«Escrita íntima»
A Imprensa Nacional-Casa da Moeda lançou «Escrita Íntima», obra baseada na correspondência trocada por Arpad Szenes e Maria Helena Vieira da Silva da qual constam 53 cartas de amor inéditas.
Marina Bairrão Ruivo, diretora do museu da Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva (FASVS), declarou a propósito do livro que a sua publicação é o resultado de um projeto de investigação com cerca de dois anos, incluindo a tradução e transcrição de um conjunto de missivas escritas entre ambos.
«Escrita íntima – Correspondência 1932-1961», tem coordenação de Maria Bairrão Ruivo e Sandra Santos, documentalista da Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, sendo editado em parceria com a Imprensa Nacional Casa da Moeda, com o apoio da Fundação EDP.
A correspondência agora publicada foi retirada do acervo de correspondência entre os dois artistas que a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva tem ao seu cuidado, por legado testamentário de Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), onde estão reunidos mais de 2 mil documentos provenientes da família, amigos e contactos oficiais.
O livro – com um conjunto final de 53 cartas escolhidas entre uma centena de eleitas -, foca a correspondência entre o casal produzida entre 1932 e 1961, documentando os raros e curtos períodos em que estiveram geograficamente separados. «Durante os 55 anos de uma relação intensa, foram poucas as ausências para trocar cartas, mas aconteceu, por vezes, e esses documentos revelam não só os afetos, mas outras informações interessantes sobre pintura, contactos com amigos e família, ou exposições que visitavam”, revela Marina Bairrão Ruivo, que sublinha ainda que das cartas selecionadas para o livro sobressai «a beleza da forma como partilharam esse amor».
A obra está organizada em períodos chave: os primeiros anos, década de 1930, durante a qual os artistas permaneceram separados pelas curtas estadas de cada um nos países de origem – Arpad na Hungria e Vieira da Silva em Portugal, o período do Brasil (1940-1947), que corresponde a apenas quatro meses em 1947, e o tempo que vai desde o regresso definitivo de Vieira da Silva a Paris, em fevereiro, ao de Arpad Szenes, no fim de junho desse ano.
Por: Sandra Pinto
