Rousseau, os mortos e os vivos by Jon Marx

walking_dead01

Estreou esta semana, na Fox, a quarta temporada da série The Walking Dead, que conta a história do polícia Rick Grimes e da sua tentativa de sobreviver e proteger a sua família (no sentido lato do termo) num mundo povoado por zombies. A série é produzida pelo canal AMC que apresentou o primeiro episódio na noite de Halloween de 2010, tornando-se num imediato sucesso de audiência.

O início desta quarta temporada coincide, aproximadamente, com o décimo aniversário do lançamento da banda desenhada na qual a série de TV se baseia. The Walking Dead foi criada em 2003 por Robert Kirkman e Tony Moore e publicada pela prestigiada Image Comics. Desde essa data foram já publicados 115 números mensais (este número poderá não ser muito rigoroso) e umas poucas edições extra que ajudam a perceber a origem de alguns personagens que, ao longo da história, causaram maior impacto no público mais entusiasta.

walking_dead02

Em 2010, ano de adaptação do comic à TV, The Walking Dead recebeu o prestigiado Eisner Award na categoria de Best Continuing Series, o que ajudou a colocar a série na categoria dos clássicos da banda desenhada moderna.

Apesar de ser espectador regular da série desde o início, não tive particular curiosidade em espreitar o comic book, e quando o fiz, peguei no tomo coleccionável que continha os primeiros 12 números mensais e não passei da primeira dúzia de páginas. Regressei a The Walking Dead, o comic book, no passado mês de Setembro durante as férias e, de uma assentada li os números editados nos 7 primeiros anos. A última vez que li um coleccionável de forma tão ávida ocorreu com o clássico Preacher, de Garth Ennis, uma das minhas BDs favoritas.
walking_dead03

Alguns pormenores ajudam a distinguir The Walking Dead de outros produtos do género ‘terror com zombies’, que começam em experiências mal sucedidas do governo que ajudam a criar os mortos-vivos, e acabam, quase sempre, em gritarias de adolescentes histéricas e semi-nuas, e banhos de sangue de proporções épicas.

Em The Walking Dead não existe a busca do Santo Graal, seja ele uma explicação para o apocalipse ou a descoberta da cura milagrosa. Na versão comic book aborda-se de forma muito ligeira a origem do mal, mas apenas para apimentar um pouco mais a narrativa. Não vou entrar em pormenores para não estragar leituras futuras.

Os zombies não são omnipresentes. Ao fim de muito pouco tempo, e logo que o cenário passa da cidade para o campo, tornam-se meros figurantes. Em alguns episódios/comica a sua presença é quase nula. Apesar do realismo usado nas imagens promocionais da série da AMC, a série só com muita boa vontade poderá ser arquivada na categoria gore.

Em The Walking Dead não há uma distinção clara entre bons (os vivos) e os maus (os mortos). Em The Walking Dead os maus são sempre maus, mas muitas vezes os bons são também maus. Uma coisa é certa, um dia todos os bons serão maus. Aqui, a morte não representa o fim, a morte é o princípio da eternidade. Ao morrer, todos se transformam em zombies porque a origem do mal está dentro de cada um. Uma espécie da teoria do Bom Selvagem, mas ao contrário.

https://www.facebook.com/ListaRebelde?fref=ts

Texto: Jon Marx

You May Also Like

Há Filmes na Baixa! com Doclisboa regressa em Julho

O Crime do Padre Amaro e A Relíquia de Eça de Queiroz

“O Caso Mental Português” de Fernando Pessoa

Com argumento de Valter Hugo Mãe e banda sonora original de Tó Trips “Surdina” chega aos cinemas

error: Conteúdo protegido. Partilhe e divulgue o link com o crédito @lookmag.pt