NOS Alive 2017 Dia III

Terceiro e último dia do NOS Alive 2017 revelou-se uma maratona musical repleta de momentos únicos e que nunca mais esqueceremos.

Benjamin Booker > Spoon

Este era o dia em que o palco que mais chamava pela nossa presença era o palco Heineken, pois apesar de praticamente nenhum dos artistas que faziam parte do alinhamento serem para nós novidade em concertos ao vivo, a verdade é que ali se juntou uma mão cheia do que melhor se faz hoje no universo da música, e verdade seja dita, reencontros com pessoas que admiramos nunca são demais.

A noite ainda de tarde começou com Benjamin Booker. “Thank you for coming and watching! I’m Benjamin Booker”, afirma o músico que chega a Portugal pela primeira vez para apresentar “Witness” o registo discográfico lançado no mercado já em 2017. Oriundo de Virginia Beach, no estado norte-americano da Virginia, Benjamin transporta até nós as influências dos blues e da soul de décadas passadas, mas que na sua voz ganham novas roupagens, mais actuais e contemporâneas. O destaque recai sobre “Violent Shiver”, música mais antiga do reportório do músico, mas que foi de imediato reconhecida pelos fãs que a ela aderiram…nós incluídos.

Há muitos anos criámos no facebook um grupo ao qual demos o nome de Queremos os Spoon em Portugal e, de facto, passados uns meses o desejo concretizou-se com a vinda do colectivo a outro festival que na altura (2010) acontecia ali para os lados do Meco. Plateia cheia, que é como quem diz tenda a abarrotar, tudo pronto para recebê-los e a nós só nos vinha à cabeça o concerto do Meco onde éramos poucas dezenas em frente ao palco. Boas memórias que nos fazem dar ainda mais valor a eles e a nós, pois ambos crescemos e nos fortalecemos. Do alinhamento os Spoon fizeram o que quiseram, como tal nada de grandes honras para o mais recente registo, optando a banda, e bem, por percorrer toda a sua boa discografia. Impossível não fazer menção ao estilo e grande pinta do vocalista Britt Daniel que se atirou ao público com um “Obrigado! How are you Lisbon?” O que aconteceu depois? Pela nossa parte muita dança e emoção.

Imagine Dragons > Fleet foxes

Enquanto no palco NOS os Imagine Dragons davam um “show de bola” com descidas por entre o público, nós que por lá ficámos pouco tempo preferimos correr para apanhar os nossos Fleet Foxes. A primeira vez que nos cruzámos com eles foi num concerto no Coliseu de Lisboa já há uns bons anos e ainda Josh Tillman, o nosso adorado Father John Misty, fazia parte da banda. Depois voltamos a estar juntos ali mesmo em Algés numa edição anterior do NOS Alive. Desse concerto lembramos o calor impressionante que se fazia sentir e o outfit da banda, que de camisas de flanela e gorro na cabeça, aguentaram estoicamente as elevadas temperaturas. Hoje, passados alguns anos, mantêm os gorros, mas deixaram as camisas enquanto que a plateia cresceu em número de gente interessada pela sua música. Oriundos de Seattle, pois nem só de grunge se faz a música daquelas paragens, os Fleet Foxes deram um dos mais bonitos concertos do festival onde a emoção foi crescente, assim como a entrega da banda e o feedback do público (pelo menos aquele que calado interiorizou a beleza pura destas melodias angelicais).

Cage The Elephant

Corria o ano de 2014 quando num festival no Minho uma banda praticamente desconhecida subia a palco. Poucos minutos depois todos percebemos que algo de extraordinário se estava a passar. Começava aí (https://lookmag.pt/blog/vodafone-paredes-de-coura-2014-dia/) o nosso caso de amor com os norte-americanos Cage The Elephant. Dois anos depois, o mesmo cenário e os Cage regressam. Desta vez já sabíamos ao que íamos por isso deixámo-nos levar numa corropio de sons e emoções (https://lookmag.pt/blog/vodafone-paredes-coura-2016-dia-iii-mao-cheia-magia/). Agora, um ano após o nosso último encontro ei-los de novo, desta feita à beira de outro rio, o Tejo. Anunciados para o palco Heineken rapidamente percebemos que seria este pequeno para acolher a agitação e a força roqueira destes animais de palco. E se bem o pensámos melhor o presenciámos, pois foi aos encontrões que conseguimos arranjar posição para, mais uma vez, nos deixarmos levar nas asas da música que nos faz feliz e onde as guitarras e a bateria ditam o batimento. Não é fácil descrever um concerto dos Cage, pois a energia que emanam de cima do palco tem de ser vivida in loco. Imagine um furacão que ao passar o arrasta por entre ondas oscilantes onde a emoção toma conta de tudo, de si, do ambiente… Vindos do Kentucky, a banda liderada por Matt Shultz deu, sem dúvidas para ninguém, um dos grandes concertos do festival.

Scúru Fitchádu > The Avalanches

Marcus Veiga é a pessoa por trás do projeto Scúru Fitchádu que nos deixou agradavelmente arrasados no Coreto, cujo alinhamento esteve este ano entregue à responsabilidade da Arruada. O nome criôlo assinafa a forte ligação deste produtor oriundo de Almada ao funaná de Cabo Verde. Vestido com uma t-shirt com o titulo do último álbum dos bracarenses Mão Morta, “Pelo Meu Relógio São Horas de Matar”, o concerto dos Scúru Fitchádu foi literalmente uma libertação brutal de adrenalina em forma de dança. Catalogar a música que ali ouvimos? Impossível, mas nela conseguimos descobrir uma harmonização estranhamente cativante entre funaná, punk, hip hop e metal. Uma maravilha para os nossos ouvidos.

A noite e o festival terminou de regresso ao palco Heineken onde os norte-americanos The Avalanches tentaram pôr todos a dançar. Tínhamos algumas expectativas relativamente a eles as quais não foram correspondidas, caso único em três dias de festival.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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