A minha vida num álbum: o produtor musical, performer e DJ Lázaro Pereira

Sob o nome de Dystopic L, Lázaro Pereira lançou “Symphony of dystopia”, o seu segundo registo discográfico. As 16 músicas que o integram surgem divididas em quatro tempos: Defeat, Domestication, Caos e Rehumanization. Descobrimos tudo nesta entrevista.

A escolha de hoje é da sua responsabilidade.

A minha vida num álbum: Lázaro Pereira

Escolher um de uma vida inteira é sempre injusto. Poderia escolher um de entre muitos álbuns que foram acompanhando o meu crescimento: os de Fado e de musica etnográfica do meu pai, que rolavam aos sábados pela manhã; os de Pink Floyd, de Metallica, de Pixies, de Cure ou de AC/DC, influência direta dos meus três irmãos mais velhos; ou, da minha própria construção de gostos, como os de Nine Inch Nails, de Jean Michel Jarre, de Kraftwerk,
de Black Sabbath, de Dr Dre, ou de Sakamoto…
Mas, com este exercício introspetivo percebi que, com a devida distância, a banda sonora de um jogo é um dos marcos mais importantes da minha maneira de pensar a música. Final Fantasy VII (1997), jogo de RPG, com uma história distópica que reúne temas como as questões ambientais, as políticas autoritárias, os vícios, a guerra etc.…, basicamente a fórmula para uma boa distopia. Para além de uma trama quase tão perfeita, capaz de fazer corar grande parte de Hollywood, o jogo é abençoado por uma brilhante banda sonora, saída diretamente do cérebro do génio Nobuo Uematsu, autor da maioria das bandas sonoras das sequelas da saga. Esta banda sonora é tudo o que se procura neste tipo de trabalho, criar ambientes, personificar momentos e dar dinâmica. A música não é um mero ornamento da componente visual, faz parte do todo, sem o qual não faz sentido.
O facto de não ter uma técnica ou linguagem artística homogénea, permite-nos viajar entre uma música com uma estrutura clássica totalmente tocada por uma orquestra, como de repente mergulhamos num ambiente completamente industrial cheio de sintetizadores, de linhas de baixos fortes e uma guitarra cheia de distorção.
Este cruzamento entre instrumentos de orquestra e de sintetizadores por um lado permite a dinâmica perfeita e varrimento no espectro enorme de género musicais presentes, retirando-lhe qualquer tipo de limites e, por outro consegue fazer uma espécie de analogia ao próprio jogo, um mundo futurista, mas com elementos de um filme de fantasia medieval.
Talvez na altura, com 14 anos, não tivesse a noção de que nas minhas mãos tinha algo que romperia com os meus preconceitos impostos e influenciaria a maneira como hoje encaro a composição e produção musical, e de que 20 anos mais tarde voltaria a falar dela.
Obrigado pelo convite e deixo aqui o desafio ao leitor (se puder) de entrar nesta linda viagem que é o Final Fantasy VII (ou o Remake).

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