Cowboy Junkies no CCB


Tendo alargado os seus horizontes geográficos ao sair de Sintra e trazendo muitos dos concertos para Lisboa, o Misty Fest ganhou em público. E isso é bom. Com um cartaz absolutamente irresistível teve o seu final com o regresso a Portugal de uma banda de referência, os canadianos Cowboy Junkies. Com dois concertos agendados para Portugal, o primeiro em Lisboa e o segundo no Porto, a banda dos irmãos Timmins não deixou a fama por “nomes alheios” e deu dois concertos memoráveis. Estivemos no de Lisboa, o qual encheu de nostalgia o grande auditório do Centro Cultural de Belém.

Recebidos por uma sala de verdadeiros fãs, facto facilmente constatável no decurso de todo o concerto, os Cowboy Junkies dividiram o espetáculo em duas partes, sendo que durante a primeira deram a conhecer músicas dos quatro volumes de “Nomad Series”, o seu mais recente projeto musical e base da tournée que os trouxe ao nosso país, e uma segunda parte dedicada às canções mais antigas.

Isso mesmo explicou a vocalista, Margo, logo no início do concerto. Pouco conhecidas, as músicas de “Nomad Series” foram desfilando com extrema graciosidade pelo palco da sala lisboeta. Quase sempre precedidas de uma pequena apresentação por parte de Margo, cada uma delas teve o condão de nos mostrar o quanto a banda ainda tem para dar.

Músicas como “Piano”, “Sit Sadly”, “Stranger Here” ou “See You Around” demonstraram que o mais ambicioso projeto da banda canadiana foi, não só uma aposta ganha, como o testemunho vivo da criatividade da banda, sobretudo na pessoa de Michael Timmins, o cérebro musical por detrás de cada criação dos Cowboy Junkies.

“Late Night Radio”, “3rd Crusade”, “Damaged” e “Unanswered Letter” foram as músicas de “Nomad Series” que preencheram a restante primeira parte no decurso da qual mergulhámos todos na profundeza sonora dos Cowboy Junkies, que connosco partilharam uma certa e indelével melancolia sempre acompanhada de uma imensa criatividade, cujo expoente máximo foi “Fairytale”, música que integra o quarto volume, “Wilderness”, e que encerrou a primeira parte do concerto.

Antes do intervalo tempo ainda para Margo dar a conhecer o website da banda desafiando a que durante o intervalo o público fizesse algumas compras de Natal ali mesmo, no balcão do merchandising.

Para a segunda parte estava prometida uma viagem ao passado, a qual teve início com “Sweet Jane”, música original dos Velvet Underground (“Loaded”, 1970), revisitada pelos Cowboy Junkies que a integraram no álbum “The Trinity Sessions”, o qual foi gravado na igreja do mesmo nome em 1987 e lançado no mercado no ano seguinte. Curiosamente, para Lou Reed esta foi a melhor versão alguma vez feita de “Sweet Jane”.

Com o público ao rubro logo na primeira música, estava lançado o repto para uma segunda parte emocionante, o que efetivamente se verificou. Seguiram-se “Dreaming My Dreams With You” e “A Common Disaster” ambas interpretadas por Margo de uma forma verdadeiramente intensa e memorável. Mais de duas décadas depois, a voz de Margo surge encorpada e cheia, como se de um bom vinho se tratasse. Depois foi a vez de “Cheap Is How I Feel” do álbum de 2003, “In the Time Before Llamas”, logo seguida de “Lay it Down” faixa que deu nome ao registo gravado pela banda em 1996.

Era tempo para mais uma versão, desta feita para “Powderfinger”, música de Neil Young originalmente incluída no registo “Rust Never Sleeps”, de 1979, após a qual ficámos a saber que tanto Margo como o seu filho mais novo são fãs de Cristiano Ronaldo, ela pelos dotes físico e ele pelos dotes futebolísticos do português.

Dedicada a todas as mulheres do público, em especial às que têm mais de 50 anos (de notar que a própria Margo tem 51 anos), o alinhamento prosseguiu com “A Horse in the Country” música com a qual a banda visitou o registo de 1992, “Black Eyed Man”. Seguiram-se “My Little Basquiat e “Friday” após as quais Margo agradece a todos os membros da equipa que participaram na realização do concerto e ao público por ter comparecido. A terminar um concerto que vai, sem dúvida, permanecer na memória de quem a ele teve o privilégio de assistir, “Misguided Angel”, a música que todos desejavam, mais uma das grandes referências de “The Trinity Sessions”.

Palmas, muitas palmas, fortes e ruidosas como devem ser, de acordo com a grandeza de quem, em cima do palco, deu tão grandioso concerto, e vinha aí o encore, o qual viveu de duas músicas, ou melhor, de mais duas memoráveis canções “Blue Moon” e “Bring You Down”. No final Margo remata “o meu nome é Margo, nós somos os Cowboy Junkies, e obrigada por terem vindo”.

Leia também a entrevista aos Cowboy Junkies https://lookmag.pt/blog/a-conversa-com-cowboy-junkies/
Reportagem fotográfica com o apoio Canon Portugal www.canon.pt/
Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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