Muito calor num segundo dia que se avizinhava também quente no que a concertos diz respeito. As nossas expectativas não estavam erradas com os Shame a darem uma das melhores prestações desta edição.

Vodafone Paredes de Coura 2018. Dia II. Num dia de sonho os Shame brilharam

Muito calor num segundo dia que se avizinhava também quente no que a concertos diz respeito. As nossas expectativas não estavam erradas com os Shame a darem uma das melhores prestações desta edição.

Fugly > X-Wife

Chegaram do Porto para abrir o cartaz deste segundo dia. Dão pelo nome de Fugly e deram um grande concerto no palco Vodafone FM. O alinhamento fizeram-no vibrar todo em cima do seu registo discográfico de estreia, Millenial Shit. Muita energia e animação por parte de uma banda que tem certamente muito para dar ao universo musical cá do burgo. Sem dúvida, uma exclente forma de começar o segundo dia.

As honras de abrir o palco principal do festival couberam igualmente a uma banda oriunda do norte, mais propriamente do Porto. Bem conhecidos do público, os X-Wife chegaram para apresentar um novo trabalho balançando o alinhamento entre temas novos e outros mais antigos. Tendo começado a sua existência aqui mesmo, em Paredes de Coura, em 2003, como bem recordou João Vieira, os X-Wife estavam em casa, fazendo as delícias dos muitos que por ali estavam para os ouvir.

The Mystery Lights

Depois de terem passado por uma das Vodafone Music Sessions, os californianos The Mystery Lights tiveram alguns problemas técnicos no início da sua prestação, os quais, depois de prontamente resolvidos, em nada interferiram com a sua actuação. Poderosa e animada, deram um bom seguimento aos Fugly. Donos de uma elevadíssima energia, em especial o intrépido vocalista, Mike Brandon, os The Mystery Lights cativaram o público pondo todos a mexer com um alinhamento imparável do qual fizeram parte “Flowers in My Hair, Demons in My Head”, “Too Many Girls” e “Too Tough to Bare”.

Shame

Eram uma das nossas grandes apostas para esta edição. De facto, os Shame não defraudaram e deram, a nosso ver, um dos melhores concertos do festival. Songs of Praise, o seu albúm de estreia considerado por muitos como um dos melhores de 2018, serviu de pretexto a uma prestação esplosiva que nos trouxe à memória Johnny Rotten dos sex Pistols e dos PIL. A postura provocatória e o ar altivo com que Charlie Steen atira as cançõas literalmente à cara do público fizeram valer a comparação e mereceram pela nossa parte a nossa total devoção. Se já eramos fãs, mais ficámos. “The Lick”, “Concrete” e “Gold Hole” foram alguns dos temas de um alinhamento impecável que deixou a banda e o público em perfeita e explosiva sintonia. Crowdsurfing sem parar não só por parte do público, mas também do vocalista que por diversas vezes se atirou literalmente nos braços da plateia. Que regressem, é o que pedimos, pois imaginamos já um concerto no minimo, agitado, mesmo ao jeito daqueles que nos enchem as medidas.

Japanese Breakfast > The Legendary Tigerman

Indie pop experimental foi o que os Japanese Breakfast trouxeram a Coura. De origem coreana e com um penteado à Björk, Michelle Zauner lidera a banda que tinha como intuito dar a conhecer ao público nacional o seu mais recente registo de originais, Soft Sounds from Another Planet. Correu tudo como previsto, com os músicos a conseguirem cativar o público com as suas melodias frágeis a ganhar nova vida ali mesmo, ao vivo e a cores. Antes de nos afastarmos rumo ao jantar, tempo para ouvir a cover de “Dreams” dos Cranberries.

Acompanhado de Paulo Segadães na bateria, João Cabrita no saxofone e Filipe Rocha no baixo, The Legendary Tigerman deu um concerto incrível. Da guitarra de Paulo Furtado jorrava o mais puro e electrizante rock n’roll. Da parte do público um feedback de muita entrega e muito amor rumo ao palco. Lá de cima chegava energia em dose brutal para que ninguém ficasse indiferente ao amor que Tigerman sente por Coura e que Coura sente por ele. “Black Hole”, “Naked Blues”, “Fix of Rock n´Roll” e a clássica “These Boots Are Made for Walkin’” fizeram parte de um alinhamento de perfeita homenagem ao poder da música. Comunhão perfeita que testemunha que o rock está bem e recomenda-se.

Surma > Fleet Foxes

Não há quem fique indiferente à música de Surma. A beleza e harmonia com que junta as notas, fazem com que cada canção se apresente como um pedacinho de céu. Em Coura foi ainda mais bonito, com a perfeita relação entre artista e público a dar a certeza de todos estarem em harmonia. A mesma harmonia com que Surma toma conta dos nossos corações, fazendo com todos os elementos do público se sintam parte integrante do espectáculo e das melodias.

Ao Palco Vodafone era a vez de chegarem os Fleet Foxes. Recebidos por uma onda de aplausos, também eles não deram tréguas ao coração e às emoções fazendo desfilar pelo anfiteatro de Coura um conjunto de músicas numa noite absolutamente memorável. “Grown Ocean”, “White Winter Hymnal” e “Ragged Wood” foram as primeiras a encher o festival de muita emoção. Robin Pecknold apresenta-se como um frontman maduro e experiente surgindo como o elemento aglutinador da banda. “Mykonos” e “Mearcstapa” seguiram-se no desfile. Para o fim estavam guardadas três das mais emblemáticas canções da banda, “Third of May/Ōdaigahara”, “Tiger Mountain Peasant Song” e “Helplessness Blues”. Muita beleza e emoção num dos momentos mais bonitos que já tivemos ocasião de viver em Coura.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

 

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