Capa de vinil sobre tapete vermelho – THE CLASH – LONDON CALLING (1979)

Há imensas histórias à volta deste terceiro álbum dos Clash. Muitas delas encontram-se documentadas na biografia ‘Passion Is A Fashion’, de Pat Gilbert, a maior parte são do conhecimento geral, uma boa parte não passam de histiorietas sem importância. Por exemplo, há uns anos atrás, em algumas daquelas votações que as publicações do género fazem para encher páginas no verão, ‘London Calling’ foi considerado, ao mesmo tempo, o melhor álbum da década de 70 e de 80, devido às diferentes datas de lançamento nos mercados americano e britânico.

Por Jon Marx

Este álbum marca, também, o primeiro grande momento de afirmação da banda relativamente à editora CBS que mantinha os Clash debaixo de um contrato que incluía cláusulas muito prejudiciais. A situação era tão grave que os Clash só deixaram de estar condicionados por uma gigantesca dívida à editora bem depois da banda estar extinta.

A história é bem conhecida. Os Clash, que desde o início mantiveram uma relação muito forte com os seus seguidores, decidiram oferecer aos fãs um duplo álbum com o preço de retalho aproximado de um simples LP. A CBS recusou e, após uma longa disputa e perante a intransigência da banda, decidiu que ‘London Calling’ seria editado sob a forma de um LP com um 12″ de material adicional. No final das sessões de gravação existiam 19 temas gravados. Perante nova disputa e com a noção, por parte da CBS, que o disco tinha um enorme potencial, foi decidido avançar com um duplo LP. Para preencher o alinhamento foi decidido, à última hora, incluir uma última faixa, ‘Train In Vain’, um tema que Mick Jones tinha escrito para Viv Albertine das Slits e que estava destinada a ser oferecida num flexi-disc incluído numa edição do New Musical Express. Como o negócio com o NME não se concretizou, o tema foi aproveitado para ‘London Calling’.

Como a decisão foi tomada à 25ª hora, não existe referência a ‘Train In Vain’ na contracapa do álbum, sendo nomeadas apenas 19 canções.
Outra história sobejamente conhecida tem a ver com a foto da capa, da autoria de Pennie Smith, uma fotógrafa que acompanhou os Clash ao longo de uma boa parte da carreira da banda, durante gravações de ábuns e digressões, e com acesso privilegiado aos músicos e à família de cromos que os rodeava (ver ‘The Clash, Before and After’, livro de fotos de Pennie Smith).

Inicialmente, a fotógrafa recusou a utilização da foto para a capa de ‘London Calling’, argumentando que se tratava de uma foto sem qualidade e desfocada e a edição da mesma para formato compatível com a capa de um álbum iria acentuar esses defeitos. Se Pennie Smith tem alguma razão relativamente à edição da foto (a imagem original, com a inclusão das luzes de palco, é bem mais espectacular), o tempo acabou por demonstrar que a decisão de Bernie Rhodes, o manager da banda, forçar à utilização desta foto, foi fundamental para a iconografia dos Clash. A capa de ‘London Calling’ é considerada uma das melhores da história e captura um perfeito momento rock’n’roll.

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