Vodafone Paredes de Coura 2015 Dia III

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Muita ansiedade para este terceiro dia de festival pois mais uma vez o cartaz prometia grandes prestações. No fim da noite tudo se resumiu a isso mesmo, uma mão cheia de bons concertos e muita felicidade no ar.

Nicole Eitner and The Citizens > X-Wife > Grupo de Expertos Solynieve

De origem alemã, coube a Nicole Eitner as honras de inaugurar o Palco Vodafone FM. Acompanhada pelos The Citizens, a cantora trouxe uma aura de paz e beleza pura a este início de terceiro dia. Com pouco público ainda no recinto, Nicole conseguiu ir atraindo cada vez mais pessoas para a beira do palco onde ia dando a conhecer a sua arte.

Foi na companhia do filho, a nova geração de Paredes de Coura, que nos cruzámos depois do concerto com João Vieira dos X-Wife. Minutos antes assistimos pela segunda vez este ano à atuação da banda que depois de um interregno regressou às lides musicais. «Keep on dancing» e «On the Radio» puseram todos a dançar, muitos puderam assim matar saudades de uma das bandas mais acarinhadas da cena rock nacional. Durante os cerca de 40 minutos em que estiveram em palco, o coletivo de músicos portuenses mostrou uma enorme felicidade por regressar ao festival 12 anos depois de por cá ter atuado.

No palco Vodafone FM era o de folk-rock dos espanhóis Grupo de Expertos Solynieve que fazia mexer. Donos de uma enorme simpatia e praticantes de uma música cuja energia era absolutamente contagiante, o coletivo soube animar os festivaleiros que ali iam chegando.

Allah-Las > Waxahatchee > Mark Lanegan

Eram uma das bandas que mais desejávamos ver no festival e em nada nos desiludiram. Vindos da sunny Califórnia os Allah-Las liderados por Miles Michaud encheram-nos as medidas com o seu garage rock. Mas não fomos só nós a gostar deste kind of surf rock pois eram muito os que se iam juntando perto do palco para dançar ao som das melodias da banda liderada por Miles Michaud. Melodias simples e curtas ideais para colorir o final da tarde.

Por aquela hora já os Waxahatchee atuavam no palco Vodafone FM, brindando todos com as suas canções folk-rock. Liderados pela cantautora Katie Crutchfield apresentaram o terceiro álbum, “Ivy Tripp”, editado em janeiro último.

Só quem nunca o viu ao vivo é que podia não estar á espera de um grande concerto. Falamos de Mark Lanegan, personagem inigmática do universo musical norte-americano que neste regresso a Portugal deu um concerto fascinante. Espantem-se quem nunca com ele privou se dizermos que este foi um dos concertos mais comunicativos que dele vimos, pois vezes houve em que nem uma palavra disse. Mentor da cena grunge de Seattle foi juntamente com a sua banda, Screming Trees um dos impulsionadores do movimento que teria como ponta de lança os Nirvana.

Foram 60 minutos de intensidade plenos de emoção com a voz rouca e cavernosa de Lanegan a inundar o recinto belíssimo de Coura. “Harvest Home”, “No Bells on Sunday” , “Hit the City”, “Riot in my House” e “A vibe depechemodiana” serviram de entrada à maravilhosa interpretação de “Atmosphere”, dos Joy Division e à fabulosa “The Gravedigger’s Song” a fechar em grande.

Merchandise > Charles Bradley and his Extraordinaires > The War on Drugs

Carson Cox, David Vassalotti e Patrick Brady são os Merchandise. Os californianos inundaram o palco Vodafone FM com uma rock aliciante. Nesta sua segunda incursão por território nacional, os Merchandise apresentaram um alinhamento composto por músicas animadas e energéticas as quais puseram todos a dançar e a bater, compassadamente, palmas. Uma festa!

Há na equipa da Look Mag um fã confesso de James Brown pelo que estava avisado quando o concerto de Charles Bradley começou. A verdade é que por muito avisdao que estivesse, à primeira audição da voz forte e intensa de Bradley o comentário foi «brutal!», sensação que todos os que estavam no anfiteatro natural do festival partilharam. Vindo da Florida e tendo iniciado a sua carreira a fazer covers do acima referido James Brown, o cantor inundou o recinto com um soul e um R&B poderoso ao qual juntou doses industriais de simpatia e humildade. “I love you. If you wouldn’t be here there was no me”, afirmou o cantor quando entrou em palco por entre lágrimas de emoção. De origem humilde, Charles Bradley deu um concerto intenso de 60 minutos mas que foi pouco para o público que emocionado se entregou sem reservas. “Eu não quero saber do vosso credo ou da vossa cor, eu só quero saber do vosso coração” diz o cantor resumindo a amplitude do seu carisma e marcando um dos mais belos momentos que já vivemos em Paredes de Coura.

Terminámos a nossa noite ao som dos The War On Drugs, banda que vinda de Filadelfia veio dar ao festival um elegante toque de rock indie. Não tendo sido fácil para eles suplantar a emoção do concerto anterior, os norte-americanos conseguiram que o povo levantasse o pé do chão dançando e animando o resto da noite. Falhou talvez um pouco mais de interação com o público, de resto, perfeito.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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