Moonspell no Coliseu de Lisboa

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Dia 27 de março o feitiço da Lua tomou conta de Lisboa, fazendo com que centenas de discípulos lhe seguissem a luz e rumassem ao Coliseu da capital para lhe prestar homenagem ao som dos Moonspell.

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Há noites especiais e esta foi uma delas. Ao fim de 16 concertos de uma longa tournée, os Moonspell regressaram a casa e tomaram de assalto Lisboa. A sala enche-se com o som voz da escritora e professora de filosofia na Durham University, em Inglaterra, Melanie Challenger. Autora do livro “On Extinction”, Melanie participou no documentário “Road To Extinction” que testemunha todo o processo de gravação na Suécia do mais recente registo discográfico dos Moonspell, ” Extinct”.

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«Extinção: Do Latim, extinguir. Abolir. Destruir. Apagar como se faz a uma vela. Uma escuridão mais profunda, impossibilitada de regressar à luz. Uma escuridão de Morte, mais desoladora, mais revoltante pela sua permanência nas coisas. Quão pior, quão mais sem sentido, conjurarmos, por vontade própria, estas trevas?» são as palavras que servem de entrada em palco aos cinco músicos da mais internacional de todas as bandas nacionais.

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Com um evidente enfoque no novo álbum, o alinhamento do concerto teve ainda espaço para celebração e comunhões. «Lisboa», grita Fernando Ribeiro, o carismático vocalista quando entra em palco, dando inicio às hostilidades musicais com “Breathe (Until We Are No More)”. Com o novo registo notamos um regresso à melodia de cariz mais gótica de outros discos. Aqui sentimos a presença da voz de Fernando Ribeiro mais madura e trabalhada, o que em palco lhe trouxe evidentes mais-valias na interpretação de temas como “The Future is Dark”, «uma das músicas que mais tocamos de tocar», confessa Fernando Ribeiro.

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A viagem ao passado começou com a canção que dá nome ao disco de 2008, “Night Eternal”. A massa de fãs agitou-se e em conjunto com a banda deu voz a um dos grandes hinos dos Moonspell, «boa noite Portugal!», ouve-se do palco, «ao fim de 16 concertos estávamos apreensivos para perceber como iria correr o concerto de Lisboa, e agora olhando para vocês temos a certeza de que vai ser muito bom!», afirma Fernando Ribeiro, perante uma multidão que estava ali por ele, por eles.

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A emoção continuou com pontuais regressos ao passado devidamente combinados com a descoberta das músicas que fazem parte do mais recente registo de originais. “The Last of Us” trouxe a voz de Fernando para primeiro plano, acompanhada de perto e bem pela inspirada guitarra de Ricardo, que neste disco apresenta solos merecedores de destaque. «Vamos agora até 1996 e à droga que espalhámos na altura», refere Fernando antes de “Opium”, uma das faixas de “Irreligious” que alcançou maior sucesso e que se tornou noutro grande hino da banda portuguesa. Seguiu-se “Awake” retirada do mesmo disco. «Temos um conjunto de surpresas para vocês esta noite e a primeira vem já a seguir», anuncia Fernando Ribeiro antes da subida ao palco da cantora italiana Mariangela Demurtas, vocalista da banda Tristania para, em conjunto com os Moonspell, interpretar “Raven Claws”, música que não tinha feito parte até ontem do alinhamento desta tournée.

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Outra surpresa aconteceu em “Em nome do medo”, música de “Alpha Noir” (2012), e que em palco contou com a participação de Rui Sidónio, o fabuloso vocalista dos Bizarra Locomotiva. Impressionante a dupla interpretação de ambos para uma música extremamente forte ao nível vocal, com ambos os vocalistas a demonstrarem uma afinidade que se tem vindo a aprofundar com o passar dos anos. Relembremos o fantástico concerto que deles vimos na FIL aquando do Dia do Metal há uns anos atrás e que pontua para nós como uma das mais fabulosas noites que tivemos a sorte de viver.

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Este é o ano de celebração do vigésimo aniversário de “Wolfheart”, data que jamais poderia passar em branco no concerto de Lisboa, como já nos tinha revelado em entrevista Fernando Ribeiro (https://lookmag.pt/blog/conversa-com-moonspell/). «”Wolfheart” faz vinte anos. Acabou o tempo de descobrir e vai começar a altura de celebrar», avisa Fernando Ribeiro, tal cicerone duma brutal viagem ao passado da qual fez parte “Vampiria”, “Ataegina” e “Alma Mater”. Rendida à emoção de cantar em português, a multidão que enchia o Coliseu de Lisboa aderiu emocionada ao apelo de Fernando e cantou com ele a plenos pulmões demonstrando uma profunda paixão. Em uníssono ouviu-se “Moonspell, Moonspell!” com todos de braços erguidos e a tradicional “mão chifrada”.

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Final apoteótico era o que estava guardado para o encore quando a banda traz à vida “Wolfshade (A Werewolf Masquerade)”, regressa a “Irreligious” com “Mephisto” e termina o concerto com “Full Moon Madness”. Muitos e fortes aplausos serviram de passadeira vermelha à saída de palco, não sem antes Fernando e Mike descerem até ao fãs onde deram autógrafos e receberam abraços.

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A celebrar 23 anos de carreira, «não se nota nada dado o nossa ar jovial», brinca Fernando, os Moonspell ganharam já, com muita luta e esforço, o seu espaço próprio no panorama da música nacional. Sem qualquer sinal de extinção, a banda mostrou garra para continuar, demonstrando possuir uma força ímpar em palco a qual transmite uma energia fora de série para o público. Que a Lua os ilumine e que nos enfeiticem …sempre!

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Na primeira parte da noite os Moonspell contaram com a presença de duas bandas convidadas. Os gregos Septic Flesh, que os acompanham na tournée “Road to Extintion”, e os portugueses Bizarra Locomotiva, convidados especiais do concerto de Lisboa.

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Liderados pelo incrível (à falta de outra palavra mais forte) Rui Sidónio, os Bizarra Locomotiva atuaram perante um Coliseu de Lisboa ainda a receber os participantes nesta noite especial, mas não defraudaram as espectativas de ninguém.

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Os fãs (aqui nos confessamos como parte dessa classe de admiradores da banda de metal industrial) tiveram a ocasião de ver em palco algumas das canções que fazem parte do excelente novo álbum dos Bizarra, “Mortuário”, como “Na Febre de Ícaro”, o pontapé de saída da sua prestação.

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Os que nunca os tinham visto ao vivo ficaram literalmente agarrados ao que se passava em cima do palco, com o vocalista imparável numa prestação, como sempre, fora de série.

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Ponto alto? Impossível não referir “O Anjo Exilado” música que constou com a já habitual participação de Fernando Ribeiro. Mais uma vez a empatia e a amizade que une ambos foi percetível através de uma interpretação, para nós, impecável.

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Com imagens do esfolado a servir de pano de fundo, os gregos Septic Flesh entraram de em palco de forma quase apoteótica. Nascidos em março de 1990, são conhecidos pelas passagens sinfónicas que incluem nas suas músicas.

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Composta por Sotiris Vayenas na guitarra, Seth Siro Anton na voz e baixo, Christos Antoniou na guitarra e Fotis Benardo, na bateria, a banda de death metal veio a Lisboa apresentar o seu mais recente registo discográfico, “Titan”, editado em 2014.

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Agradecendo aos Moonspell a oportunidade de vir tocar a Lisboa, os Septic Flesh conseguiram dar música a um público crescente em número que se sentia cada vez mais impaciente para receber os senhores da noite.

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Moonspell > Bizarra Locomotiva > Septic Flesh

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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