Understood Project em concerto dia 15

Composto por um grupo de músicos e amigos, os Understood Project chegam até nós com um conjunto de músicas que tocam as muitas influências dos membros que compõem a banda. A pretexto do concerto que vão dar na próxima sexta-feira, dia 15, em Lisboa, conversámos com os músicos para ficar a conhecê-los um pouco melhor.

Quem são os Understood Project?
Carinhosamente conhecidos pelo diminutivo UP, a banda de originais lisboeta é constituída por quatro elementos, João Pedro e Gustavo nas guitarras elétricas, Nelson no baixo e Humberto na bateria. Unidos numa paixão enorme pela música e pelo prazer de tocar em conjunto, cada um assume o seu nome de guerra, respetivamente, Jota, Guz, Tom Violence e Zumbi, e cada um tem as suas experiências e influências musicais.

Contem-nos um pouco do trajeto musical de cada um de vocês.
(Jota) Nunca tive a possibilidade/oportunidade de tocar qualquer instrumento musical. Apenas há três anos, como que um frenético impulso, iniciei aulas de guitarra. Tem sido uma maravilhosa descoberta.

(Guz) Toco guitarra desde há muitos anos, participei em várias bandas de covers, de diferentes géneros, desde o rock até à música popular brasileira. Depois, estive muito tempo sem tocar. Mas há uns quatro anos houve uma espécie de renascimento, que culminou na experiência dos Understood Project, onde componho e toco as músicas que mais gosto.

(Tom Violence) O meu trajeto musical começa na escola secundária António Arroio, em 1991, quando início a aprendizagem de guitarra de caixa com o pessoal que se juntava a tocar nos corredores da escola. A primeira banda surgiu quando saí da secundária e entrei na faculdade em 1993/94, com alguns amigos da António Arroio, entre eles o Zumbi. Até 2000, na guitarra elétrica e composição, eu e o Zumbi éramos os únicos elementos constantes em várias bandas, por onde passaram vários baixistas, guitarristas e vocalistas. Entre 2001 e 2008 passei por várias bandas já como baixista (Naked Bug, Urban Sins, Intercut, etc…). Em 2009, em conversa com o Zumbi, resolvemos voltar a tocar em conjunto, tentando tocar esporadicamente com alguns músicos até que, em setembro de 2010 o Jota contactou-me e perguntou se queria entrar na banda dele. Perguntei logo se necessitavam de um baterista… o resto é história.

(Zumbi) Conto sempre a história de que a primeira vez que me sentei em frente a uma bateria para experimentar espancá-la um pouco foi nos estúdios Harpa, na Encarnação, onde as salas eram bastante escuras. Como não vi o pedal do bombo da bateria nem sequer o usei, tal era a minha ignorância do instrumento. A custo da saúde dos meus  tímpanos e com bastante insistência, tornei-me um baterista autodidata, ainda sem acordo ortográfico, e hoje em dia alguns bateristas de renome, tais como o Danny Carey, Joey Baron, Travis Orbin, Carter Beauford, D.H. Peligro, Tomas Haake, Tim “Herb” Alexander, Jason Finn ou até Terry Bozzio vêm assistir aos meus workshops e pedir-me dicas sobre este instrumento. Demências à parte, eu devia era ter aulas de bateria.

Quando nasceu o projecto Understood Project?
Os UP nasceram em março de 2010. Inicialmente constituído pelos dois guitarristas, as suas composições cresciam sempre em torno de uma cumplicidade sonora muito própria das suas guitarras. Mas quiseram crescer e decidiram integrar o som de baixo e bateria, altura em que aparecem o Nelson e o Humberto. Isso aconteceu em setembro de 2010 e os Understood Project consolidaram-se enquanto banda, ganhando uma musicalidade ainda mais original.

Como classificam a vossa música?
Somos uma banda de rock instrumental e post-rock. As músicas foram surgindo sem premeditação sobre estilos e às vezes é complicado fazer uma síntese ou rotular o que tocamos. Trabalhamos muito sobre uma construção de ambientes, rock e até sons mais pesados. Aparecem diversas outras influências, como o punk e até a música brasileira, sempre com um registo experimental. Gostamos de nos ver como um conjunto de paisagem sonoras.

Porquê a opção de não terem voz?
É uma opção consciente ao percebermos que temos um som particular, o qual queremos explorar, que se baseia na comunicação entre os instrumentos. Esta fase tem sido de um certo experimentalismo, amadurecimento em termos musicais e conhecimento de cada um dos membros.

Não fechamos a porta a qualquer experiência musical e até gostaríamos de tocar com voz. Estamos bastante curiosos com o possível resultado. A intervenção da palavra, quer cantada quer em spoken word, é sempre uma opção em cima da mesa e até poderá acontecer em algumas composições.

Neste momento não temos voz e as músicas que compomos fazem sentido assim como estão. Por outro lado – interessante isso – é precisamente esse facto que nos faz viajar por ambientes musicais muito próprios e cremos que originais.

Quais as vossas maiores influências (nacionais e estrangeiras)?
É difícil responder a isso. Cada um dos membros tem influências diferentes e às vezes bem distintas e todos somos consumidores ativos de música. O Jota vai buscar as suas influências aos grupos de rock/blues dos anos 60. O Guz ouve rock, post rock, rock progressivo, muita música instrumental, e muito pop rock brasileiro. Já o Nelson, também conhecido como DJ Tom Violence, responde que as maiores influências são tão variadas como Velvet Underground, Stooges, Beatles, Beach Boys, Pixies, Sonic Youth, Morphine, dEUS, James, The Cure e Ministry. Actualmente, como DJ, costuma passar maioritariamente indie rock/electrónico como os Django Django, LCD Sound System, Arcade Fire, Kasabian, Marc Lanegan band, Tedy Bears, The Infadels…

O Zumbi já respondeu à questão das influências mais lá para cima no texto.

Para o futuro qual é o vosso maior desejo… gravação de um disco?
Os UP tem um percurso bastante interessante. Tocamos em diversos pontos muito importantes do rock alternativo de Lisboa. Há dois desejos, sem uma ordem definida de importância. O primeiro, tocar em mais lugares e cidades, dar a conhecer o nosso som a outras plateias. Também gostamos da ideia de abrir portas a espetáculos multimédia e tocar sobre um filme, ou sobre narrativas. O segundo, evidentemente, a gravação de um disco, uma vez que temos já muitas músicas compostas e que tem grande aceitação nas salas onde tocamos.

Onde e quando vamos ter ocasião de ver os Understood Project ao vivo?
No dia 15 de junho, sexta-feira, vamos tocar no Cinecity em Alvalade, às 22h00, com entrada gratuita. Estão todos convidados a ir. Os concertos dos Understood Project, apesar de ser música instrumental, funciona em grande interação com o público. Vamos experimentar uma música nova, a nossa primeira cover e pela primeira vez, ter uma experiência de voz em algumas composições, com a participação de amigos convidados da banda.

https://www.facebook.com/UnderstoodProject/info
http://www.myspace.com/understoodproject

Pode também visualizar o artigo (sem necessidade de Adobe Flash Player) em: http://look-mag.com/2012/06/12/understood-project-em-concerto-dia-15/

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