Gaerea foram ao RCA Club e tiveram os Obsidian Kingdom como companhia

Não há como negar que os Gaerea são uma das maiores revelações do universo da música nacional. E aqui não fazemos distinção entre géneros pois o universo é só um e desde que seja de qualidade toda a música tem espaço nele. A banda que nas últimas semanas tem vindo a anunciar a sua participação no alinhamento de festivais de renome por toda a Europa, veio a Lisboa despedir-se dos palcos nacionais, onde não teremos ocasião de os ver nos próximos meses. E ainda bem! A história das bandas e o seu crescimento faz-se de andar na estrada, e depois de uma pandemia que impediu isso mesmo é com alegria que vemos os Gaerea fazer as malas rumo ao estrangeiro.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

Por isso mesmo não podíamos nunca faltar ao concerto do passado dia 13 de novembro do RCA Club. Do Porto chegavam os ecos do concerto da noite anterior, tendo a banda atuado no Hard Club. As expetativas para o concerto de Lisboa estavam em alta e não dececionaram.

Ou melhor ficámos tristes apenas por dois motivos: a pouca afluência de público que perdeu um um espetáculo incrível, e o set demasiado curto, pelo menos para nós que desejamos sempre mais… cenas de fãs…

Os cerca de oito ou nove temas interpretados tiveram o condão de ter deixado quem os via pela primeira vez de boca literalmente aberta, tal o impacto que sobre eles tiveram. Impacto esse que nós percebemos bem, pois foi precisamente isso que aconteceu connosco (podem recordar aqui). A verdade é que os Gaerea estão cada vez melhores ao vivo. Os temas apresentam-se interpretados de uma forma impecável, com os músicos a darem tudo o que podem, facto que se percebe pela sua linguagem corporal, já que os rostos continuam tapados pelas suas icónicas máscaras negras.

De “Conspiranoia” a “Null” passando por “Absent” cada tema interpretado é um conjunto de riffs onde a melodia entra sem se fazer anunciar. O resultado? Canções que nos preenchem a alma, que entram pelos nossos poros e não deixam nada intacto…tudo se movimenta ao som das guitarras, do baixo e da bateria. A cereja no topo deste bolo negro? A figura esbelta do vocalista que, tal como os restantes companheiros, surge vestido de preto e máscara no rosto. Os braços pintados de preto balançam no ar cortando o ambiente como laminas que parecem fazer um bailado sem fim. O semblante magro passeia-se pelo palco como um pássaro ferido que procura abrigo. Os sinais de desespero que muitas vezes demonstra não nos permitem desviar os olhos tal a intensidade com que se nos apresenta.

Seguem-se “Lifeless Immortality”, “Urge” e “Endless Lapse” e a intensidade cresce ao mesmo nível que cresce a emoção do público. Olhando em redor vemos olhos fechados, cabelos que voam e olhos que brilham absorvendo cada nota, cada movimento, cada pedaço que os Gaerea têm a gentileza de nos dar.

A fechar “Void of Numbness” e tudo se encaixa: eles em nós e nós neles. Mais uma vez, os Gaerea souberam deixar a sua marca em todos os que estavam na sala de concertos lisboeta. Mais uma vez, a banda originária do Porto demonstrou a garra de que é feita e a grandeza que possui. O que o futuro lhes reserva não sabemos, mas sabemos aquilo que merecem para o futuro: sucesso e a certeza de que se hoje são uma das grandes bandas nacionais ,em breve serão, certamente, uma das maiores bandas do mundo. E nós só lhes podemos ficar agradecidos por nos deixarem partilhar com eles este caminho!

Vindos de Barcelona os Obsidian Kingdom atuaram depois dos Gaerea. Percebeu-se que tinham ali fãs ferranhos que de tal forma viveram o concerto que a banda no final teve mesmo de afirmar «obrigada Lisboa, este foi o nosso melhor concerto».

Uma palavra final para o Sérgio Duarte e restante equipa do RCA Club, que tal como tantos outros espaços no país tiveram de atravessar o deserto da pandemia com esforço, coragem e resiliência. Foram grandes, foram maiores e hoje merecem o nosso aplauso e que todos encham a sala nos seus eventos demonstrando o quando espaços como este são essenciais para as bandas e para a música.

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