Oito».

Tomahawk

Palco Super Bock, 21h30. No palco os Tomahawk. Este que é um dos vários projectos de Mike Patton, vocalista dos Faith No More, deu um concerto que encheu as medidas aos fãs, porque os outros foram confessando não ter achado graça nenhuma à música potente e às provocações de Patton ditas num português com sotaque brasileiro. Nós que nos incluímos no primeiro grupo, ficámos deveras fascinados e com a certeza ainda mais firmada da genialidade de um homem que se desdobra em projectos tão distintos mas de imensa qualidade. O público não soube corresponder a uma banda que composta por fantásticos músicos vai muito além do rock sem alma nenhuma de uns, por exemplo, Killers. Nem o «porra que caralho» dito por um Patton cheio de desenvoltura tiraram o público de uma apatia musical (lembre-se que depois actuam os Killers, logo a tarefa dos Tomahawok não era evidentemente fácil). A cerca de uma hora de concerto, repetimos, muito bom, terminou com um “fado americano” (blues) cheio de alma e profundidade interpretado pelo vozeirão de um Mike Patton inesquecível.

Kaiser Chiefs

É sempre uma festa assistir a um concerto dos Kaiser Chiefs e este não foi de todo diferente. «Everything is Average Nowadays» e «Everyday I Love You Less And Less”, cartões-de-visita dos britânicos abriram o apetite aos festivaleiros muitos que naquela noite estavam no Meco apenas para os ver. O vocalista Ricky Wilson, que já partiu um pé em Paredes de Coura e fez slide no Rock in Rio, desta feita subiu para o telhado de uma barraca de venda de cerveja, numa atitude de irreverência que só surpreende quem ainda não os tinha visto actuar ao vivo. Em «Ruby» todos saltam e «I Predict A Riot» percebemos que dali já não vem nenhuma novidade.

Miguel

Influenciado por Prince, Queen, Lenny Kravitz e Kanye West, Miguel chegou e conquistou. No concerto, primeiro no nosso país, mostrou que ainda se fazem boas canções de R&B e que as novas gerações ainda se podem deixar render ao som da languidez de músicas fortes e sensuais, mesmo num festival todo ele dedicado ao rock.

Os Killers não autorizaram ser fotografados. Em palco foram iguais a eles próprios, máquina oleada que aos olhos dos fãs não falha. Oriundos de Las Vegas afirmaram «nós somos os rapazes da cidade do pecado a chamar por Portugal». Depois foram uma mistura entre fogo-de-artifício e luzes. Chegaram, tocaram e partiram. Nada mais.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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