Na noite de 28 de Maio, The Jesus and Mary Chain apresentaram um concerto impecável com um alinhamento irrepreensível.

The Jesus and Mary Chain e a história da nossa vida

Há precisamente 30 anos, ali para os lados do saudoso Liceu Belém-Álges, descobríamos a banda que viria a tornar-se numa das nossas preferidas. Na altura eram famosos por tocar de costas voltadas para o público e por quase estourarem os nossos ouvidos com a poderosa distorção que para sempre lhes ficaria colada à pele.

Na noite de 28 de Maio, The Jesus and Mary Chain apresentaram um concerto impecável com um alinhamento irrepreensível.

The Jesus and Mary Chain apresentavam-se perante os nossos desejos adolescentes como a imagem perfeita da banda mais cool à face da terra: os cabelos em ordeiro desalinho, os óculos escuros, as roupas negras e o semblante misterioso.

Na noite de 28 de Maio, The Jesus and Mary Chain apresentaram um concerto impecável com um alinhamento irrepreensível.

Vinham da Escócia, país de onde traziam um sotaque que dava ainda maior encanto às suas canções. Companhia frequente naqueles anos da década de 80, tal como nós, os irmãos Jim e William Reid, cresceram e envelheceram. Tal como nós, passaram por altos e baixos. Mas, tal como nós mantiveram-se fiéis ao desejo de serem diferentes. Uma diferença que hoje já não se espelha nas roupas que vestimos, mas que se mantém na essência daquilo que somos, e isso meus amigos, vale ouro.

Chegar ao Coliseu de Lisboa na noite de 28 de Maio foi regressar três décadas atrás. Sem saudosismo ou tristezas, connosco trazíamos apenas o desejo de rever uma banda que tantas boas memórias deixou em nós. Ao longo de um alinhamento de 21 músicas essas memórias foram ganhando forma, naquela saída à noite para a Jukebox do Bairro Alto onde ouvimos pela primeira vez April Skies, no intervalo do liceu onde no walkman de um amigo descobrimos as delicias de Some Candy Talking, na casa de uma amiga onde no velhinho gira-discos fazíamos rodar vezes sem conta Darklands…

Na noite de 28 de Maio, The Jesus and Mary Chain apresentaram um concerto impecável com um alinhamento irrepreensível.

Quem diria que já tinham passados tantos anos… a verdade é que durante todo o concerto o tempo pareceu parar pois a música estava ali imaculadamente presa em canções perfeitas, bem cantadas e, sobretudo, bem tocadas. O desfilar de temas como Halfway to Crazy, Between Planets, All Things Pass ou Cherry Came Too trouxeram ao de cima o que de melhor os manos Reid sempre tiveram: a classe e a harmonia de nos dar canções únicas que capazes de nos encher os ouvidos, enchem, sobretudo a alma.

Na noite de 28 de Maio, The Jesus and Mary Chain apresentaram um concerto impecável com um alinhamento irrepreensível.

Para o encore estava preparada mais uma dose brutal de classe com, entre outras, Just Like Honey, Cracking Up e In a Hole. Tal como nos últimos 30 anos, também no concerto não demos conta do tempo passar o que para nós significa que o vivemos da melhor maneira. A verdade é que se começaram por fazer parte da banda sonora da nossa adolescência, hoje The Jesus and Mary Chain fazem parte da banda sonora da nossa vida e isso ficou bem provado naquela noite ali para os lados das Portas de Santo Antão.

Na noite de 28 de Maio, The Jesus and Mary Chain apresentaram um concerto impecável com um alinhamento irrepreensível.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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