Vodafone Paredes de Coura Dia III dedicado à diversidade

Ao terceiro dia muita adrenalina para colocar fora perante a confirmação de nomes que muitos ansiavam por cá. Mas vamos por partes.

Smartini > Lucy Dacus

Os vimaranenses Smartini actuaram no palco Vodafone.FM dando inicio ao dia. Com a sua música imponente e uma sonoridade meio grunge, a banda tentou cativar o ainda pouco publico que ali se encontrava. Ruído sempre presente que nem por isso abafou a qualidade das suas melodias. Boa qualidade para um rock barulhento que nã deixou ninguém indiferente.

Antiga estudante de cinema na Universidade Commonwealth de Virginia, Lucy Dacus encontrou o seu mundo na música. Ao Vodafone Paredes de Coura trouxe o seu álbum de estreia, “No Burden”, de 2016, dando especial enfoque no alinhamento a “Historian”, editado dois anos depois. Canções carregado de objectivos alcançados, emocionantes declarações e momentos de paz que foram dificilmente conquistados. Tudo isto encantou o público.

Imarhan > Kevin Morby > Frankie Cosmos

A world music fez-se representar nesta edição com uma banda oriunda da Argélia. O rock berbere dos Imarhan (relembre aqui a sua actuação na Music Sessions)que actuam ostentando as vestes típicas da sua região, trouxe até nós os ritmos do afrobeat, as guitarras desérticas, combinados com um instrumento de percussão idiossincrático, cujo som dá forma à base rítmica da sua música. Ao festival os Imarhan trouxeram canções que pedem para ser dançadas. O público não se fez rogado e obedeceu ao pedido.

Kevin Morby marcava agora o seu regresso ao festival. O inicio da sua prestação foi dedicada a “City Music”, pontuado por um som expansivo o qual se evidenciou na canção que dá titulo ao registo discográfico. A toada de “1234” é a testemunha perfeita da maneira como Kevin harmoniza as quase baladas com toadas mais agitadas. “Aboard My Train”, do mais recente álbum, enche o anfiteatro de Coura de uma sonoridade estonteante que muito nos agrada. Excelente guitarrista, Kevin afirma «I love Portugal» e temos a certeza que o sentimento é reciproco. Relembre aqui um pouco da sua actuação.

Frankie Cosmos no palco Vodafone.FM surpreendeu com um indie rock dono de uma estrutura que tanto nos agita como depressa nos acalma. Frescas e curtas as suas canções chegaram ao público certeiras. Aos comandos Greta Kline. A acompanhá-la um baixista e um baterista. «Este é o único festival do mundo em que conseguimos tocar três solos seguidos com o público a ouvir em silêncio, atentamente», referiu de forma agradecida. Pelo meio do silêncio as palmas faziam perceber que havia simbiose entre banda e público, e isto é Coura.

DIIV > …And You Will Know Us by the Trail of Dead

Os DIIV deram seguimento ao festival no palco principal. Autores de dois álbuns mostraram alguma surpresa ao afirmar, «It’s been a while since we’ve felt this popular». Música post-punk, de onde sobressaem as guitarras muito década de 90 com laivos de dream pop, inundaram as margens do Taboão. Canções muito fáceis de agradar, como “Under the Sun” ou “Doused” deram ao concerto um agradável ambiente, enquanto no ecrã passava um filme repleto de referências. “Make DIIV cool again” era o objectivo. Se o vão conseguir? Achamos que sim. Relembre aqui um pouco da actuação.

Subida a colina, era muita agitação aquilo que já se fazia sentir no Palco Vodafone FM. O motivo? O regresso dos …And You Will Know Us by the Trail of Dead. Oriundos do Texas, os Trail of Dead vieram apresentar no festival o seu post-hardcore. No público muitos moshes, o que dá sempre um ar muito fixe ao festival que assim consgue congregar muitos. Actuação plena de energia, povoada de canções poderosas e muita, mas mesmo muita animação. “This is the best festival in the world”, revela o baixista Autry Fulbright, afirmação com a qual não podíamos estar mais de acordo. A dinâmica em palco é peculiar pois os músicos vão-se revezando na bateria, na guitarra e na voz. Relembre um pouco da actuação aqui.

Slowdive > Skepta

Não são muitas as bandas que tantos anos anos, cerca de 20, depois de se terem separado regressam com tanta pujança. Isso aconteceu com os Slowdive. As canções dream pop e o shoegaze souberam lidar com o passar do tempo, ganhado em corpo e presença. desta forma, conseguiram agradar aos mais velhos, fazendo ainda as delicias dos jovens que hoje as vão descobrindo. Do novo álbum sobressai “Sugar for the Pill”e “Slomo”. Um som límpido e cristalino coo a água deixou todos encantados. Neil Halstead e Rachel Goswell cantaram aos nossos ouvidos, acompanhados pelas guitarras que distorciam o momento, transportando todos para outra realidade.

O único espectáculo de hip hop desta edição foi de Skepta. O rapper britânico subiu ao palco na companhia de um DJ. Oriundo da cena grime, trouxe os baixos ribombantes e uma energia extravagante. A agitação na frente de palco era grande dando origem a um dos momentos mais intensos de toda a edição. Skepta pratica um rap eficaz que não deixa indiferentes os amantes do hip hop. Isso viu-se bem em Coura. De tal forma a excitação tomou conta do público que, por momentos, o concerto teve de ser interrompido porque alguns fãs mais, digamos atrevidos, atiraram objectos para o palco. No final tudo correu bem, e todos sairam muito felizes…e suados.

Pussy Riot

Quando foram anunciadas as Pussy Riot passaram a ser um dos maiores desejos do público de Coura, todos as queriam ver. Mundialmente conhecidas pelo activismo político, a banda russa apresentou a sua mensagem anti-ideológica perante uma plateia imensa. Muitas dedicatórias, especialmente a pessoas presas por motivos políticos na Rússia. Tudo naquele momento foi estranhamente estranho, sobretudo a música, com enfoque num pop ultra estridente. Relembre aqui um pouco da actuação.

Imarhan

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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