Tirana: a decisão mais difícil

Para chegar a Tirana, capital da Albânia, vinda de Kotor, no Montenegro, precisei de quatro autocarros, mais de oito horas de viagem e 22 euros no total (entre pagar os bilhetes e o extra para pôr a minha mochila na bagageira). Sair da Albânia foi ainda mais… desafiante.

Escolher este destino foi a decisão mais difícil de toda a viagem. Perdi a conta às recomendações de “tem cuidado” e aos pedidos de “não vás” que fui ouvindo pelo caminho, não apenas de quem me conhece bem, mas também de quem fui conhecendo pelos Balcãs. Foi difícil também, porque ir a Tirana significava despedir-me de todos aqueles que viajavam comigo.

A curiosidade acabou por vencer. Não queria regressar a casa com preconceitos feitos de medo, quando estava mesmo ali ao lado.

E ainda bem que fui. Assim que cheguei à cidade, vi a minha desorientação habitual ser substituída pela ajuda de um estudante de economia que se desviou do seu caminho de propósito para me deixar à porta do hostel. Falou-me das dificuldades que terá para encontrar trabalho, dos seus amigos que pensam sair do país, da pobreza da Albânia e de uma mulher morta em troca de um colar. Isto é a Albânia, mas o que a maioria de nós ignora é que a Albânia não é só isto.

Ao fim do dia, O., um amigo de um amigo, veio ter comigo e levou-me pela cidade. Mostrou-me o que há para ver e respondeu-me às milhentas perguntas. Porque temos nós a imagem de um país perigosíssimo? “A bancarrota do país seguida de anarquia, em 1997; a guerra pela independência do Kosovo e, mais recente, a crise na Grécia. It’s a really fucked up area”, reconheceu. Mas não tardou muito a convencer-me como slogan do turismo nas praias da Albânia: “O segredo mais bem guardado do Mediterrâneo”.

E, quanto a Tirana, o O. nem precisava de ter dito nada. Bastava andar nas avenidas principais para ver o movimento, os parques aborbulhar de famílias ao fim da tarde, as pessoas arranjadas a ir em direção ao Bllok, os prédios da era comunista pintados pela genialidade de um presidente de câmara pintor que deu um novo rosto a Tirana. No centro da cidade tenho a sensação que podia estar em qualquer cidade europeia. E insegurança? Não a senti.

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