Vodafone Paredes de Coura 2018 Dia IV aqui somos felizes

Derradeiro dia de mais uma edição inesquecível do nosso festival do coração. As promessas de um regresso são muitas no meio de concertos memoráveis.

Keep Razors Sharp > Myles Sanko

Último dia em Coura. Palco VodafoneFM recebe os Keep Razors Sharp. Incríveis como sempre, mesmo com Rai magoado devido a uma queda, a banda deu um concerto intenso e cheio de emoção. “Lioness” e “By The Sea” fizeram parte do alinhamento que foi percorrendo uma carreira bonita.

No palco Vodafone era a soul de Myles Sanko, que trazia amor ao Taboão. A voz crua e poderosa de Myles Sanko, um dos maiores nomes da música soul actual, trouxe o jazz, soul e groove à 26.ª edição do Vodafone Paredes de Coura. Oriundo do Gana, o cantor consegue aliar leveza e força nas suas canções, transmitindo com elas mensagens de optimismo e esperança. A inspiração foi buscá-la toda às maiores vozes das décadas de 60 e 70.

Dear Telephone  > Curtis Harding

Dear Telephone chegaram de perto, da vizinha cidade minhota de Barcelos. O nome foram buscá-lo a uma curta-metragem de Peter Greenaway, um dos nosso realizadores preferidos, já agora. Nasceram em 2010 e oito anos depois chegam ao palco Vodafone FM do festival minhoto para nos encantar com belas composições musicais. Graciela Coelho, André Simão, Ricardo Cibrão e Pedro Oliveira apresentam em palco as subtilezas do formato canção numa sonoridade que é cada vez mais expansiva e directa, resultando lindamente num concerto de fim de tarde. “Cut”, editado em 2017, serviu de base ao alinhamento.

No palco Vodafone, Curtis Harding apresentou um rock revivalista harmonizado com a soul de Marvin Gaye e uns pozinhos de Funkadelic. Harding sabe captar a atenção do público dando sobretudo um cariz muito jazz às sua composições, factor que tem em Jeremy Gale, o multi instrumentista que o acompanha, um valor acrescentado pois seja no clarinete, saxofone ou teclado a sua contribuição traz aquele tom peculiar a cada canção. “I Need Your Love” deu por findo um concerto que se destacou pela elegância interpretativa.

Silva > Big Thief

O cantor, compositor e produtor Silva chegou ao palco Vodafone FM pelas 20h30, já a noite ameaçava chegar a Coura. Num concerto bastante celebrado, ouvimos um alinhamento onde as referências estrangeiras se mistura com a electrónica da música brasileira. Multi instrumentista natural do Brasil, Silva foi nomeado em 2017 para o Grammy Latino em duas categorias: melhor canção em língua portuguesa e álbum do ano. Do alinhamento fez em “Silva Canta Marisa”, o seu ultimo registo, o ancoradouro certo.

Já a lua beijava o Taboão quando os Big Thief chegaram ao palco Vodafone. Canções simples que nos enchiam a alma cantadas por Adrianne Lenker, faziam da plateia ampla e vasta de Coura um espaço de intimidade e partilha. Do trabalho Capacity, destacamos “Mary” ou “Mythological Beauty”. A vocalista conversou com o público, lamentando a ausência de Buck Meek, o outro guitarrista da banda.

Yasmine Hamdan

Elemento do duo Sapkills, Yasmine Hamdan é por muitos considerada um ícone da música underground. Oriunda do Líbano, foi na sua capital, Beirute, que deu os primeiros passos na música e onde anos mais tarde nasceria o duo, o primeiro de indie electrónico a nascer no Médio Oriente. Yasmine ganhou visibilidade enquanto cantora, compositora e actriz, sendo que ao palco Vodafone FM trouxe um alinhamento exemplificativo daquilo que faz e onde pontua a ligação às tradições da música árabe. As estrutura e arranjo de cada tema transportam sonoridades electrónicas vindas do universo pop, marcando presença o folk ocidental contemporâneo. Lançado em 2017, “Al Jamilat”, o seu mais recente registo discográfico, deu a base ao alinhamento o qual deu a oportunidade única a todos de poderem deliciar-se com as suas composições.

Dead Combo

Dead Combo eram para nós um dos grandes momentos da noite e de facto não desiludiram. Com a tarefa algo dificultada pois a seguir a eles actuariam os Arcade Fire, souberam estar à altura agarrando desde o primeiro instante até os mais jovens que se encontravam ali sobretudo para ver o cabeça de cartaz da noite. Num formato diferente de habitual, com Quintino no contra-baixo, Gui e Gonçalo Prazeres no saxofone e Alexandre Frazão na bateria, a banda saiu ganhadora de uma noite já de si intensa e cheias de grandes prestações. Apesar da doença que assola Pedro Gonçalves, o qual se mostrou incrível na sua prestação, Odeon Hotel, o mais recente registo discográfico da banda e nome da tour, foi tocado de uma forma irrepreensível. Mark Lanegan acompanhou-os num momento absolutamente inesquecível.

Arcade Fire

Win, Régine Chassagne, William Butler, Richard Reed Parry, Tim Kingsbury, Jeremy Gara, Sarah Neufeld, Tiwill Duprate e Stuart Bogie são os Arcade Fire. Uma loucura de instrumentos e aparelhos enchiam o palco como que a prometer aquilo que pouco depois se concretizou: momentos de pura magia possuidores de uma força sobrenatural e incrível. Um público devoto fez-se apresentar no festival pelo ainda não tinha começado o concerto já a festa estava garantida. “Neighborhood #3 (Power Out)”, “Rebellion (Lies)”, “No Cars Go”, “Intervention”, “Ready to Start”, “Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)”, “Reflektor” (com Régine no topo da regie a dançar), “Afterlife” foram alguns dos muitos pontos altos do concerto.

O encore com “Wake Up” foi cantada em conjunto pela banda e o seu público. Confetis e balões enchem o anfiteatro de Coura ao som de “All My Friends”. Foi bonita a festa. Em 2019 cá estaremos para voltar a celebrar a amizade e a música. Relembre aqui e aqui um pouco da actuação.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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