Vodafone Paredes de Coura 2015 Dia II

The_Legendary_Tigerman-Lookmag_pt00

E ao segundo dia o sol brilha no céu de Paredes de Coura. No rio eram muitos os que se procuravam refrescar enquanto se iam fazendo apostas sobre qual seria o concerto da noite. O cartaz era novamente de luxo pelo que as hipóteses eram muitas. Pela nossa parte o pódio teve vários primeiros lugares o que só demonstra a tremenda qualidade do alinhamento deste ano do Vodafone Paredes de Coura.

Hinds > peixe : avião > Pond

As espanholas Hinds, donas de uma imensa simpatia, abriram as hostilidades musicais no palco Vodafone FM. Com as suas canções melódicas, voltaram a encantar o público que àquela hora se ia aninhando para as ver. Confirmação dos que já tínhamos visto no Vodafone Mexefest do ano passado, as Hinds souberam dar um bom pontapé de saída a este promissor segundo dia de festival. No final tiveram ainda tempo para dar autógrafos aos muitos fãs.

No palco principal era hora dos portugueses peixe :avião darem provas daquilo que todos já sabemos, são uma excelente referência para a música que se faz hoje em Portugal. Não se assustando com o tamanho do anfiteatro que à sua frente se estendia, a banda oriunda de Braga agarrou bem o público, dando-lhe motivos válidos para os ficar a ouvir. Se não foram surpresa para quem já os conhecia, foram-no certamente para outros que ali tiveram o primeiro contacto com o seu indie rock.

Não foi fácil chegar perto dos Pond que no palco Vodafone FM deram um concertão. «Waiting Around for Grace» e os australianos conquistam o público que durante todo o concerto não parou de dançar numa ondulante e cativante onda psicadélica. «You Broke My Cool» faz com que todos cantássemos a uma só voz e a emoção que só este festival carrega caiu literalmente somos todos nós. Sim, é também esta energia mágica que faz deste um festival especial. «Man It Feels Like Space Again» dá nome ao mais recete registo da banda e serviu de mote a mais um momento único entre o público e os Pond. Apostamos que em breve sobem para um palco maior. Público e qualidade para isso não irá certamente faltar.

Steve Gunn > White Fence > Father John Misty

Ex-companheiro de banda de Kurt Vile, Steve Gunn foi o senhor que se seguiu no Palco Vodafone. Não lhe faltando obviamente qualidade musical, a nós não nos encheu as medidas, mas festival é mesmo assim: música para todos os gostos e feitios. Uma nota para a bateria que se revelou um elemento de destaque em todo o concerto.

Regressamos ao Palco Vodafone FM na exata hora em que White Fence dava início ao seu concerto. Punk rock intenso pontado por puras descargas elétricas trouxeram a tal adrenalina de volta ao festival. As canções agressivas e de alguma forma provocatórias originaram novo crowdsurfing! Mais uma vez o palco foi pequeno para todos, o que é bom sinal, é sinal de que o alinhamento deste que supostamente seria o palco secundário era também ele poderoso e de grande qualidade.

Se havia nome que nos gerava uma enorme curiosidade em ver ao vivo era o de Father John Misty e não saímos defraudados das expectativas. Absolutamente um animal de palco, Joshua Tillman, o nome por detrás da vedeta, revelou-se elétrico e imparável. Dono de um vozeirão fora de série, o norte-americano agarrou sem dó nem misericórdia o público que perfeitamente hipnotizado pela sua performance não descolou os olhos do palco. Fazendo desfilar por Coura temas dos seus dois álbuns (brilhantes diga-se a bem da verdade), Father John Misty assentou arraiais nos corações das 25 mil pessoas que enchiam o recinto. Como um pastor do rock, Father John Misty evangelizou-nos a todos com canções memoráveis como «Bored In The USA», «Fear Fun» ou «I Love You, Honeybear» que permaneceram na nossa mente como intemporais.

Iceage > The Legendary Tigerman > Tame Impala

Ainda a planar com a atuação de Father John Misty, subimos o monte rumo ao Palco Vodafone FM onde estavam já instalados Iceage. Não sendo a sua estreia no festival, já por lá os tínhamos visto em edição anterior, os dinamarqueses conseguiram dar, novamente, um grande concerto, cheio de dark forces que intensamente invadiram os corpos do imenso público que na plateia se juntou para os ver. Elias Bender Rønnenfelt, o vocalista não parou. Ele subiu às colunas, ele gritou, ele pulou, ele correu numa atuação incrível plena de garra e muita, muita raiva. Apresentando maioritariamente temas do mais recente registo de originais “Plowing into the Field of Love”, percorreram também os dois discos anteriores “New Brigade” e “You’re Nothing”.
Já sabíamos que ia ser grande, mas a verdade é que Paulo Furtado conseguiu ainda ser maior, pois durante a hora que esteve em cima do Palco Vodafone demonstrou a vitalidade que faz The Legendary Tigerman um dos projetos maiores da música acional. A prestação do português só pode ter surpreendido quem nunca o viu ao vivo, pois se existe verdadeiro rocker em terreno musical nacional esse rocker é ele. «Neste regresso a casa», como referiu, o músico de Coimbra rendeu-se ao público que numa troca sincera de interesses a ele se rendeu de volta. Depois foi o acontecer de um concerto que vai certamente ficar na história do festival como um dos melhores. Com Paulo Segadães na bateria, Furtado contou com a ajuda preciosa de João Cabrita no saxofone, sendo que entre os dois se assistiu a um diálogo por vezes intenso, por vezes rude, por vezes carnal. Já por aqui empregámos a palavra magia e voltamos a ir buscá-la para caracterizar o concerto de The Legendary Tigerman pois isso mesmo que aconteceu em palco, magia. Uma referência a «These Boots Are Made For Walkin», original de Nancy Sinatra que Furtado adaptou magistralmente aquando do projeto de boa memória “Femina” e que em Coura pôs todos a dançar.

Eram quase uma da manhã quando os tão aguardados Tame Impala fizeram a sua entrada em palco. Sob uma torrente de palmas os australianos entram em palco. Kevin Parker guiou os companheiros rumo à felicidade, deles e acima de tudo nossa que tivemos ocasião de assistir a um concerto intenso. Relativamente às vezes anteriores em que os vimos atuar (três para sermos exatos), temos a dizer que esta foi a vez em que se mostraram mais à vontade. Seria pelo espaço maravilhoso onde estavam ou pelo público que tão carinhosamente os acolheu, a verdade é que os Tame Impala não se fizeram rogados e até um encore não programado nos deram com «Nothing That Has Happened So Far Has Been Anything We Could Control». «Mind Mischief», «Eventually», «Alter Ego» ou «Apocalypse Dreams» transportaram o público para um universo paralelo povoado por estrelas brilhantes e galáxias imponentes. Se estavamos um pouco apreensivos quanto à apresentação ao vivo das músicas do novo álbum de originais, a verdade é que os Tame Impala conseguiram que cada uma delas ganhasse ainda mais força e power o que nos cativou ainda mais. “So far this is our biggest crowd and our best concert in Portugal!”, afirmou o vocalista visivelmente feliz.

No fim da noite saímos do maravilhoso recinto do festival com a alma cheia de bons concertos, excelentes prestações que colocaram tantos sorrisos nas pessoas com quem nos íamos cruzando. Tudo indicava que o dia seguinte ia ser ainda melhor.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

You May Also Like

As 15 melhores músicas de 2018 by Filipa Moreno

WoodRock Festival anuncia 7.ª edição

Festival Laurus Nobilis 2019 apresenta cartaz

IDLES no Lisboa ao Vivo e a luta continua

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


*