Top Ten dos melhores álbuns para Vera Valadas Ferreira

Conhecemos a Vera Valadas Ferreira no Festival Vodafone Paredes de Coura já lá vão uns anos. Descobrimos nela uma amante de música, tema sobre o qual escreveu durante grande parte do tempo em que foi jornalista. Hoje está dedicada a outra grande paixão, os livros, enquanto assessora de comunicação da Porto Editora. Ao nosso desafio de tentar juntar numa lista os seus 10 álbuns preferidos respondeu logo que sim, o que nos deixou muito felizes. O resultado foi este.

Pixies “Doolittle”
Os Pixies são a minha banda preferida de todos os tempos. Neste alinhamento de 15 temas, cabem Debaser, Tame, Wave of Mutilation, Monkey Gone to Heaven, La La Love You, No.13 Baby, There Goes My Gun ou Gouge Away e Hey, o epitome da lírica demoníaca do quarteto. Este álbum (esta banda) representa a conjugação perfeita de todos os elementos de uma banda e não é à toa que tenha influenciado o nascimento de tanto e tantos projetos. Deles nunca cheguei a perceber do que gosto mais: se da voz, das letras, da bateria, do baixo ou das malhas de guitarra. Isso não importa. Um registo para todos os aliens indie.

Suede “Suede”
Este que é um dos melhores álbuns de estreia de todos os tempos serviu de alicerce para uma personalidade pop que ainda hoje, mais de duas décadas volvidas, ainda vibra com o mesmo fulgor. Assim se viu na passada edição do festival Vodafone Paredes de Coura, onde a banda de Brett Anderson provou que o seu pop elegante resistiu – e o mesmo não se poderá dizer de outras bandas compatriotas e alegadamente rivais –, apesar de ter andado anos e anos “chasing de dragon”. Para os que conhecem as dores da chegada à idade adulta.

David Bowie “The Rise and Fall of of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars”
David Bowie é o maior artista musical da História. Ponto. Foi bom desde o primeiro ao último acorde da sua existência sonora camaleónica, como sempre dele se diz. Porém, de entre tudo o que fez, de entre todos os registos em que se aventurou e alter-egos que assumiu, nada foi tão diferente, tão especial e espacial, quanto este álbum. Para aqueles que acreditam em ovnis.

Damien Rice “O”
Emociona-me a fragilidade masculina, da qual este álbum é um exemplo maior. Nas suas canções, este duende irlandês, como em tempos escrevi sobre ele, expõe-se totalmente e arrasta-nos na sua miséria. Com esse chafurdar nos nossos sentimentos de abandono, solidão, saudade, acabamos por nos sentir apaziguados com aquilo que as coisas são. Canções verdadeiramente terapêuticas. Para que os que precisam de lavar a alma.

Temple of the Dog “Temple of Dog”
Este álbum é o símbolo de uma geração, da juventude dos anos 90. É um marco histórico do grunge, de quando os astros se alinharam e foi possível reunir no tempo e no espaço talentos únicos, alguns infelizmente já perdidos, como Chris Cornell e o seu timbre especialíssimo, um dos mais belos que a Humanidade já teve o prazer de ouvir. Para os que ainda têm camisas de flanela aos quadrados no armário.

Portishead “Dummy”
Álbum de estreia, há mais de 25 anos, da banda de Bristol que acabaria por ser um dos faróis de uma estética que se convencionou chamar de trip hop. E pensar que nada disto teria acontecido se Beth Gibbns e Geoff Barrow não se tivessem cruzado numa fila de desempregados, como reza a lenda. Para desenvolvimento do tema, aconselho a audição de Live – Roseland NYC. Se não se sentirem minimamente afetados sugiro uma consulta de Neurologia para ver o que se passa com esse sistema nervoso central. Para os que não são tolos e gostam de ficar a ganhar.

Joy Division “Unknow Pleasures”
“Isto não é um conceito, é um enigma”, lê-se na contracapa deste LP gravado em abril de 1979 e que representa a estreia da mítica banda de Ian Curtis. A imagem de capa não é mais do que um gráfico do sinal de rádio captado por um radiotelescópio XPTO e é logo aí que este lote de canções que arranca ao som de Disorder começa a mexer com o nosso sistema. Com Closer, o segundo álbum, sentimo-nos ainda mais próximos da estética noturna do projeto cuja singularidade influenciou muitos músicos mas nunca conseguiu ser exatamente copiada. Para os que gostam de vestir preto.

Jeff Bucley “Grace”
Filho único na discografia de Jeff Buckley, é precisamente por aqui que começa a aura de Grace. Sinceramente, este registo de 1994 e todo o suporte visual que o sustenta emocionam-me sempre até às lágrimas. Sempre. É uma pena que tenhamos perdido demasiado cedo este notório amor à música, esta sensibilidade, esta voz de eriçar os pelos dos braços, este Anjo. Para os que acham que a vida é injusta.

dEUS “Worst Case Scenario”
Da Antuérpia chegava-nos, em 1994, este gin tónico cheio de especiarias. Formação louca e volátil de músicos e estilos, numa verdadeira mixórdia temática. A banda teve (tem) o culto que se lhe conhece em Portugal e assinou depois deste seu álbum de estreia muitos outros igualmente bons. Recomendam-se também as derivações a solo de Tom Barman ou em outros projetos do incrivelmente talentoso Stef Kamil Carlens, nos Kiss My Jazz ou Zita Swoon. Para quem não tem fobia social.

Breeders “Last Splash”
Acabar esta lista quase como comecei, numa espécie de pescadinha de rabo na boca. Nesta escolha regresso ao meu indie-core para prestar homenagem a todas as grandes mulheres do rock. Este segundo álbum da banda de Kim Deal demonstra bem que podemos ser tesas, uma verdadeira Cannonball, e sensíveis na mesma medida. E, sim, continuo a gostar de vocês. Para os que precisam de um reminder sobre girlpower.

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