Vodafone Paredes de Coura 2013 Dia V

:papercutz > Black Bombaim

Quem vai ao festival cria afinidades, esta é uma realidade inegável. Para além da música são muitas as relações que se vão cimentando por quem todos os anos chega à vila de Paredes de Coura. Ano após anos já sabemos onde tomar um bom café ou onde saborear uma boa e tradicional refeição. No restaurante a Lareira, fora do centro de Paredes de Coura, já nos conhecem e todos os anos celebram com simpatia a nossa chegada, despedindo-se de nós, já depois de terminado o festival, com um «até para o ano». Isto também é Vodafone Paredes de Coura.

Para esta que seria a última noite da edição 2013 estavam reservados alguns nomes de peso, os quais tínhamos uma tremenda curiosidade de ver ao vivo. À semelhança do dia anterior as honras de abertura dos dois palcos foi entregue a dois nomes portugueses (de referir que a escolha das bandas nacionais esteve este ano com uma elevadíssima qualidade). No palco Vodafone FM foram os :papercutz que iniciaram as hostilidades musicais com um concerto muito bem conseguido onde o trio se manteve coeso cativando o público com a sua sonoridade sombria tão característica. Formados no Porto em 2005, o projecto tem vindo a cimentar-se como um dos mais consistentes no universo da musica electrónica que se faz por cá, com destaque para «Rivers», o single de apresentação do seu mais recente registo de originais.

Poderosos rifs acompanhados de uma bateria igualmente potente transformaram em fantástico o primeiro concerto do dia no palco Vodafone. Da responsabilidade da banda Black Bombaim, esta primeira hora no palco principal do festival deixou todos rendidos à arte musical dos músicos de Barcelos. Espantando quem ainda não tinha tido ocasião de os ver, os Black Bombaim deram o pontapé de saída perfeito para um último dia de um festival memorável.

Ducktails > Palma Violets

Fomos dos poucos sortudos que puderam que assistir à actuação dos Ducktails no âmbito das Vodafone Music Sessions no topo do Monte de São Silvestre. Já ali, em modo acústico, se adivinhava a beleza de concerto que iam dar no palco Vodafone FM. Tudo se concretizou com a canção “Under Cover” a servir de mote ao calor de mais puro Verão que este ano inundou Paredes de Coura. «The Flower Lane» o álbum que a banda norte-americana lançou este ano serviu de base ao concerto.

Ficámos fãs dos Palma Violets ao vivo. Energia a transbordar que inundou quem por aquela hora se ia juntando à beira do palco Vodafone. «A melhor maneira de ver uma banda de rock é vê-la tocar ao vivo», afirmou recentemente o baixista dos Palma Violets, Jesson Chilli, verdade inegável no caso da banda oriunda de Londres. O ano de 2011 marcou o nascimento dos Palma Violets. Garage rock com influência psicadélicas? Pode ser, mas o que sobressai mesmo é a garra com que os elementos dão música sem parar. Sempre a rasgar, quase nos atrevemos a afirmar!

Phosphorescent > Calexico

Música é amor. Pelo menos para nós. Há alguns meses fizemos uma viagem ao Brasil para a qual enchemos o MP4 de música, já que 8 oito horas dentro de um avião não é fácil. Um dos álbuns que lá colocámos colou-se a nós de uma forma quase inexplicável, dá pelo nome de «Muchacho» e é o mais recente trabalho de Matthew Houck, ou melhor, Phosphorescent. Ao ouvir cada uma das sua músicas é amor o que sentimos pelo que foi com enorme alegria que recebemos a noticia do concerto no Vodafone Paredes de Coura. Foi bonito ouvir cada uma daquelas canções que já conhecemos tão bem, ali, ao vivo e tão perto de nós. Nascido em Alabama é em Nova Iorque que reside, pelo que nas suas músicas ambos os cenários coexistem num chamemos-lhe indie folk com cenários urbanos. «Song for Zula» foi o single de lançamento do registo, sendo que outras músicas podiam ter desempenhado o mesmo papel, como «Muchacho’s Tune» ou «Ride On/Right On». Casa cheias de muitos ouvidos que nunca o tinham escutado e que de lá saíram rendidos. Foi muito bonito, pelo que não era mau pensado um concerto em nome próprio.

Calexico foram os senhores que se seguiram num dia em que os concertos estavam a ser «bem bons», como ouvimos de uma das voluntárias perto do palco Vodafone FM. Tucson, no Arizona viu nascer em 1990 esta banda sui generis que foi buscar o nome à cidade de Calexico, localizada na fronteira com o México sendo que o nome serve claramente de inspiração para o som que a banda emana cá para fora e o qual acolhe seguidores um pouco por todo o mundo, Portugal não é excepção. Não vinham ao nosso país há quase uma década, pelo que foram muitos os que se deslocaram a Paredes de Coura coma intenção claro de viver mais uma vez a fiesta que são sempre os concertos desta banda. Abrem com “Fortune Teller”, do recente «Algiers» e com o vocalista Joey Burns a demonstrar uma imensa alegria por estar no festival. Seguiram-se «Across The Wire», «Splitter» e «Danza de la Muerte» e com elas as guitarras, o acordeão, a bateria de John Convertino (a outra metade da alma da banda), os teclados, o contrabaixo e o vibrafone. Ouviu-se ainda «Alone Again Or», dos Love, e «Love Will Tear Us Apart» dos Joy Divison inserida em “Not Even Stevie Nicks”. Grande concerto!

Bass Drum of Death > Belle and Sebastian

Com a zona de restauração a ser bastante requisitada pelos festivaleiros, alguns deixaram-se ficar pelo palco Vodafone FM onde tocavam os Bass Drum of Death. Duas guitarras e uma bateria chegam para dar um excelente concerto sob os comandos de John Barrett responsável também pelo nascimento do projecto. Este ano lançaram um álbum homónimo o qual se seguiu a GB City de 2011.

O ambiente desta última noite de Vodafone Paredes de Coura foi na verdade memorável, muitas saudades já pairavam no ar, muita troca de números de telefone, muitas adições de novos amigos no facebook e depois o regresso dos Belle and Sebastian ao nosso país. Oriundos de Glasgow vieram a Portugal pela primeira vez em 2002 para actuar no Sudoeste regressando à capital portuguesa em 2006 para um concerto no Coliseu. Mais de uma mãos cheia de anos depois cá estão eles com uma imensa legião de fãs a encher de boa onda a última noite do Vodafone Paredes de Coura. «Judy Is a Dick Slap», «I’m a Cuckoo», «Another Sunny Day», impecáveis. «Stars of Track and Field», «I Want The World To Stop», «Sukie in the Graveyard» seguiram-se no alinhamento de uma noite perfeita que vai certamente fazer parte das boas memórias desta edição do festival.

As I Watch You From Affar

A dupla francesa Justice foram os senhores que se seguiram no palco Vodafone. Em formato Dj set (não autorizaram fotografias) fizeram ouvir pelo recinto uma playlist que podia muito bem servir de banda sonora a uma saída de sábado à noite. Todos pareceram satisfeitos pois foram muitos os que vimos a dançar.

Duas da manhã e o corpo pedia descanso. Não, calma, ainda havia mais um concerto para ver. No palco Vodafone FM era a hora dos As I Watch You From Affar ou ASIWFA atirarem com o seu post-rock para cima dos sobreviventes do animado concerto dos Justice, e foram muitos. Formados por Rory Friers e Tony Wright nas guitarras, Johnny Adger no baixo e Chris Wee na bateria, os As I Watch You From Affar chegam de Belfast, na Irlanda do Norte. Lançado em Março último «All Hail Bright Futures» serviu de base a um concerto enérgico e algo alucinante. Excelentes músicos que não deixaram ninguém indiferente.
E agora é hora de dizer até para o ano Vodafone Paredes de Coura. Parabéns a todos por mais uma edição verdadeiramente inesquecível!

Ducktails no âmbito das Vodafone Music Sessions > Ambiente

www.paredesdecoura.com/festival

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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