Escritores famosos e os seus gatos: de Hemingway a Edgar Allan Poe passando por Mark Twain

“If you want to write about human beings, the best thing you can do is to keep a pair of cats”, disse Aldous Huxley (1894-1963), autor de Admirável Mundo Novo. São vários os escritores que se renderam ao amor felino. Edgar Allan Poe (1809-1849) é um dos mais óbvios, não fosse um dos seus contos mais populares sobre um gato preto, mas existem outros mais excêntricos, como Charles Dickens (1812-1870), que embalsamou a pata do seu gato predilecto, Bob, anexando-a a um abre-cartas.
Mas porque é que escritores e gatos parecem dar-se tão bem? Para Robertson Davies (1913-1995), escritor e jornalista canadiano, a resposta é óbvia: “Os escritores gostam de gatos porque são criaturas quietas, adoráveis e sábias, e os gatos gostam deles pelas mesmas razões” .

Ernest Hemingway (1899-1961)
O primeiro gato de Ernest Hemingway chamava-se Snowball. Foi oferecido pelo capitão de um navio, Stanley Dexter, na década de 1930. Snowball foi o primeiro de uma longa geração de gatos com seis dedos, portadores de uma anomalia genética denominada polidactilia. Os marinheiros acreditavam que estes gatos traziam boa sorte em viagens e que as suas patas especiais ofereciam mais balanço no mar.

Atualmente, em Key West, a pequena ilha onde o autor de O Velho e o Mar viveu, são já as dezenas de descendentes de Snowball, residentes no atual Ernest Hemingway Home and Museum. A grande maioria tem seis dedos como o seu progenitor e, mantendo a tradição começada por Hemingway, têm todos nomes de pessoas famosas.

“A cat has absolute emotional honesty: human beings, for one reason or another, may hide their feelings, but a cat does not”.

Jorge Luis Borges (1899-1986)
Jorge Luis Borges teve sempre vários gatos a acompanharem a sua vida, mas há dois, em especial, que se destacam: Odin e Beppo. Enquanto o primeiro foi buscar o seu nome ao Deus da mitologia nórdica, Beppo era o nome de uma personagem de Lord Byron (1788-1824). “Chamava-se Pepo, mas era um nome horrível, pelo que troquei por Beppo, o gato de Byron“, explicou o escritor argentino. “O gato não se deu conta da mudança e seguiu com a sua vida“.

Beppo estava sempre ao lado de Borges. Gostava de brincar com os atacadores dos sapatos e dormir no seu colo. Quando morreu, com mais de 15 anos, o autor de O Livro de Areia já se encontrava cego. A ele, Jorge Luis Borges dedicou um poema, inserido na obra La Cifra, publicada em 1981.

Edgar Allan Poe (1809-1849)
O poeta e escritor americano ficou bem conhecido pela sua eterna companheira, a gata preta Catterina. De acordo com o The Great Cat, a gata costumava sentar-se nos ombros de Edgar Allan Poe, como que a analisar a sua escrita. Quando a mulher do autor, Virginia, estava a morrer de tuberculose, Catterina fez-lhe companhia na cama até ao fim. Poe escreveu que o seu animal de estimação era “one of the most remarkable black cats in the world – and this is saying much; for it will be remembered that black clats are all of them witches”.

Catterina acaba por ter algumas semelhanças com Pluto, o gato do conto The Black Cat e uma das histórias de horror mais conhecidas do escritor. Diz-se também que a gata ficava deprimida quando ele viajava e, duas semanas após Edgar Allan Poe ter morrido, também Catterina partiu, provavelmente ao encontro do seu dono.

Sylvia Plath (1932-1963)
Sylvia Plath, romancista e poeta americana, autora do célebre livro A Campânula de Vidro, foi fotografada em criança, segurando o seu gato ao colo, de nome Daddy.

Em 2007, a obra Eye Rhymes: Sylvia Plath’s Art of the Visual foi publicada, revelando um outro lado da escritora completamente dedicado às artes visuais. É aí que se encontra “Curious French Cat”, uma ilustração adorável de um gato a espreitar por um beco. Para além disso, Plath escreveu um poema sobre aquele estereótipo bem conhecido da mulher louca que adopta muitos gatos. Chama-se Ella Mason And Her Eleven Cats e pode lê-lo na íntegra aqui.

Mark Twain (1835-1910)
Mark Twain, conhecido pela obra As Aventuras de Tom Sawyer, tinha 11 gatos na sua quinta, em Connecticut. Quando um dos seus gatos desapareceu, o escritor colocou um anúncio no New York American oferecendo uma recompensa de 5$ para quem o encontrasse. Todos os seus gatos tinham nomes únicos e característicos do humor do escritor: Sackcloth, Ashes, Billiards, Blatherskite, Satan e a sua bebé, Sin, Soapy Sall e a favorita de Twain, Sour Mash.

Em Autobiography, o autor declara que, quando ia de férias, uma das suas atividades favoritas era alugar gatos. “No início de maio aluguei um gatinho à mulher de um agricultor por um mês; consegui um desconto ao alugar três. Eles têm sido a minha companhia já há cinco meses e continuam bebés – pelos menos ainda não cresceram muito”.

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