Vodafone Paredes de Coura 2016 Dia IV Com um brilhozinho nos olhos

O quarto e último dia é sempre o mais ambíguo do festival. Nestas 24 derradeiras horas o cansaço começa a pesar, assim como o sentimento de que está quase a terminar aquele festval que desde há mais de seis anos faz parte da nossa vida familiar. Não é fácil dizer adeus, pelo que para nós será sempre um até já, até 2017, se não for antes.

Grandfather’s House > The Last Internationale

Seis da tarde e os portugueses Grandfather’s House subiam ao Palco Vodafone FM para mostrar a garra com que são feitos. Para quem não conhece aqui vos dizemos que nasceram em 2012 enquanto one-man band pela mãp de Tiago Sampaio, resposnável pela voz, guitarra, bombo e tarola. No ano seguinte, Rita Sampaio, irmã de Tiago, entra para a banda com a responsabilidade de lhe dar uma voz feminina. Hoje é igualmente responsável pelos teclados. O último elemento a entrar foi João Vítor Costeira e com ele a bateria. Em palco os Grandfather’s House conseguem dar um concerto cheio de energia, destacando-se a belissima voz de Rita. Com muita elegância, a banda mostrou ser portadora de uma tremenda qualidade.

Meia hora depois era chegada a altura de, dois anos depois, nos voltarmos a cruzar com os The Last Internationale. Oriundos de Nova Iorque, a banda apresentou um alinhamento onde a presença do hard rock, do pós-grunge, do metal e do rock alternativo se fez sentir. Com letras repletas de consciência social, a banda demonstra em palco ser detentora de uma energia poderosa à qual ninguém fica indiferente. Liberdade é o mote. Liberdade é o que os The Last Internationale podem para todos. Comandados pela voz de Delila Paz, conseguiram dar um dos concertos mais cativantes do dia. “Este banner mata fascistas” podia ler-se no ecrã por detrás da banda, pelo qual passaram imagens da Revolução de Abril. A Edgey Pires, o luso descendente que integra os The Last Internationale, coube agradecer na língua de Camões a presença do público. Curiosamente no dia seguinte encontrámos os membros da banda em Vila Praia de Âncora, num tranquilo passeio à beira-mar.

Filho da Mãe e Ricardo Martins > Capitão Fausto

Filho da Mãe e Ricardo Martins vieram ao Vodafone Paredes de Coura mostrar a sua “Tormenta”. O registo discográfico conjunto editado no início do ano apresenta um conjunto de belíssimas melodias que tocadas ao vivo ganham um colorido renovado apresentando ao público diferentes camadas de texturas musicais. Algo impressionante dado o facto de o diálogo ser apenas entre uma guitarra e uma bateria. No público muitos foram os surpreendidos, como foi o caso de dois dos membros dos Portugal. The Man, que assistiam ao concerto e que se mostraram deveras fascinados com o que se passava em cima do palco.

Demonstrativo da sua crescente fama junto das camadas mais jovens do público festivaleiro, os Capitão Fausto foram os senhores que se seguiram no Palco Vodafone. Pela relva muitos fãs fizeram questão de acompanhar a sua banda, cantando com ela e batendo palmas, em absolutos momentos de comunhão. Em cima do palco, Tomás e companheiros davam provas de uma crescente maturidade musical trazendo ao Vodafone Paredes de Coura um alinhamento coeso, o qual foi percorrendo todos os pontos mais importantes da sua carreira.

Motorama > The Tallest Man on Earth

A meio da tarde atuaram numa das Vodafone Secret Sessions e ao fim do dia subiram ao Palco Vodafone FM. Dão pelo nome de Motorama e chegam da Rússia. Há uns anos atrás já nos tinhamos cruzado com eles num concerto cheio de negritude na lisboeta Caixa Operária. Regressaram agora para a consagração junto do público nacional que se rendem ao seu som industrial e post-punk. Formados em 2005, os Motorama cantam em inglês o que confere ainda uma maior semelhança entre a voz de Vladislav Parshin e de Ian Curtis. Como nos dizia alguém «parecem sempre tão tistes», mas isso faz parte do charme Motorama, em conjunto com introspeção com que interpretam as as suas canções.

Nascido na gelada e moderna Suécia, Kristian Matsson, aka The Tallest Man on Earth, tem cimentado a sua carreira desde 2005. Com um enfoque grande nas apresentações ao vivo, percebe-se que é nelas que consegue transmitir com maior acuidade a sua enorme criatividade e simpatia. Assim tinha sido há uns meses na Aula Magna, em Lisboa, assim foi no palco principal do Vodafone Paredes de Coura. Durante o concerto pediu silêncio, e o público fez-lhe a vontade. Colina abaixo as lâmpadas que o main sponsor tinha distribuido pelo público estavam agora acessas, fazendo um efeito tão anos 80 que nos sentimos emocinados. Em palco Kristian foi dando vida a um alinhamento pontuado pelos temas mais conhecidos da sua carreira, com um especial enfoque no seu mais recente registo discográfico.

Gigarretes After Sex > Portugal. The Man

Casa cheia para os Gigarretes After Sex que no Palco Vodafone FM apresentaram as suas composições algo étereas. Nascem no Texas, em El Paso, em 2008 para em 2012 lacarem o seu primeiro EP e três anos depois o single que lhes traria maior notoriedade, “Affection”. Ao Vodafone Paredes de Coura deram momentos muito belos, onde as suas composições dream pop nos fizeram, de alguma forma, lembrar os Beach House. O ambiente que se viveu fez justiça ao que se passava no palco com um público atento. Através da voz algo ambilavante de Greg Gonzalez as canções dos Gigarretes After Sex adquirem tonalidades de música ambiente, transmitindo uma sonoridade cativante que se vai desenvolvendo num interesse crescente. Ficámos com curiosidade de vê-los num concerto em nome próprio, quem sabe para breve…

Doze anos depois Portugal. The Man regressaram a o anfiteatro natural de Paredes de Coura. Baseada na cidade de Portland, no estado norte-americano de Oregon, a banda nasceu em Wasilla, no gelado Alasca. O nome é uma mera coincidência, pois nada de português tem a música ou os músicos de Portugal. The Man. John Gourley, Zachary Carothers e Kyle O’Quin deram um concerto animado e dinâmico que fez regressar à frente do palco principal um pouco do crowdsurfing e do mosh dos dias anteriores.

Vodafone Vozes da Escrita com Adolfo Luxúria Canibal e Capicua

A iniciativa Vodafone Vozes da Escrita juntou neste último dia do festival duas personalidades distintas. Adolfo Luxúria Canibal, mentor dos bracarences Mão Morta, e Capicua subiram ao Palco Jazz na Relva para ler e dar voz a uma seleção de poemas.

Reportagem fotográfica com o apoio da Canon Portugal.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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