A minha vida num disco: Pedro Chau

Músico por vocação e paixão, Pedro Chau empresta a sua arte a bandas como The Parkinsons, Subway Riders e, mais recentemente, Ghost Hunt.

Tendo Coimbra como terra natal, cedo Pedro descobriu que havia mais mundo lá fora, pelo que, depois de se ter iniciado no universo das bandas da cidade dos estudantes com os Seventy Seven e os Tédio-Boys, embarca rumo a Londres, na companhia dos músicos com os quais viria a dar vida a uma das mais importantes bandas nacionais, The Parkinsons. É na capital britânica que se inicia como DJ, atividade que ainda hoje mantém e através da qual partilha as suas escolhas e preferências musicais com o mundo.

A minha vida num disco: Pedro Chau

Esta é uma das minhas bandas favoritas. Calhou agora escolher este disco, mas outro dia poderia escolher o terceiro, todos são importantes para mim, principalmente os três primeiros. Escolher às vezes é injusto, mas como eu sei que o que interessa aqui é transmitir o que existe de bom na música, isto acaba por ser divertido.

“Chairs Missing” é o segundo disco dos WIRE e um daqueles que marca o início do Post-Punk em 1978. Uma combinação de punk rock, psicadelismo (mais negro do que colorido), pop, noise, ambient, minimalismo, sempre tudo numa onda de experimentação típica do grupo. É preciso ter em conta que os seus membros principais (Colin Newman, Graham Lewis, Bruce Gilbert) sempre estiveram associados às artes.

O disco foi produzido por Mike Thorne, que influenciou a introdução de sintetizadores no grupo e o gosto pela música eletrónica, que cada vez mais foi estando presente nos seguintes discos. Um disco carregado de energia com temas versáteis em termos de velocidade, direção e volume. A energia do punk rock está presente mas as músicas têm mais dinâmica, são mais trabalhadas e mais introspetivas em relação ao primeiro disco.

Adoro as guitarras, a distorções que usam, os overdubs, o baixo, os efeitos atmosféricos, as vozes, etc. Conheci este disco ainda nos anos 90 através de uma cassete que o Victor Torpedo me gravou e que infelizmente já não tenho. É um disco que, apesar de me ter marcado quando conheci, só com o tempo é que me fui identificando cada vez mais com ele e a compreendê-lo melhor. Tal como o “Pink Flag” ou “154”, já é um clássico que, com o passar dos anos, creio tem vindo a ganhar mais respeito e valor. Uma obra-prima que recomendo.

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WIRE “I am the fly”

WIRE “Outdoor miner”

WIRE “Mercy”

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