Tool na Altice Arena o fim da espera

Foi em 2006, no mês de Novembro, que os Tool tocaram pela última vez em Lisboa. Agora, em 2019, regressam à mesma sala para pôr fim a uma espera de mais de uma década.

Formados em 1990, na cidade californiana de Los Angeles, os norte-americanos Tool são mais do que uma banda, são uma instituição ou mesmo uma entidade. Isso percebe-se bem quando falamos com alguns fãs que, não sendo de todo religiosos, encaram a banda quase como uma religião. Assim sendo, quase podemos dizer que na passada terça-feira todos foram à missa.

No altar, desculpem, palco, os protagonistas deste entrega colectiva, quatro músicos que juntos conseguem mover montanhas levando cerca de 20 mil pessoas a encher a maior sala de espectáculos lisboeta. A Danny Carey na bateria, Adam Jones na guitarra e Justin Chancellor no baixo, junta-se o sumo sacerdote, Maynard James Keenan na voz.

Com quatro bíblias editadas, Undertow de 1993, Ænima de 1996, Lateralus de 2001 e 10,000 Days de 2006, são muitas as orações que em forma de canções trazem conforto aos seguidores dos Tool. Músicas poderosas e intensas que se fizeram ouvir na Altice Arena ecoando nas almas de todos os presentes.

Em vez de santos, esta igreja estava envolta noutro género de imagens as quais chegavam até nós através dos ecrãs. Deles brotavam os famosos vídeos dos Tool onde os elementos da banda raramente aparecem, evitando assim que «as pessoas se prendem às personalidades envolvidas, em vez de ouvir a música», defende o vocalista. Na sua maioria realizados com recurso à técnica stop-motion, os vídeos, assim como as capas dos ábuns, são da responsabilidade do guitarrista Adam Jones, função que acumula com a de director de arte.

O efeito é poderoso sendo a nossa visão invadida por seres estranhos que nos transportam para universos paralelos onde o ser humano não entra, logo não estraga.

Pelo mesmo motivo pelo qual não deixam fotografar nos concertos ou não surgem nos vídeos, para que todos se foquem apenas e somente na música, os Tool não se apresentam em palco como normalmente as bandas o fazem. Ou seja, na frente de palco estão baixista e guitarrista, com a bateria lá mais atrás. Até aí tudo normal, mas o que já não é tão normal é o facto de ao lado dela, na plataforma, surgir Maynard. Na penumbra, o vocalista nunca abandona esta posição o que não lhe retira poder ou presença, pois essa sente-se forte e imponente através da sua voz em músicas como Intolerance, Jambi e Forty Six & 2.

A pouca iluminação do palco faz com que a banda não seja o foco principal do concerto. Essa passa toda para a música, não conseguindo nenhum dos presente despregar os olhos das imagens que vão desfilando. O alinhamento prossegue com The Pot, Schism, Parabol e Parabola.

Do sítio onde nos encontrávamos conseguíamos ver o corpo de Maynard contorcendo-se e balançando ao som das músicas. Percebe-se que está numa viagem, assim como o público. É para ele, para esse público, que transmite emoções por isso está no escuro, um espaço sombrio e confortável a partir do qual consegue evangelizar as 20 mil almas presentes na Altice Arena.

Tendo proibido o uso de qualquer aparelho electrónico durante a Eucaristia, ai desculpem, o concerto, a banda conseguiu que todos os olhares estivessem focados no palco durante as quase duas horas de missa. Foi apenas no encore, com CCtrip e Vicarious, qual aconteceu depois de vários minutos de pausa, devidamente assinalados através de uma luz laser projectada no tecto da sala, que Maynard abençoou os presentes, «como se portaram bem agora podem pegar nos telemóveis e gravar». Ninguém se fez rogado pelo que são os muitos os testemunhos espalhados na Internet de que esta noite de facto aconteceu e que terminou com Stinkfist, como podem recordar aqui.

A primeira parte ficou a cargo da banda francesa Fiend.

O colectivo de sludge/doom/stoner é composto pelo vocalista e guitarrista Heitham al Sayed, o guitarrista Michel Bassin, o baixista Nico Zivkovich e o baterista Renaud Lemaitre, actuais e ex-membros de bandas como Senser, Lodestar, Treponem Pal, Ministry e Les Tigres Du Futur.anceses.

Editaram “Seeress”, em 2018, o qual vieram apresentar a Lisboa.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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