Em Morro da Pena Ventosa o Porto é um coração que bate». Mais do que um lugar ou uma personagem, é um sentimento. Ex-líbris da História de Portugal, por estes dias devassada em fotografias apelativas numa qualquer brochura turística, a cidade e os seus habitantes nativos lutam por conservar a sua identidade tão singular. Nestas páginas, não só são as ruas da zona histórica que serve de título ao livro que são estreitas: Também as perspetivas de futuro se afunilam cada vez mais, à custa do tão discutível progresso dos tempos. Com o Douro como âncora numa urbe em visível transmutação, o que acontece a estas pessoas quando tudo aquilo que tomam como certo se evapora? Porque no Porto é o rio que ilumina a cidade, não o sol.
Ficção e realidade entretecem-se habilmente nas mãos de Rui Couceiro, que habita o universo do realismo mágico como se aí tivesse a sua morada. Repleto de personagens ímpares e de grande fulgor imaginativo, este livro não só é uma ode à cidade do Porto e ao rio que a banha, mas às suas gentes. Tocando temas como a gentrificação, as alterações climáticas e a perda, o autor consolida neste seu segundo romance tudo o que Baiôa sem data para morrer já prometia.
