Scott Matthew no Frágil

Não podia ter corrido de melhor forma a estreia de Scott Matthew no nosso país. Casa cheia no bar Frágil, que no passado sábado à noite abriu portas para receber os muitos fãs do cantor australiano naquele que seria o seu primeiro concerto em Portugal.
Subiu a palco transmitindo alguma timidez e nervosismo, dizendo que deseja voltar a Portugal com mais tempo… Na companhia de um copo de vinho tinto e de uma guitarra vermelha, Scott canta a sua versão da música “Kathy’s Song” de Simon e Garfunkel (Sounds of silence, de 1966) e “Little Bird”, do seu álbum homónimo lançado em 2008.

De voz doce e forte, o músico explica que anda em tournée faz uma semana, sendo que no dia antes de sair de Nova Iorque (onde reside) perdeu a voz, “conseguem imaginar o que é tentar ser um cantor e não ter voz?”, perguntou. Depois de garantir que “estou a fazer o meu melhor”, anuncia a música seguinte “Comunity”, do álbum There Is An Ocean That Divides And With My Longing I Can Charge It With A Voltage Thats So Violent To Cross It Could Mean Death, de 2009.

Com um sorriso constante no rosto, Scott agradece a presença de todos, mostrando uma simpatia e um à-vontade crescente. O público corresponde, demonstrando o quanto o aprecia e segue o seu trabalho. Antes de tocar “Buried Alive” do último trabalho “Gallantry´s Favorite Son”, de 2011, Scott conta que na cidade de Colónia tocou esta música numa igreja em funcionamento, “situação muito estranha, mas o concerto foi muito bom”, relembra o músico. A cada canção o público responde fazendo deste concerto uma partilha.

Limpando o suor do rosto, Scott refere “não estou a chorar, não sou assim tão sensível”, afirmação que arrancou um sorriso generalizado do público, em especial dos que conhecem bem as suas canções e os temas nelas focados. Seguiu-se “Friends and Foes” do trabalho de 2009, introduzida por Scott com a afirmação que “às vezes gosto de dar um tom politico às minhas canções, esta é uma delas”.

Voltando ao último trabalho, a noite prossegue com “Sweet Kiss In The Afterlife”, seguindo-se “Upside Down”, de 2008, “In The End”, da banda sonora do filme “Shortbus” realizado em 2006 por John Cameron, e uma canção de protesto “No Place Called Hell”, novamente do álbum Gallantry’s Favorite Son.

Totalmente rendido, o público acompanha Scott que agrade, sorri e fala, como se estivesse no meio de amigos. Anunciando “White Horses”, uma das suas canções mais conhecidas incluída no longa duração de 2009, explica que “não sei se tenho voz suficiente para a cantar”, ao que alguém do público grita “nós ajudamos”! E ajudaram, sendo este um dos muitos momentos mágicos da noite.

Agradecendo a todos, Scott dá por terminado o concerto, voltando para um encore diferente, “vou cantar um conjunto de versões porque já não gosto das minhas canções e se não gostarem tenho sempre a desculpa de que as canções não são minhas”, graceja. Começa com “Smile” original de Charlie Chaplin que Scott define como “uma canção feliz mas triste”, “There Is a Place in Hell For Me And My Friends”, canção de Morrisey (Kill Uncle, de 1991) que dedica ao seu melhor amigo, e “No Surprises” dos Radiohed (OK Computer, de 1997). Pelo meio tempo para agradecer “à Carolina e ao Rodrigo (Leão), por me terem trazido aqui, e ao Jorge que me ajudou no som e nas luzes”.

Como ninguém arredou pé da frente do palco, Scott não resiste e pegando de novo na guitarra canta mais duas versões do álbum que está a preparar, primeiro “I Want To Dance With Somebody ” versão surpreendente para um original de Whitney Houston e termina com uma não menos surpreendente “Harvest Moon” de Neil Young (de 1992). Pelo meio alguém do público grita “you’re beautiful”. Scott sorri, agradece e diz “foi muito bom, mas agora vamos todos tomar uma bebida e dançar”.

Texo: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

Saiba mais em https://lookmag.pt/blog/a-conversa-com-scott-matthew/

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