Yo La Tengo na Aula Magna

Nasceram em 1984 na cidade de Hoboken, em Nova Jérsia, nos Estados Unidos da América, e ao longo dos anos transformaram-se numa das mais influentes bandas alternativas do mundo.

São três os músicos que compõem os Yo La Tengo, Ira Kaplan, Georgia Hubley, mulher de Ira, e James McNew. Na noite que pela primeira vez os vimos ao vivo deram um concerto surpreendente na Aula Magna…bom, talvez devêssemos dizer dois, tal a diferença entre as duas partes que compuseram a noite!

Tudo começou pouco depois da hora agendada. Aula Magna composta no que a público diz respeito, suaves luzes de palco acesas e no palco os três músicos que arrancaram de imediato com “Ohm”, a música que inicia o mais recente registo de originais da banda, “Fade” lançado já em 2013.

Aquela que mais tarde percebemos ser a primeira parte do concerto recebeu uma interpretação acústica das canções da banda, numa “setlist” composta por músicas do último trabalho, o décimo terceiro da sua discografia, intercaladas com outras mais antigas, inclusive duas que fizeram parte do concerto que deram no nosso país no ido ano de 1992.

Atrás dos músicos o cenários era composto por três árvores. Uma imagem de harmonia que serviu de pano de fundo à música também ela harmoniosa dos Yo La Tengo…pelo menos na primeira metade do concerto, pois na segunda…já lá iremos!

Guitarras acústicas, baixo, bateria e pontuais teclados trazem até aos nossos ouvidos “Two Trains” (Fade), “Demons” (do filme “Shot Andy Warhol”, 1995), “Gentle Hour” (dos Snapper), “The Point of It” e “I’ll Be Around” (de Fade). Nas vozes e nos instrumentos os três músicos vão alternando.

O intervalo de alguns minutos serviu para por conversas e impressões em dia sobre uma banda que tem deixado a sua marca no universo da música e que não parece de todo acusar os anos de vida que efetivamente já tem. Cheios de garra, demonstraram ter ainda muito para dar, algo que já tínhamos constatado com a audição atenta de “Fade”, um trabalho que veio não só surpreender o público fiel da banda norte-americana, mas também outros ouvidos pouco habituados aos som de Ira e companhia.

E hei-nos na segunda parte, para a qual garantidamente muito não estravam preparados…No desenrolar das músicas vieram-nos à cabeças os Sonic Youth, numa agitação elétrica que não deixou ninguém indiferente!

Primeiro a suave “Nothing to Hide”, do trabalho Popular Songs (2009) que em palco perde a suavidade toda, graças às mãos de Ira Kaplan que atacam as inúmeras guitarras que lhe vão sendo entregues com uma energia voraz rumo à total distorção. Depois chega “Before We Run”, de Fade, interpretada num crescendo (a música que no regresso a casa passou no rádio arrancando um espantado “nem parece a mesma que acabámos de ouvir” a um dos membros da equipa Look Mag).

No alinhamento seguiram-se “Sudden Organ”, de “Painful”, de 1993, interpretado por um Ira em fúria absoluta, a bonita “Is That Enough”, de “Fade”, ali levada ao limite da emoção e “Tom Courtenay”, de 1995. Já não sabemos se foi nesta altura ou antes, tal a espiral de emoções pela qual estávamos a passar, que Ira lançou um raivoso “estou de camisola vermelha! Não somos uma banda gótica! Acendam as luzes!”, que deixou certamente alguém a pensar que não fez o trabalho bem feito…

Se as cadeiras da Aula Magna fossem um pouco mais confortáveis, talvez não sentíssemos nesta altura do concerto que dávamos tudo para estar de pé…compensou o desconforto o facto de no palco o Yo La Tengo estarem a interpretar ferverosamente “Little Honda”, de 1998, seguida de “Ohm” que surgia agora numa versão bem mais elétrica do que a da primeira parte e que se prolongou e bem no tempo, tal como no tempo se prolongou a interpretação de “Pass The Hatchet, I Think I’m Goodkind”, de 2006. Cerca de uns impressionantes 15 minutos onde o baixo de James McNew se manteve roboticamente impecável! Impressionante mesmo!

Antes dos dois encores que decorreram tipo discos pedidos, tempo para “Frenzy”, de 1966, e “Big Day Coming”, de 2005. Na verdade, Ira Kaplan teve razão quando respondeu a uma pessoa do público que pedia a canção “The Story of Yo La Tango”, com um “este concerto já é a história dos Yo La Tengo”.
E que história, ou melhor, que concerto!

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Vitor Barros

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