À Conversa com os autores de “Nós, os Pais”

Os pais mudaram. Eles gozam a licença de paternidade, mudam fraldas, cantam canções de embalar, levam e vão buscar as crianças à escola, vão ao pediatra e conseguem não errar a medida certa do medicamento. No entanto, há um senão nesta nova paternidade: é que as mães continuam as mesmas mães de sempre. E entre um pai e um filho há sempre uma mãe com instinto maternal, dores de parto e uma certeza absoluta sobre aquilo que é melhor para o seu filho. A relação dos pais influência a vida dos filhos. Este é o ponto de partida para este livro, perceber, ou tentar perceber um pouco melhor a relação que se estabelece hoje entre os Pais e os seus filhos.

“Nós, os Pais” é uma obra onde seis pais falam do que fizeram, fazem e querem fazer na relação com os filhos. Falam do papel das mães nesta relação e na importância de cada um na vida dos filhos. A LOOK mag lançou o desafio e quatro destes Pais responderam a um conjunto de questões em jeito de introdução ao que partilharam nas páginas do livro.

Pedro Boucherie Mendes, jornalista, escritor. Pai de dois filhos de 16 e 13 anos
Qual foi a sua reacção quando soube que ia ser Pai?
Não me lembro, mas suponho que de uma certa normalidade. Quando se casa com alguém arriscamo-nos a que seja esse o passo seguinte
O que é e como é ser Pai nos dias que correm?
Mais fácil para ele imagino eu, assim tenham pais presentes que estejam com eles de forma saudável. Hoje, e felizmente, há uma maior paridade e uma maior noção das coisas por parte de todos.
A “competição” por parte das Mães é muito grande?
Cada um tem o seu papel. Ser pai/mãe é precisamente ir descobrindo onde cada um é mais forte e mais fraco e ir adaptando a família
Na sua opinião quais os factores essenciais para que a relação Pai/Filho(a) seja a melhor possível?
Presença. Estar com eles. Tempo de quantidade, não essa treta do tempo de qualidade. Só a presença traz familiaridade
Enquanto Pai qual o seu maior desafio?
Isso mesmo, ser pai. Proteger, amar, estar.
Se os seus filhos fossem uma canção qual seria?
Isso teriam de lhe perguntar a eles. Eles são pessoas e pensam pela sua cabeça.

Alexandre Homem Cristo, jornalista e escritor. Pai de uma filha com 7 meses
Qual foi a sua reacção quando soube que ia ser Pai?
Felicidade e medo. Mas nada que nos prepare para a felicidade e para o medo que se sente depois, quando nos colocam a filha nos braços.
O que é e como é ser Pai nos dias que correm?
É o que cada Pai quiser que seja. No meu caso, é estar presente em cada momento, o que obriga a conciliar amor com um corpo quebrado pela tortura do sono — e não querer trocar isso por nada no mundo.
A “competição” por parte das Mães é muito grande?
As mulheres comparam-se muito entre elas e as incertezas associadas à maternidade potenciam que se olhe muito para o que as outras mães fazem. Há competição, claro, mas na maior parte das vezes é insegurança.
Na sua opinião quais os factores essenciais para que a relação Pai/Filho(a) seja a melhor possível?
Diálogo. Como em todas as relações, tudo se resolve conversando. No meu caso, a minha filha é muito pequena e ainda não percebe uma palavra do que digo, mas pelo menos presta atenção e a cumplicidade vai-se construindo.
Enquanto Pai qual o seu maior desafio?
Dar à minha filha todas as condições para que ela seja feliz.
Se a sua filha fosse uma canção qual seria?
“What a wonderful world”, de Louis Armstrong. Tudo é maravilhoso pelos olhos de uma menina de 7 meses que descobre o mundo todos os dias.

Henrique Raposo, investigador, cronista e escritor. Pai de duas filhas de 4 e 1 anos
Qual foi a sua reacção quando soube que ia ser Pai?
Uma alegria discreta, sem berros.
O que é e como é ser Pai nos dias que correm?
É ler o livro, ó faxavor!
A “competição” por parte das Mães é muito grande?
Julgo que sim. As mulheres estão sempre a fazer queixas, os homens não ajudam!, não deixam o Benfica para trocar a fralda!, ficam no café até tarde! Têm razão, sem dúvida, mas depois não sabem o que pensar ou fazer quando se confrontam com um pai realmente presente. Julgo que ainda sentem o seu espaço maternal invadido. Têm que resolver este dilema, porque o homem não pode ser preso por ter cão e preso por não ter cão.
Na sua opinião quais os factores essenciais para que a relação Pai/Filho(a) seja a melhor possível?
Quando percebemos que eles são filhos de Deus antes de serem nossos filhos, a relação fica mais fácil. Quando perdemos a mania que um filho tem de ser um robô controlado pelo pai, quando perdemos a ideia de que podemos moldar a 100% um ser humano, tudo fica mais fácil, fluído, feliz. Não, não é desistir de educar. Mas educar não é o mesmo que formatar a 100%. Julgo que pais e mães da minha geração querem formatar os filhos a 100% como se eles fossem tábuas rasas. Daí nasce a obsessão com as 1001 actividades que eles têm de fazer depois das aulas. Deixem os putos brincar.
Enquanto Pai qual o seu maior desafio?
Conciliar o ego profissional com os deveres de pai. O Spielberg lixou isto tudo
Se as suas filhas fosse uma canção qual seria?
A mais velha seria a sétima de Beethoven. Uma mulher bela mas tímida. A mais nova seria a quinta. Uma mulher bélica.

Paulo Baldaia, jornalista. Pai de duas filhas com 6 anos
Qual foi a sua reacção quando soube que ia ser Pai?
Yes!
O que é e como é ser Pai nos dias que correm?
A mais nobre e mais difícil das tarefas
A “competição” por parte das Mães é muito grande?
É à dimensão da sua responsabilidade. Elas são o garante da espécie humana e não têm por hábito ceder o poder.
Na sua opinião quais os factores essenciais para que a relação Pai/Filho(a) seja a melhor possível?
Amor e regras na dose certa.
Enquanto Pai qual o seu maior desafio?
Superar a frustração de estar quase sempre em segundo plano
Se as suas filhas fossem uma canção qual seria?
“What A Wonderful World” de Louis Armstrong

pais

“Nós, os Pais”
Henrique Raposo, Pedro Boucherie Mendes, António Raminhos, Paulo Baldaia, Alexandre Homem Cristo e Jorge Gabriel
Oficina do Livro

Por: Sandra Pinto

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