Vagos Metal Fest 2025 Dia II. A alcateia dos Moonspell sucumbiu ao poder da lua (e da energia dos Dying Fetus)

A edição 2025 do Vagos Metal Fest abriu portas com um cartaz explosivo que reuniu lendas e novos titãs do metal. Milhares de fãs entregaram-se à intensidade brutal dos norte-americanos Dying Fetus, à majestade épica dos italianos Rhapsody of Fire, à fúria afiada dos espanhóis Angelus Apatrida e ao thrash imparável dos californianos Warbringer, culminando com o peso sombrio dos portugueses Moonspell. Entre riffs cortantes, blast beats frenéticos e arranjos orquestrais, o ambiente viveu uma comunhão única, celebrando a paixão pelo metal em todas as suas vertentes. Foi um dia em que o metal se reafirmou como força cultural e comunitária, numa festa que prometeu e cumpriu elevar Vagos ao pódio mundial da música pesada.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

Os norte-americanos Warbringer incendiaram o palco com uma atuação que reafirmou a sua posição como uma das forças mais intensas do thrash metal moderno. Os Warbringer trouxeram ao festival uma descarga sonora que não deu tréguas a ninguém. Sem necessidade de artifícios cénicos ou efeitos teatrais, a banda apostou naquilo que faz melhor: velocidade, precisão e agressividade crua. O concerto integrou a tour do novo álbum Wrath and Ruin, lançado em 2025 e bem recebido pela crítica e fãs. O novo trabalho serviu de base para um alinhamento que alternou entre temas recentes e clássicos imortais da banda, sempre com a brutalidade no máximo.

O público respondeu em uníssono. Entre mosh pits e headbanging constante, o impacto da performance foi evidente. Num cenário onde o metal extremo convive com as vertentes mais épicas e melódicas do género, os californianos foram o lembrete de que o thrash metal continua vivo, feroz e necessário.

No segundo dia do Vagos Metal Fest 2025, os Moonspell protagonizaram um dos momentos mais intensos e simbólicos do festival. A banda portuguesa, cabeça de cartaz da noite de 1 de agosto, regressou ao palco da Quinta do Ega para um concerto marcado pela emoção, raridades musicais e uma ligação profunda com o público.

Sob uma noite envolta em energia e mística, os Moonspell celebraram a sua “alcateia”, nome carinhoso dado aos seus fãs, com um repertório especialmente pensado para a ocasião, tendo a atuação incluído temas menos habituais no alinhamento regular da banda, tornando o concerto ainda mais especial para os seguidores de longa data. A escolha da banda como destaque nacional entre os cabeças de cartaz não passou despercebida. Num evento tradicionalmente dominado por nomes internacionais do metal, os Moonspell assumiram o protagonismo com naturalidade e presença, reafirmando o seu estatuto como a mais icónica banda de metal portuguesa de sempre.

O concerto foi mais do que uma simples atuação, foi uma celebração da história, da identidade e da resistência do metal português. A entrega da banda teve uma resposta vibrante por parte do público, num momento que ficará certamente na memória dos muitos que marcaram presença no recinto. A atuação dos Moonspell encerrou a noite com um verdadeiro hino ao metal nacional.

A noite ficou marcada por uma descarga sonora avassaladora protagonizada pelos norte-americanos Dying Fetus. Referência incontornável do death metal técnico, o trio de Maryland subiu ao palco da Quinta do Ega para um concerto curto, mas absolutamente demolidor.

A banda trouxe consigo um set carregado de potência e precisão, com temas como Subjected to a Beating, From Womb to Waste e Praise the Lord (Opium of the Masses) a desencadear verdadeiras ondas de intensidade junto do público. Entre os momentos mais inesperados, destacou-se uma versão de Streaks of Blood, dos Baphomet, que surpreendeu os fãs mais atentos. Sem grande aparato visual, os Dying Fetus preferem deixar os instrumentos falarem. E falam alto. Com riffs complexos, blast beats implacáveis e uma coesão impressionante em palco, o trio provou por que razão continua a ser um dos nomes mais respeitados do género. O concerto foi descrito por fãs online como “incrível ao vivo”, com muitos a sublinharem a agressividade controlada e a entrega feroz do grupo. Os Dying Fetus trouxeram o peso necessário para manter o Vagos fiel à sua reputação: a verdadeira capital do metal em Portugal.

Os italianos Rhapsody of Fire trouxeram a sua grandiosa fusão de metal sinfónico e fantasia heróica ao palco do Vagos Metal Fest 2025. Com um público rendido à diversidade sonora do cartaz, a banda liderada por Giacomo Voli ofereceu uma performance rica em teatralidade e virtuosismo técnico, onde o poder da melodia se cruzou com narrativas épicas e riffs de peso. O concerto inseriu-se na tour europeia de apresentação de Challenge the Wind, álbum que reforça o ADN da banda: composições cinematográficas, coros épicos e guitarras afiadas. A atuação revelou-se num equilíbrio harmonioso entre temas recentes e clássicos da era Rhapsody, com Voli a assumir com carisma o legado vocal do grupo.

A entrega emocional dos músicos, acompanhada por arranjos orquestrais e atmosferas que remetem ao universo fantástico, fez da atuação um dos momentos mais cativantes da noite. Para quem procurava um interlúdio melódico entre a agressividade de outros nomes do cartaz, os Rhapsody of Fire foram o feitiço perfeito. Com uma legião de seguidores em Portugal e um historial respeitável dentro do power metal europeu, a banda provou, uma vez mais, que continua relevante, dinâmica e capaz de encantar tanto os veteranos do género como as novas gerações.

Os espanhóis Angelus Apatrida incendiaram o Vagos Metal Fest 2025 com um thrash técnico, rápido e carregado de atitude.A banda trouxe ao público português uma performance eletrizante e repleta de energia. Com ums setlist forte e contundente, que incluiu faixas como One of Us, Snob, Indoctrinate, Cold e We Stand Alone, além de uma cover de Paranoid dos Black Sabbath, os Angelus Apatrida mostraram domínio absoluto do palco. A mistura de riffs cortantes, bateria incansável e uma presença de palco poderosa traduziu-se numa experiência sonora que prendeu e incendiou a audiência.

Conhecidos pela sua postura crítica e militante, os Angelus Apatrida não deram só música, mas também uma mensagem, um verdadeiro manifesto de revolta e força que se fez sentir em cada acorde. Com precisão e técnica afiadas, a banda provou porque é uma das maiores referências do thrash metal contemporâneo.

Os Hills Have Eyes voltaram a mostrar por que razão continuam a ser uma das bandas mais respeitadas do metalcore nacional. O palco da Quinta do Ega recebeu a intensidade do coletivo português numa atuação que, embora discreta no alinhamento mediático, se destacou pelo impacto visceral e pela entrega inabalável. Representando com orgulho o peso feito em Portugal, os Hills Have Eyes trouxeram à edição de 2025 do festival a sua marca registada: riffs explosivos, breakdowns densos e uma energia ao vivo que transborda honestidade. Com um repertório que cruza hinos underground e faixas mais recentes como Goodbyes, lançada em 2022, a banda provou que não precisa de grandes artifícios, basta-lhe a convicção sonora.

A performance, em plena comunhão com o público, trouxe de volta a memória os tempos áureos do metalcore português, numa afirmação clara de que o som pesado feito cá dentro ainda tem muito para dizer.

Warbringer

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Moonspell

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Dying Fetus

Rhapsody of Fire

« de 2 »

Angelus Apatrida

Hills Have Eyes

« de 2 »

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