Scott Mattew no CCB

Dono de uma simpatia ímpar, Scott Mattew regressou a Lisboa para dar um concerto memorável no CCB. O espectáculo que decorreu no âmbito da edição deste ano do Misty Fest, revelou um Scott Mattew feliz, de bem com a vida e agradecido por estar de volta a Lisboa. Sala cheia, foi quase entre amigos que Scott deu a conhecer o seu mais recente trabalho, um disco de versões.

Nós que tínhamos assistido à sua estreia em Portugal, num inesquecível concerto na discoteca Frágil, no Bairro Alto (https://lookmag.pt/blog/scott-matthew-no-fragil/) em 2012, e que depois voltámos a encontrá-lo no concerto de Rodrigo Leão no CCB (https://lookmag.pt/blog/rodrigo-leao-concerto-no-ccb/), sentimo-nos um pouco como um desses amigos.

Entre goles de vinho tinto e explicações sobre cada uma das músicas que ia interpretando, Scott foi emprestando a sua voz à música de outros ali reinterpretada de uma maneira muito sua, muito Scott Mattew. «Lancei há pouco tempo um disco de versões, pelo que o alinhamento de hoje será baseado nele. Pelo meio algumas músicas minhas», avisou antes de se dar inicio à noite com «uma banda dos anos 80», mais propriamente os Bee Gees com «To Love Somebody».

A viver em Nova Iorque, Scott nasceu na Austrália. Ali, no CCB confessou como «é bom estar de volta ao meu lugar preferido no mundo», ou seja Portugal! Do público alguém responde alto e bom som «We love you Mr. Mattew», declaração de amor que emocionou e colocou um sorriso rasgado no rosto do músico!

Seguiram-se interpretações de «Total Control» original para a banda The Motels, e «There’s A Place in Hell for Me and My Friends», de Morrissey, aos quais se seguiram dois originais de Scott, «For Dick», lançado em 2008, e «The Wonder of Falling», que Scott explica ter escrito a pensar naqueles que estão apaixonados.

Com muita graça e descontracção, Scott foi levando o concerto num misto de regressos ao passado com breves laivos de presente, algo que resultou na perfeição, pois a cada nova interpretação o público deixou-se agarrar pela voz melodiosa e não poucas vezes adorável, do australiano.

«Harvest Moon», de Neil Young, seria a música que se seguia, cantada em conjunto com Celina da Piedade que normalmente acompanha Rodrigo Leão. «Agora voltamos aos clássicos», avisa Scott, «se não gostarem paciência, não fui eu que escrevi», refere Scott com muita graça, o que originou a fortes risadas por parte do público que enchia quase por completo do CCB.

«Tudo o que consegui em Portugal foi graças a Rodrigo Leão, a quem agradeço tudo», partilha comovido Scott. Para «Smile», canção escrita por Charlie Chaplin em 1936, volta a contar com a participação de Celina da Piedade- «Esta é a canção mais feliz e mais triste que conheço, mas não sei porquê excita-me», confessa o músico.

Quem ouve as suas canções poderia pensar que Scott Mattew é uma pessoa triste, tal não podia estar mais errado, e isso nos confessou numa conversa que há tempos mantivemos com ele e que pode ser lida em https://lookmag.pt/blog/a-conversa-com-scott-matthew/.

«I Wanna Dance With Somebody» de Witney Houston tem sido a música do disco de versões mais divulgada na rádio, contado já o seu belíssimo vídeo com um enorme número de visualizações na internet. No CCB voltou a juntar público e músico numa bonita comunhão com todos a contar o refrão em uníssono.

Pausa nas versões para «In The End», à qual se colou a lindíssima versão de Scott para «Jesse», seguida de «L.O.V.E», que de acordo com Scott demonstra que eu sou uma pessoa feliz, aliciando o público para que se levantasse das cadeiras e se entregasse à dança. O regresso à músicas em nome próprio fê-lo com «Little Bird», «uma canção que compus quando estada apaixonado», refere Scott, «agora já não estou, mas ficam as canções», perguntando de seguida se alguém na sala está apaixonado. Aos donos dos dedos que surgiram no ar diz «que sorte, vocês sabem amar…eu não».

«This Guy Is In Love» de Bart Bacara, antecedeu a versão mais surpreendente da noite. A antecede-la Scott revela que quando jovem teve uma banda punk (interrompe a explicação para perguntar ao dono do telemóvel que incessantemente tocava se não o queria atender), e revela que sempre foi um rebelde, «ainda sou, acho eu», afirma. «Esta é uma homenagem a esse tempo», e da guitarra saca… «Anarchy in the UK», dos Sex Pistols.

«Abandoned» e «Annie’s song» dão por termina um concerto, bom a apalavra só pode mesmo ser bonito. Scott tem tempo ainda para agradecer a todos os que possibilitaram a sua vinda em especial à promotora Uguru

Palmas, muitas palmas fizeram com que o encore acontecesse mais rápido do que o previsto o que leva Scott a afirmar «reacção inesperada…mas era capaz de me habituar». A lindíssima «White horses» e «Firende and foes» encerraram uma noite que vamos recordar com saudade…e um sorriso no rosto. Apostamos que vai ser assim que Scott a vai recordar também.

A primeira parte contou com a presença de Valter Lobo, que trouxe até Lisboa um conjunto de canções intimistas e tristes. Partilhando experiências e graças com quem o ouvia e via, Valter levou a água a bom porto, encantando todos com a sua música tranquila, mas também com a sua simpatia nortenha.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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