The Walkmen no TMN ao Vivo

The Walkmen > Filho da Mãe

Três anos depois voltámos a estar com eles. Na verdade foi mais um terceiro encontro uma vez que também os vimos na edição de 2009 do Super Bock Super Rock. Mas regressemos a 2008, quando, no âmbito da primeira edição de um festival de inverno, assistimos ao concerto que deram no Teatro Tivoli, em Lisboa. Bom concerto mas com pouco, digamos, calor da parte dos músicos que em palco tentavam ainda perceber quem eramos nós que fizemos fila para os ver tocar.
Pois bem, no passado domingo já nada foi igual. Ou seja, calor havia e muito, em cima e fora do palco e agora, passados estes anos, os músicos dos The Walkmen já não têm dúvidas relativamente ao público que vão encontrar cá pelo burgo, o que se percebeu quando, visivelmente bem disposto, o vocalista Hamilton Leithauser afirmou depois de tocada a primeira música do alinhamento, “Line by Line” (Heaven, 2012) “obrigado, este é o nosso sitio preferido para tocar, é uma honra estar aqui”.

A última vez que estiveram na capital portuguesa vieram a pretexto de apresentar o registo de originais que a ela dedicaram e ao qual deram o título de “Lisbon”. Desta feita, o motivo da visita, se algum fosse preciso, foi a apresentação ao público nacional do mais recente álbum “Heaven”. Com o local do concerto transferido do Coliseu de Lisboa para o espaço TMN ao Vivo, nada se perdeu, bem pelo contrário, pois não só o som estava muito bom, como o ambiente bastante agradável.

Na verdade, este regresso da banda nova-iorquina formada em 2000 foi mais um reencontro de amigos, onde todos estavam felizes e bastante participativos (que o digamos nós que ao nosso lado tínhamos umas amigas que devem ter ficado roucas de tanto “participarem”). Com “The Love You Love” percebeu-se que o público trazia a lição bem estudada, ou seja, com esta música que integra o último registo da banda, “Heaven”, ficou facilmente percetível que todos conheciam bem o disco. E, se dúvidas existissem todas ficaram desfeitas aos primeiros acordes de “Heartbreaker” a qual trouxe à sala ribeirinha uma verdadeira festa. Já de guitarra na mão para interpretar “Blue as Your Blood” (Lisbon, 2010), Hamilton agradece, “muito obrigada por estarem aqui, nós viemos de longe para estar aqui”, e ainda bem que assim o fizeram, pensámos nós e, certamente, todos os que enchiam a sala.

O decorrer do concerto fez-nos ter a certeza da muito boa evolução da prestação ao vivo da banda, em particular do seu vocalista Hamilton Leithauser, o qual demonstrou um enorme à vontade em palco e um domínio muito bom da voz (aqui vos confessamos que desde o primeiro dia que o ouvimos cantar sempre identificámos o timbre da voz de Hamilton com o de Bob Dylan, facto que nesta noite ele conseguiu de certa forma apagar, demonstrando que, e apesar da evidente influência de Dylanl, encontrou já o seu caminho).

Seguiram-se no alinhamento “Angela” (Lisbon, 2010), “On The Water” (You and Me, 2008), “In The New Year” (esta com uma reação fabulosa e ultra intensa por parte do público), e “138th Street” (Bows and Arrows, 2004). “Vocês são muito calados”, referiu o vocalista, “obrigado por serem tão respeitosos, os ingleses não são nada assim”, concluiu, numa clara referência à passagem da digressão da banda pelo país de Sua Majestade.

Sem nunca despir o blaser (e se estava calor…) Hamilton levou a banda a bom porto, conquistando um pouco mais o público com “All Hands and the Cook” (Hundred Miles Off, 2006), “Woe Is Me” e “Juveniles” (Lisbon, 2010), até chegar ao ponto mais alto não só do concerto mas também da carreira dos The Walkmen, “The Rat” e tudo ficou ainda mais festivo, emotivo e, porque não afirmá-lo, perfeito! Seguiram-se “Love Is Luck”, “We Can’t Be Beat” e “Heaven”, todas do mais recente registo de originais da banda. Despedem-se agradecendo a presença de todos…

Regressam passado pouco tempo para o tão desejado encore durante o qual nos brindam com três canções, “I Lost You” (You & Me 2008), “Everyone Who Pretended To Like Me Is Gone” do álbum homónimo, e “Another One Goes By” de A Hundred Miles Off. Lá fora o frio fazia-se sentir, mas nada que assustasse os muitos que por ali ficaram a trocar impressões sobre o excelente concerto que tinham acabado de ver.

Uma referência à primeira parte do concerto preenchida com a atuação de Rui Carvalho, mais conhecido por Filho da Mãe, que nos trouxe uma mão cheia de músicas do seu mais recente trabalho de originais “Palácio”. Para quem não conhece aconselhamos vivamente a descoberta do trabalho desenvolvido por este músico.

Texto: Sandra Pinto
Fotografias: Luís Pissarro

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