INDOURO Fest 2015: para recordar

Indouro Fest 2015 - Lola Colt

Nem a chuva que teimou em cair, nem a greve dos pilotos da TAP deixaram memórias. Essas foram ocupadas pelos bons concertos, pela descobertas de novos sons e pela partilha de bons momentos. Festival molhado, festival abençoado e INDOURO Fest 2015 deixou saudades.

Barry White Gone Wrong > Rated With An X > Lur Lur

Repartido por dois palcos, um no Jardim do Morro e outo na Serra do Pilar, o festival deu voz alguns dos novos nomes da música alternativa nacional, num alinhamento de luxo para quem vê os festivais como uma oportunidade de descobrir novas bandas e novos sons. As honras de abertura foram entregues aos Barry White Gone Wrong que no Palco FNAC, localizado mesmo em frente da estação da metro do Porto, deram um animado concerto. Pedindo desculpa pela falta de voz, «culpa do Alavarinho», Peter, o simpático vocalista não parou um segundo dando uma prestação devras animada que cativou o público presente. Mais sobre os Barry White Gone Wrong em https://lookmag.pt/blog/indouro-fest-2015-barry-white-gone-wrong/.

No primeiro dia do festival tivemos ainda ocasião de assistir à atuação dos Rated With An X, banda nacional que se apresentou em palco para dar boa, boa, ao público que àquela hora se ia juntando na frente de palco. Mais sobre os Rated With An X em https://lookmag.pt/blog/indouro-fest-2015-rated-with-an-x/.

Já a noite ia longa e o céu pintado de negro quando os Lur Lur subiram ao Palco FNAC. Para nós, este que é um dos melhores projetos nacionais na música alternativa que se vai fazendo cá pelo burgo, foram um dos bons momentos do festival. Em palco os Lur Lur demonstram bem aquilo que é a sua essência, uma banda com alma que vai beber inspiração a nomes como The Cure, The Jesus and Mary Chain ou Joy Division. Ali em cima, Peter e Lucinda comandam um coletivo de músicos que, com entrega e paixão, dão ao público tudo o que têm…e é tanto. Em entrevista à Look Mag, https://lookmag.pt/blog/indouro-fest-2015-lur-lur/, os Lur Lur deram-se a conhecer.

Rainy Days Factory > The Lost Rivers > Electric Litany

Com o cancelamento do concerto dos Clinic, devido à greve dos pilotos da TAP, a abertura do Palco Principal coube aos portugueses Rainy Days Factory, sobre quem podem descobrir mais em https://lookmag.pt/blog/indouro-fest-2015-rainy-days-factory/. Cientes da oportunidade de ouro que lhes surgiu, o coletivo de músicos nacionais soube agarrar o púbico dando um concerto que deixou em todos uma vontade de desvendar um pouco mais a sua música e as suas influências. Sem dúvida, um pontapé de saída cinco estrelas.

Seguiram-se os alemães The Lost Rivers que oriundos de Stuttgart conseguiram uma prestação aguerrida. Lá atrás, Izzy, a baterista, marca o compasso deste power trio que ganha uma renovada dimensão em cima do palco. A guitarra dá o toque de mestre a cada música onde a voz se vai destacando em momentos de puro deleite. Aposta ganha!

Os senhores que se seguiram dão pelo nome de Electric Litany e nasceram quando o grego Alexandros Miaris emigra para Londres, no ano de 2007. Imersos em poesia, perfeitamente conjugada com atmosferas melancólicas, pontuadas pelo silêncio e harmonizadas com melodias fantasmagóricas, os Electric Litany trouxeram ao palco principal do INDOURO Fest músicas dos álbuns “How To Be A Child And Win The War” (2010) e “Enduring Days You Will Overcome” (2014), nas quais se distinguem as influências de bandas como Sigur Ros, Joy Division ou mesmo Radiohead.

The Limiñanas > Tristesse Contemporaine > Os Príncipes

Com uma chuva miudinha a fazer-se notar, nada que estragasse a animação dos festivaleiros, as duas bandas que se seguiram eram ambas oriundas de França. Com elas trouxeram a batida que pôs todos a dançar em momentos verdadeiramente de festival alternativo, onde quem estava, estava pela música.

Foi bonito de ver e de participar nos concertos de The Limiñanas e os Tristesse Contemporaine. Estes últimos chegam de Paris e são compostos por Leo Hellden, Narumi Hérisson & Maik. Praticantes de um tango punk conseguiram agarrar o público pondo todos a mexer. Algo que já tinha acontecido com The Limiñanas, duo composto por Marie e Lionel Limiñana que ao INDOURO Fest trouxeram a sensualidade de Serge Gainsbourg e a atmosfera cosmopolita dos The Velvet Underground. Na panela musical dos franceses houve ainda espaço para o psicadelismo colorido que caracterizou os anos 60. Um fim de noite perfeito!

O segundo dia do festival começava com uma má noticia, o cancelamento dos TOY causado pela greve dos pilotos da TAP e continuou com outra menos boa novidade, a forte chuva que não deu tréguas e que caiu continuamente durante todo o dia e noite.
Com o realinhamento coube ao duo português Os Príncipes iniciar as hostilidades musicais no Palco Principal. E bem o fizeram, pois, e apesar da chuva e do pouco público, encantaram com as suas melodias. Mais sobre a banda em https://lookmag.pt/blog/indouro-fest-2015-os-principes/.

Whistlejacket > Yuck > Lola Colt

A escuridão do céu e a chuva que não parou de cair um segundo fizeram algumas mossas no segundo dia do INDOURO Fest, as quais foram largamente recompensadas pelos excelentes concertos que foram desfilando pelo palco da Serra do Pilar.
De rajada, tudo começou com os Whistlejacket que com uma enorme energia conquistaram todos com um concerto top. Seguiram-se os Yuck, que, à semelhança dos cabeças de cartaz eram dos nomes mais aguardados pelo público e que, mais importante, não desiludiram dando um bom concerto em cujo alinhamento percorreram a sua discografia interpretando clássicos e dando a conhecer uma música que irá fazer parte do próximo registo discográfico.

Com os Lola Colt tudo ganhou outra dimensão, pois para nós este foi de longe o melhor concerto do festival. Gun Overbye, James Hurst, Kitty Arabella Austen, Martin P Scott, Matthew Loft e Sinah Blohberger são os músicos que compõem este sexteto que, vindo de Londres, soube dar ao público memoráveis instantes musicais. O álbum que lançaram em 2014, o único até ao momento, granjeou junto da crítica e do público os mais rasgados elogios, todos devidamente merecidos, podemos agora confirmar. Produzido Jim Sclavunos, baterista dos Bad Seeds de Nick Cave e do projeto Grinderman, “Away From The Water” foi considerado um dos melhores álbuns do seu ano, tendo servido de base ao alinhamento do concerto da Serra do Pilar.
Os British Sea Power fecharam a noite com uma verdadeira festa musical. Terminamos como começámos, festival molhado, festival abençoado pelo que aguardamos pelo regresso do INDOURO Fest.

Ambiente

Tendo cancelado os respetivos concertos no INDOURO Fest, as bandas TOY e Clinic voltam ao Porto para compensar os fãs. Tal como prometido pela organização do festival, os dois cabeças de cartaz chegam no dia 04 de julho à cidade Invicta para um concerto duplo promovido pela Ilha dos Flamingos. Mais informações em https://lookmag.pt/blog/toy-e-clinic-no-hard-club/

A equipa Look Mag ficou hospedada no hotel ibis Budget Porto Gaia, o qual podem ficar a conhecer melhor em https://lookmag.pt/blog/ibis-budget-porto-gaia-a-escolha-certa/. Para ficar a conhecer melhor o destino, consulte https://lookmag.pt/blog/a-descoberta-de-gaia/.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

You May Also Like

Nick Cave anuncia dois concertos em Portugal

Esta é a música que Thom Yorke ouve em casa. O que acha?

PJ Harvey divulgou nova playlist no Spotify. Conheça-a aqui

SXSW anunciou a primeira rodada de artistas para a edição 2020

error: Conteúdo protegido. Partilhe e divulgue o link com o crédito @lookmag.pt