“Oração a que Faltam Joelhos” de Jacinto Lucas Pires

Escrita na primeira pessoa do feminino, a narrativa evoca momentos-chave da infância de Kate Souza, a protagonista, que nos ajudam a compreender as suas dores da idade adulta.

As reflexões interiores da narradora – uma filha de emigrantes portugueses nos EUA –, os seus anseios e preces, são neste livro engolidos pela realidade da sociedade norte-americana das últimas décadas, por esse mundo sem portas onde vivemos. Tal como Kate, também a sociedade parece meio à deriva, em busca de uma tábua de salvação, seja ela a religião, o vício, o amor ou o ódio. A qualidade musical e visual do texto, não raras vezes feito de frases curtas e certeiras, bem como o potencial cénico da sua narrativa, continuam a ser traves-mestras na escrita de Jacinto Lucas Pires.

Órfã de mãe, desde cedo Kate Souza aprendeu a conviver com os silêncios do pai António e o espaço que estes ocupavam na ampla casa familiar, de madeira, com cerca e relvado à frente, igual a tantas outras, nessa terra das oportunidades para onde há muito os pais haviam emigrado. No entanto, quando António morre afogado no rio Lima, durantes as primeiras férias de Kate em Portugal, ela sente-se perdida, culpada e com uma história nas mãos. Uma história que é a sua vida. Talvez seja isso que, num mundo duro e doente, com cada vez menos capacidade de imaginação, faz dela escritora. Identidade e culpa, amizade e amor, jornalismo e literatura, totalitarismo e loucura, terrorismo e religião cruzam-se na história desta mulher, num tempo e num mundo onde, à falta de outro milagre, as velhas linguagens parecem querer renascer.

Sobre o autor
Escreve romances, contos, peças de teatro, filmes, música. O seu último romance é A Gargalhada de Augusto Reis (Porto Editora, 2018). Em 2020, foi publicado, na coleção do TNDM II, Canto da Europa (Bicho do Mato, 2020). No teatro, Lucas Pires trabalha com diferentes grupos e encenadores. Realizou o filme Triplo A. Faz parte da banda Os Quais (que lançou o disco Geral em 2019) e da companhia Ninguém. Recebeu o Prémio Europa — David Mourão-Ferreira (Univ. Bari/IC, 2008) e o Grande Prémio de Literatura DST 2013 (com o romance O verdadeiro ator). Na Rádio Renascença, comenta temas da atualidade. Tem um espaço de crónica n’ O Jogo chamado Descalço na Catedral. Escreve também no Ponto SJ e no seu blogue, O que eu gosto de bombas de gasolina.

“Oração a que Faltam Joelhos”
Jacinto Lucas Pires
Porto Editora

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