Saído de “uma mesa da velha Brasileira”, O Crespos, a mais recente obra de Adolfo Luxúria Canibal, é uma frontal metáfora sobre a solidão e a indiferença.
Com o desassombro e a mordacidade que caracterizam a obra de Adolfo Luxúria Canibal, este é o retrato de um homem que passa uma vida na mesma mesa de café a observar a cidade que lhe passa diante do rosto e todas as mudanças que o tempo traz. Numa edição em grande formato, ilustrada por José Carlos Costa, cúmplice habitual dos Mão Morta, o leitor é convidado a partilhar a mesa com Crespos e questionar a vivência contemporânea e a voracidade do quotidiano.
Há exactamente trinta e quatro anos, seis meses e sete dias que todas as tardes, entre as catorze e as quinze horas, o Crespos se senta na mesma cadeira à mesma mesa da velha Brasileira. Até que, certo dia, algo muda, e a vida na cidade nunca mais será a mesma…
O Crespos é uma oportuna reflexão sobre a invisibilidade e a solidão na sociedade contemporânea, respondendo com o desassombro característico de Adolfo Luxúria Canibal a uma questão premente: o que fica de nós, quando já cá não estivermos?
Sobre o autor
Adolfo Morais de Macedo é licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, foi advogado e é consultor jurídico. Fundador do grupo de rock Mão Morta, de que é vocalista e letrista, criou espetáculos de spoken word, em nome próprio ou como Estilhaços, e integrou o coletivo de música eletrónica Mécanosphère, tendo mais de três dezenas de discos editados, e outros tantos como convidado de artistas nacionais e estrangeiros, na qualidade de vocalista ou letrista.
Sobre o ilustrador
José Carlos de Sousa Costa nasceu a 21 de Dezembro de 1958 em Moçambique, na cidade da Beira. A partir dos 6 anos, viveu e cresceu em Braga até aos 17, altura em que vai para o Porto e Coimbra para estudar Química, durante 2 anos, nas respetivas Faculdades de Ciências. No 2º ano decide mudar para o curso de Pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde conclui os 2 primeiros anos. Muda-se para Lisboa em 1980, mantendo sempre uma ligação umbilical a Braga, ingressando na Caixa Geral de Depósitos e trabalhando grande parte da carreira nas áreas de Imagem e Comunicação. Entretanto quase conclui (ficou a faltar a Geometria) o 3º ano de Pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. É nessa década que começa a criar algumas das capas dos álbuns dos Mão Morta, colaboração que teve os seus primórdios em Braga, com os vários embriões que viriam a dar origem à banda.
“O Crespos”
Adolfo Luxúria Canibal
Porto Editora


