“Um dos desafios é ultrapassar a ideia errada de que os produtos naturais ou de origem vegetal são menos eficazes”, Andreas Wilfinger, RINGANA

À medida que o setor da beleza evolui, os consumidores tornam-se mais exigentes, informados e conscientes. Hoje, não se trata apenas de aparência, mas de ciência, bem-estar, sustentabilidade e eficácia comprovada. Nesta linha, a RINGANA, marca austríaca reconhecida pela sua cosmética fresca, vegana e inovadora, antecipa tendências e redefine padrões de cuidado da pele para 2026.

Conversámos com Andreas Wilfinger, fundador e CEO da RINGANA, para compreender como a marca se posiciona frente às mudanças comportamentais dos consumidores, como inovações como o “skinimalism 2.0”, a biotecnologia e a Inteligência Artificial estão a transformar a indústria, e de que forma sustentabilidade, ciência e personalização se unem numa nova abordagem à beleza. Wilfinger explica não apenas o que esperar para os próximos anos, mas também como a RINGANA traduz conceitos como “better aging” e produtos híbridos em soluções concretas, eficazes e responsáveis. Uma visão que combina desempenho, transparência e compromisso ambiental, apontando para um futuro em que a beleza é tão inteligente quanto consciente.

A RINGANA identifica cinco grandes tendências de beleza para 2026. O que mudou no comportamento do consumidor para que estas tendências se tornem determinantes?
Os consumidores tornaram-se significativamente mais exigentes e intencionais na forma como encaram a beleza. Já não são motivados pela novidade ou pela quantidade, mas pela compreensão, eficácia e valor a longo prazo. O consumidor atual questiona ingredientes, processos e promessas, e espera que as marcas sustentem cada afirmação com transparência e ciência.
Ao mesmo tempo, a beleza é cada vez mais vista como parte de uma abordagem mais ampla ao bem-estar, onde a saúde da pele, o estilo de vida e a sustentabilidade estão interligados. Esta mudança acelerou a procura por rotinas mais simples, produtos multifuncionais e soluções que apresentem resultados comprovados, em linha com valores pessoais. As cinco direções que identificamos para 2026 não são, por isso, tendências súbitas, mas o reflexo de uma mudança comportamental mais profunda em direção ao consumo consciente, à confiança e à responsabilidade.

Na sua opinião, qual destas tendências representa a mudança mais profunda no setor da beleza e porquê?
A mudança mais profunda reside na convergência entre o “skinimalism” e a eficácia cientificamente comprovada. Esta direção vai muito além da simplificação das rotinas; desafia de forma estrutural a forma como os produtos de beleza são desenvolvidos, comunicados e consumidos. Exige que as marcas se afastem do excesso, de promessas vagas e de efeitos de curto prazo, passando a focar-se na precisão, no desempenho e na transparência.
Esta mudança reflete também uma relação mais madura entre consumidores e marcas. As pessoas já não aceitam a complexidade como sinónimo de eficácia. Esperam menos produtos que façam mais, sustentados por evidência clara e inovação responsável. Nesse sentido, esta direção está a redefinir não apenas o comportamento do consumidor, mas também os critérios de credibilidade e relevância no setor da beleza.

Como consegue a RINGANA antecipar tendências, em vez de se limitar a responder às dinâmicas do mercado?
Na RINGANA, a inovação começa por questionar normas estabelecidas. O nosso modelo de negócio permite-nos manter uma relação muito próxima com os consumidores e observar mudanças comportamentais de longo prazo, em vez de reagir a tendências passageiras. Como controlamos os nossos processos de desenvolvimento e não dependemos de conservantes convencionais nem de prazos de validade longos, estamos em constante otimização das fórmulas com base no desempenho real e no progresso científico.

O conceito de “skinimalism” está a evoluir. O que distingue o “skinimalism 2.0” das abordagens minimalistas dos últimos anos?
O “skinimalism 2.0” não passa apenas por reduzir o número de produtos, mas também por aumentar a sua relevância e desempenho. As abordagens minimalistas anteriores focavam-se muitas vezes em fazer menos como um fim em si mesmo. Hoje, o foco está em fazer melhor, combinando simplicidade com ciência avançada, multifuncionalidade e resultados mensuráveis. O “skinimalism 2.0” reconhece que os consumidores querem rotinas simplificadas sem comprometer a eficácia. Isto implica formulações mais sofisticadas, cuidadosamente equilibradas e concebidas para oferecer múltiplos benefícios num único passo, respeitando as funções naturais da pele. Trata-se de uma forma de minimalismo mais inteligente e orientada para resultados, baseada no conhecimento e não apenas na redução.

Quais são os principais desafios no desenvolvimento de produtos híbridos que combinem vários benefícios sem comprometer a eficácia?
O desenvolvimento de produtos híbridos verdadeiramente eficazes é um processo complexo que exige um elevado nível de conhecimento científico e uma colaboração estreita entre equipas multidisciplinares. O principal desafio passa por garantir que cada benefício anunciado é sustentado pela concentração adequada, estabilidade e interação correta dos ingredientes ativos, sem sobrecarregar ou desestabilizar a formulação. Isto requer formuladores experientes, protocolos de teste rigorosos e um profundo conhecimento do comportamento dos ingredientes ao longo do tempo. Os produtos híbridos só geram valor real quando são desenvolvidos por equipas profissionais capazes de equilibrar inovação com precisão, e desempenho com segurança. Sem este nível de especialização, a multifuncionalidade corre o risco de se tornar apenas um conceito de marketing, em vez de uma verdadeira vantagem para o consumidor.

Acredita que o consumidor está hoje disposto a investir mais em menos produtos, desde que estes apresentem resultados comprovados?
Sim, claramente. Os consumidores estão cada vez mais dispostos a investir em produtos em que confiam, especialmente quando compreendem a ciência que está por detrás deles. Menos produtos com resultados mensuráveis são percecionados como uma escolha mais inteligente e mais sustentável, tanto do ponto de vista económico como ambiental.

De que forma a Inteligência Artificial está a transformar a personalização no setor da cosmética?
A Inteligência Artificial está a permitir uma abordagem mais precisa e informada à personalização na cosmética. Ao analisar grandes volumes de dados relacionados com características da pele, fatores de estilo de vida e padrões de utilização, a IA ajuda a identificar necessidades individuais com um grau de precisão sem precedentes. Isto permite às marcas ultrapassar soluções genéricas e oferecer recomendações e rotinas mais relevantes.
Importa sublinhar que esta transformação não se trata de substituir o conhecimento humano, mas de o potenciar. Quando utilizada de forma responsável, a IA apoia uma melhor tomada de decisão, melhora a experiência do consumidor e contribui para soluções mais eficazes e direcionadas, mantendo o foco na eficácia, transparência e confiança. A IA será também capaz de analisar feedback dos consumidores, tendências nas redes sociais e dados de mercado, orientando o desenvolvimento de novos produtos alinhados com as necessidades reais. Pode ainda identificar ingredientes mais sustentáveis, otimizar cadeias de abastecimento e reduzir desperdício na produção. Adicionalmente, a IA pode reforçar a prevenção e os cuidados antienvelhecimento, antecipando potenciais problemas de pele e recomendando medidas preventivas ou tratamentos adequados.

Como é que a RINGANA integra tecnologia e personalização mantendo a sua identidade enquanto marca de cosmética fresca e vegana?
Na RINGANA, a tecnologia é sempre um meio, nunca um fim. A inovação só faz sentido se reforçar os nossos princípios fundamentais: frescura, eficácia e responsabilidade. Sempre que integramos tecnologia ou ferramentas de personalização, estas devem apoiar uma melhor compreensão das necessidades da pele e soluções mais precisas, sem comprometer a integridade das formulações frescas e veganas. A nossa abordagem passa por utilizar a tecnologia para reforçar a transparência e o desempenho, mantendo-nos fiéis à nossa filosofia de processamento mínimo, ingredientes de elevada qualidade e comunicação clara. Desta forma, a inovação fortalece – e não dissipa – a nossa identidade enquanto marca de cosmética fresca e vegana.

A IA poderá vir a substituir o aconselhamento humano ou deverá assumir apenas um papel complementar?
A Inteligência Artificial deve claramente assumir um papel complementar. Embora a IA consiga processar dados, identificar padrões e apoiar decisões mais informadas, não pode substituir o julgamento humano, a experiência e a empatia. Na beleza e no bem-estar, o contexto é fundamental: estilo de vida, hábitos e expectativas pessoais exigem interpretação e diálogo. Quando utilizada de forma responsável, a IA reforça o conhecimento ao fornecer melhores insights, mas a confiança e o aconselhamento significativo continuam a ser essencialmente humanos. O futuro reside na colaboração entre tecnologia e conhecimento humano, não na substituição.

A biotecnologia surge como um dos principais pilares da inovação. Que papel desempenha no desenvolvimento dos produtos da RINGANA?
A biotecnologia desempenha um papel estratégico e estruturante no desenvolvimento dos produtos da RINGANA. Permite-nos trabalhar com ingredientes altamente ativos, desenvolvidos em condições controladas, garantindo consistência e eficácia – fatores essenciais quando se trabalha com formulações frescas. Através de processos biotecnológicos, conseguimos criar ou potenciar ativos que interagem de forma mais precisa com as funções biológicas da pele, enquanto otimizamos a utilização de recursos e reduzimos a dependência de estabilizadores sintéticos convencionais. Esta abordagem apoia simultaneamente o desempenho e a responsabilidade, permitindo que a inovação seja orientada pela ciência e não pelo marketing. Para a RINGANA, a biotecnologia é uma ferramenta para desenvolver produtos mais inteligentes e eficazes, alinhados com a nossa filosofia de frescura, transparência e saúde da pele a longo prazo.

Ingredientes como exossomas, algas ou fungos estão a ganhar relevância. O que os torna particularmente eficazes na cosmética moderna?
Estes ingredientes são particularmente eficazes devido à sua compatibilidade funcional com a pele. Os exossomas e os ativos derivados de algas e fungos são capazes de atuar a um nível celular ou metabólico, apoiando processos como a comunicação, a regeneração e a proteção, em vez de se limitarem a tratar preocupações superficiais. Além disso, antecipamos e selecionamos os melhores ingredientes para os nossos produtos. Um exemplo disso é o ingrediente estrela do RINGANA COMPLETE D-eat, que é cultivado e produzido em solo português: a Honey Chlorella. Trata-se de uma fonte de micronutrientes, aprovada como suplemento alimentar e como ingrediente alimentar.
O crescimento da relevância destes ingredientes reflete também uma mudança em direção a ativos que oferecem uma ação direcionada e de elevada eficiência. Quando desenvolvidos e formulados por equipas científicas experientes, estes ingredientes permitem soluções sofisticadas que combinam investigação avançada com inspiração natural. Este equilíbrio entre inteligência biológica e controlo científico é cada vez mais central na cosmética moderna, onde os consumidores esperam simultaneamente desempenho e credibilidade.

Como equilibrar ciência avançada, naturalidade e transparência, num contexto de consumidores cada vez mais informados?
Um dos principais desafios atuais é ultrapassar a ideia errada de que os produtos naturais ou de origem vegetal são, por definição, menos eficazes. Esta suposição já não corresponde à realidade. Quando desenvolvidos com rigor científico, os ingredientes naturais podem oferecer elevado desempenho e resultados mensuráveis.
Equilibrar ciência avançada, naturalidade e transparência exige ir além dos rótulos e centrar-se na qualidade das formulações, na biodisponibilidade e na evidência. A transparência passa por explicar de forma clara como os ingredientes funcionam, porque são utilizados e que resultados podem alcançar. Para consumidores informados, a eficácia não é definida pelo facto de um ingrediente ser natural ou sintético, mas pela sua capacidade comprovada de apoiar a saúde da pele. A ciência é, por isso, essencial para demonstrar que as formulações naturais, quando devidamente desenvolvidas, podem ser tão eficazes – ou até mais – do que as alternativas convencionais.

Estamos a assistir à transição do conceito de “anti-idade” para “Better Aging”. O que revela esta mudança sobre a forma como encaramos o envelhecimento?
Esta mudança reflete uma transformação profunda de mentalidade. O envelhecimento deixou de ser encarado como algo a combater e passou a ser visto como um processo natural que deve ser apoiado de forma saudável e consciente. Os consumidores rejeitam cada vez mais promessas irrealistas e procuram, em alternativa, soluções que respeitem o corpo, promovam a resiliência e melhorem a qualidade de vida ao longo do tempo. O conceito de “better aging” reconhece a individualidade e o bem-estar a longo prazo, assumindo que a beleza está intimamente ligada à saúde, ao equilíbrio e à autoconfiança. Representa uma abordagem mais honesta, respeitosa e sustentável ao envelhecimento.

De que forma a RINGANA traduz o conceito de “envelhecer melhor” em soluções concretas e eficazes para o consumidor?Na RINGANA, o conceito de “better aging” traduz-se em produtos que apoiam as funções naturais da pele, em vez de as sobrepor. O nosso foco está no reforço da barreira cutânea, na melhoria da comunicação celular e na manutenção do equilíbrio através de produtos frescos, cuidadosamente formulados. Privilegiamos a saúde da pele a longo prazo em detrimento de efeitos cosméticos de curto prazo, combinando ingredientes de elevada qualidade com validação científica. Esta abordagem permite-nos oferecer soluções que evoluem com o consumidor, em vez de prometer inverter o tempo.

A longevidade saudável depende apenas dos cuidados de pele ou exige uma abordagem mais abrangente ao bem-estar?
A longevidade saudável exige uma perspetiva holística. A pele é um importante indicador de bem-estar geral, mas não existe de forma isolada. A nutrição, o estilo de vida, a saúde mental e os hábitos diários desempenham um papel decisivo na forma como envelhecemos. Por esta razão, a beleza e o bem-estar estão cada vez mais interligados. As marcas devem reconhecer que o impacto significativo resulta do apoio a cada indivíduo como um todo, e não apenas do tratamento dos sinais visíveis.

A sustentabilidade deixou de ser uma tendência para se tornar uma exigência estrutural. Onde identifica ainda maiores desafios no setor?
Um dos maiores desafios que a indústria da beleza ainda enfrenta é transformar a sustentabilidade de iniciativas isoladas em sistemas plenamente integrados. Embora muitas marcas reconheçam a sua importância, implementar mudanças ao nível das embalagens, do abastecimento, da produção e da comunicação exige compromisso a longo prazo e uma transformação estrutural.
As embalagens continuam a ser uma área crítica. Reduzir a dependência de materiais de utilização única e investir em alternativas mais duradouras, recicláveis ou biodegradáveis requer tanto inovação como o envolvimento do consumidor. Paralelamente, as cadeias de abastecimento éticas tornaram-se inegociáveis. Garantir que os ingredientes têm uma origem responsável, apoiar práticas de comércio justo e recorrer cada vez mais a alternativas sustentáveis ou bioengenheiradas exige transparência e uma colaboração próxima com os parceiros.
Outro desafio fundamental passa por fechar o ciclo, melhorar as infraestruturas de reciclagem, incentivar sistemas de retoma e assumir responsabilidade pelos produtos para além do ponto de venda. Por fim, o setor precisa de repensar a forma como comunica e opera, adotando soluções digitais que reduzam o desperdício físico e os processos energeticamente intensivos. Atualmente, a sustentabilidade não se resume a uma única solução, mas à construção de ecossistemas coerentes, mensuráveis e credíveis, orientados para o impacto a longo prazo e não para declarações de curto prazo.

Que práticas sustentáveis da RINGANA considera verdadeiramente diferenciadoras no contexto europeu?
O nosso compromisso com a frescura molda de forma decisiva a nossa abordagem à sustentabilidade. Produzir em pequenos lotes, evitar conservantes sintéticos e entregar os produtos diretamente ao consumidor permite reduzir armazenamento desnecessário, sobreprodução e desperdício. Além disso, o nosso modelo de venda direta ao consumidor possibilita um controlo rigoroso da qualidade e da logística, ao mesmo tempo que otimiza continuamente os processos para reduzir o impacto ambiental. Na RINGANA, a sustentabilidade está integrada na forma como operamos, e não acrescentada como um elemento secundário.

Até que ponto o consumidor está preparado para alterar hábitos de consumo em prol de escolhas mais sustentáveis?
Os consumidores estão cada vez mais disponíveis para mudar, mas apenas quando a sustentabilidade é acompanhada de desempenho e transparência. As pessoas procuram soluções que se integrem no seu quotidiano, sem comprometer resultados ou conveniência.
O papel das marcas passa por tornar as escolhas sustentáveis, intuitivas e credíveis, em vez de um esforço adicional. Quando os consumidores compreendem o impacto das suas decisões e confiam na eficácia dos produtos, a mudança de comportamento torna-se muito mais viável.

Como imagina a indústria da beleza em 2030, se estas tendências continuarem a evoluir?
Em 2030, a indústria da beleza será mais responsável, mais orientada pela ciência e mais próxima do bem-estar. Espera-se que as marcas sustentem as suas afirmações, comuniquem de forma clara e demonstrem responsabilidade ao longo de toda a cadeia de valor. As marcas que privilegiarem o valor a longo prazo, a credibilidade e a inovação com significado irão prosperar, enquanto aquelas que dependem do excesso ou de uma diferenciação superficial terão dificuldade em manter a sua relevância.

Que conselho daria às marcas que pretendem manter-se relevantes num mercado cada vez mais exigente e informado?
A relevância dependerá da consistência e da substância. As marcas devem investir em investigação, ouvir atentamente os seus consumidores e resistir à tentação de seguir tendências de curto prazo. A confiança constrói-se ao longo do tempo, através da transparência, da qualidade e de decisões responsáveis. Num contexto de mudança constante, a clareza de propósito torna-se o ativo mais forte de uma marca.

Para si, o que significa liderar uma nova etapa da beleza?
Liderar uma nova etapa da beleza significa assumir responsabilidade, não apenas pelos produtos, mas pelo impacto que uma marca tem nas pessoas e no mundo que a rodeia. Significa desafiar convenções, abraçar o progresso científico e tomar decisões que privilegiam o bem-estar a longo prazo em detrimento do ganho de curto prazo.  Para mim, liderar na beleza passa por criar valor duradouro, construir confiança e contribuir para uma indústria mais consciente e credível.

 

 

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