TOY no Armazém F

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Depois de nos termos cruzado com eles em dois festivais de verão, mais exatamente no Super Bock Super Rock e no Vodafone Paredes de Coura, chegou a vez de os ver em nome próprio num palco nacional.

A sala escolhida, o Armazém F, antiga sala TMN ao vivo, recheou-se de público para receber os TOY, banda britânica nascida em Brighton, praticante convicta de um rock que se passeia algures entre o psicadelismo da década de 70 e o vanguardismo que caracterizou a música mais alternativa dos anos 80.

Nesta sua incursão pela capital portuguesa, o quinteto trouxe a intenção de apresentar ao vivo o seu mais recente registo discográfico, Join the Dots, lançado no mercado no passado dia 09.

Com dois anos de existência, a banda composta por Tom Dougall, na voz e guitarra, Dominic O’Dair, na guitarra, Maxim Barron, no baixo e voz, Alejandra Diez, no sintetizador e programação, e Charlie Salvidge, na bateria e voz, não deixaram ninguém indiferente ao seu rock psicadélico, krautrock e post-punk. A primeira surpresa tivemo-la ao observar o público, pois seria de esperar que fosse mais jovem. A segunda foi perceber que um público fiel nunca deixa a sua banda desamparada, tendo comparecido em número bastante interessante à sala de espetáculos ribeirinha.

O alinhamento, que se passeou pelos dois álbuns editados, pôs todos a mexer, pois é impossível não aderir de uma forma corporalmente declarada ao apelo dos britânicos, e espanhola. Sem interagirem demasiado com o público, os TOY levaram-nos numa deliciosa vertigem musical onde a velocidade cruzeiro mais não foi do que …supersónica.

Se em ambiente de festival já lhes tínhamos tirado as medidas, musicalmente falando, em ambiente de sala as medidas foram claramente ultrapassadas. Ao nosso lado ouve quem dissesse «são muito melhores ao vivo do que em disco» e nós concordamos.

Pontos altos? Houve muitos, sendo que destacamos “Conductor”, “Kopter” e “Fall Out Of Love”. Uma ovação especial para “My Heart Skips A Beat”, que se revelou na verdade uma belíssima canção para ser interpretada ao vivo. Com a continuação do concerto era já evidente que este seu regresso a Portugal fora uma aposta ganha, com todos rendidos às guitarras, às vozes e à elegância musical dos TOY. Sem que ninguém na altura sequer supusesse que seria mesmo a última música do espetáculo, Join the Dots juntou público e banda num momento de pura comunhão musical… depois dela a banda desapareceu para não mais voltar, deixando nos presentes aquele gostinho entre o doce de ter visto um excelente concerto misturado com o amargo de ter sabido a pouco.

Antes dos TOY tocaram os Keep Razors Sharp, projeto nacional composto por Afonso Rodrigues dos Sean Riley and the Slowriders, Luís Raimundo ou Rai dos Poppers, Carlos António ou BB dos Riding Pânico, e Bráulio Alexandre dos Capitão Fantasma.

Muito por culpa do nomes que integram o projeto tínhamos muita curiosidade em vê-los ao vivo. Primeiro pensámos que não devíamos colocar a fasquia muito alta (por vezes nas super bandas a magia de cada músico desaparece) mas depois pensámos, «não, eles não nos vão desiludir», e não desiludiram.

A verdade é que cada um há sua maneira deu mostras de fazer parte de um coletivo homogéneo com muito caminho para andar e muita música para nos dar. Em palco cada um dos músicos deu mostras da enorme qualidade que possui, complementando-se musicalmente entre si. Por detrás deles o enorme ecrã passava imagens apelativas que puxavam pelo imaginário mais, digamos, atrevido de qualquer um de nós. Pela nossa parte não nos fizemos rogados e deixámo-nos ir pelas mãos dos Keep Razors Sharp…

O rock negro que praticam trouxe-nos à memória bandas como The Black Angels, Black Rebel Motorcycle Club ou The Jesus And Mary Chain, mas ficaram por isso mesmo, memórias, pois os Keep Razors Sharp demonstram possuir um som muito seu, assente, sobretudo, no percurso musical de cada um dos seus membros. Vagueando entre o psicadélico das guitarras e o poder da bateria, o som dos Keep Razors Sharp ganha ainda maior consistência com as vozes, fossem elas as de Afonso ou de Rai, perfeitamente integradas e uma clara mais-valia no registo musical da banda.

Há quem diga que esta é uma banda cool, nós como somos da década de 80 preferimos dizer que esta é uma banda com pinta, muita pinta e aqui não podemos deixar de ressalvar a postura de Rai ou Luís Raimundo, um verdadeiro rocker que em palco encarna como poucos a faceta de estrela de rock and roll. Com cerca de um ano de vida, os Keep Razors Sharp mostraram em cerca de 40 minutos de atuação que têm muito para dar. Pela nossa parte vamos ficar atentos ao desenvolvimento desta super banda.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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